O negócio dos Manuais Escolares

As editoras fazem todas o mesmo!
As mães ou os papãs encomendam os respectivos manuais das principais disciplinas do 5ºano, por exemplo (dispensa-se os facultativos, é menos essa despesa) e, sendo de 17,50 € o preço médio de cada um, o valor total da conta a pagar será cerca de 90 €.
Mas a «coisa» está muito bem feita: a ASA, a Santillana, a Porto Editora e a Texto, neste caso, têm preparada uma folhinha com uma «Recomendação Pedágógica» que vem embrulhada num plástico, hermeticamente fechado, juntamente com o Manual mais dois produtos que o pai e a mãe não estavam à espera (na lista que a escola fornece não são referidos): Cd-Rom e Caderno de Actividades.
Pois é, o problema é que não são oferecidos com o Manual. Estes dois produtos custam quase tanto como o manual. Assim, a conta que seria de menos de 90€ é, para quem estiver distraído, quase 160 €.
Ah! A folhinha diz o seguinte:
Recomendamos a utilização conjunta destes produtos como forma de facilitar a aprendizagem dos alunos e contribuir para o sucesso escolar. Trata-se apenas de uma recomendação, pelo que os produtos podem ser sempre vendidos separadamente por simples opção, sem que acresça qualquer encargo ao adquirente.
 
Pois esta «recomendação» das editoras, tão preocupadas com o sucesso e a aprendizagem dos alunos, custa aos pais cerca de 70 € a mais do que é o essencial.
Claro que na papelaria /livraria/ hipermecado não vão chamar a atenção para isto…
Esteja atento quando fôr comprar os livros / material escolar dos seus filhos. É o «gastem, gastem, comprem, comprem»!
 
P.S. Não ficava bem comigo mesmo se não desabafasse…Desculpem.
 
  

Comments


  1. Nenhuma empresa é, nem deve ser uma instituição de beneficência. Quando promovo um produto, bem ou serviço, estou obrigado a regras, não posso prestar informação fácil nem fazer publicidade enganosa, mas também não fico obrigado a dizer tudo, nomeadamente se existe um concorrente com menor preço, se forneço mais do que o estritamente necessário, etc… Tenho sim que comercializar, mesmo o PVP deveria ser deixado ao livre arbítrio dos comerciantes e cabe ao consumidor decidir…

    P.S-Enquanto consumidor que também sou, procuro ler e informar-me de todos os detalhes, mas cada um…

  2. Amadeu says:

    Tem toda a razão, não tem nada que pedir desculpa.
    Eles (as editoras, neste caso) induzem-nos a ideia que poderemos não ser bons pais se não facilitarmos a prendizagem dos nossos filhos e se não fizermos tudo para contribuirmos para sucesso escolar deles. Para tal dêem cá mais 70 euros.

  3. MAGRIÇO says:

    Não se pode criticar as empresas por quererem ganhar dinheiro, mas já não se percebe a posição dos governantes quando legislam sempre no sentido proteccionista dos grupos económicos. Quando se acusa as pessoas de serem gastadoras, uma grande parte desta responsabilidade cabe aos governantes, que promovem desnecessariamente o despesismo até na aquisição de manuais, quando a atitude correcta seria precisamente a inversa. Não faz sentido – a não ser para conveniência dos editores e livreiros – que os manuais escolares tenham de ser diferentes todos os anos. A maior parte dos livros escolares que usei – e, que me recorde, quase todos os meus colegas – foram adquiridos em segunda mão, e nem por isso nos causou quaisquer constrangimentos no aproveitamento escolar. Depois vem dizer, no abstracto, que o estado é gastador, como se não fossem eles os gestores da coisa pública.

  4. edgar says:

    Neste paraíso neoliberal, uns tiram cursos a preços de saldo eenquanto outros os pagam com língua de palmo.

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