As cinquenta sombras do desígnio nacional: explorar

Consta que um livreco virou filmezeco, têm sexo, não têm nem cinema nem literatura, ambos vendem bem. Não tencionando nem ler nem ouver as tais Cinquenta Sombras de Grey, nunca terei tempo para a arte que gostava de levar comigo quanto mais para o entretenimento, e se tem sadismo ainda me faltam uns livrinhos do Divino Marquês, há um detalhe nacional no episódio: parte do cenário tem proveniência nacional, honra e glória ao design nacional (chamam agora design às artes decorativas, haja paciência).

O problema é que pelo Adriano Campos chego a este vídeo, e por este vídeo se conclui que o empreendedorismo também nesta área, supostamente refinada, rima com esclavagismo.

A Menina Design quando crescer quer um chicote. E está certo, confere com o tema da película.

Comments


  1. Partilho da sua opinião, meu caro João. Um clássico será sempre um clássico. Isto não é uma tautologia, é apenas um tributo aos grandes da belas letras. Hoje em dia, qualquer um que cria uma boa história vende que se farta. Deixou-se de lado a forma e devora-se o conteúdo. Emerge a escrita de consumo fácil, em detrimento da linguagem figurativa dos cânones nacional e mundial.
    Depois, há ainda aqueles leitores de toalha de praia que me vêm recomendar um livro nos seguintes termos: «Ai, lê que é uma delícia. Começas e não consegues parar!» É bom lembrar que a arte é doída e o pior que me podem dizer de um livro é que se lê bem.
    Camões poderia ter escrito: “Lianor vai à fonte sem chinelas por cima da relva”; mas não o fez. Preferiu trabalhar a linguagem, tornando-a mais expressiva, ainda que daí resultasse mais trabalho interpretativo por parte do leitor.


  2. Finalmente alguém aponta o dedo a isto em vez de ficar babado pela simples menção da palavra Portugal associada a um blockbuster.
    Parece que os valores e a lei deixam de importar desde que consigamos visibilidade

  3. Nascimento says:

    Só 50?E porque não 100?Aí é que punha a gajada aos saltinhos,….gandas “malucas”, (eles ou elas).

  4. martinhopm says:

    Li em «As estreias do Público» de hoje que o filme «As Cinquenta Sombras de Grey» foi classificado como mau por Jorge Mourinha e com uma estrela (medíocre) por Luís M. Oliveira.
    Não li o livro. Sei que foi «recusado» por uma biblioteca pública. É um entre aqueles muitos livros que são vendidos (ao Kilograma?) nas supermercados.
    A propósito de um escriba da nossa praça, pivot da RTP 1 e celebrado escritor, José Rodrigues dos Santos, disse António Lobo Antunes sobre um dos seus muitos livros: «O livro é uma grande merda.(…) Num país onde todos são escritores, fico assombrado com pessoas que escrevem livros em dois meses.(…) Não gosto de livros fáceis (…) como as mulheres fáceis qiue nos piscam o olho».

    • António F.Lourenço says:

      O produto: “As 50 Sombras de Grey”com lotações esgotadas cheio de meninas, sobretudo, trata-se de algo abjecto e inclassificável, PÉSSIMO, abaixo da dignidade humana e tratando a mulher como uma submissa escrava, numa sala cheia de chicotes, matracas, etc sado-masoquistas, UM NOJO!
      Nem sequer é pornográfico! O que leva as idiotas, a desejarem sofregamente, ver esta sujeira?

Trackbacks


  1. surrey orthodontist

    As cinquenta sombras do desígnio nacional: explorar – Aventar

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