Mau ou péssimo?

Portugal está num momento delicado onde o futuro parece pior que o do Sá Pinto à frente do Sporting.

A receita do PSD e do CDS para resolver a crise falhou! Já todos o perceberam, até o próprio governo. E não se trata de saber se houve ou não erros. As medidas são o que são e, independentemente do aplicador, teriam este efeito desastroso na economia. Com Sócrates teria sido diferente? Não me parece.

E agora? Qual é a saída para isto?

Continuamos em frente e até fazemos regressar a TSU – uma blasfémia! – como se fosse a TSU um problema de quem esteve no 15S ou no 29S. Palpita-me que um inquérito de rua mal amanhado mostraria facilmente que a maioria das pessoas pensa que a TSU é o nome de um medicamento.

Ou então vamos procurar alternativas, democráticas, claro!

Há essencialmente duas possibilidades em cima da mesa:

– continuar no Euro;

– sair do Euro. [Read more…]

Sair do euro é mesmo uma opção?

Os economistas terão uma resposta técnica. Não sendo o meu caso, limito-me a opinar sobre a minha memória dos anos 80. Nesse tempo, de cada vez que havia uma crise orçamental, desvalorizava-se o escudo e todos ficavam mais pobres de um instante para o outro. A inflação era galopante e os juros concedidos aos depósitos a prazo andavam na casa dos dois dígitos. Pura ilusão, já que esses juros nem cobriam o que a inflação levava. Quem tinha meios para isso, teria as suas contas em moeda estrangeira para fugir a este problema. Os restantes mortais simplesmente viam as suas poupanças desaparecer e, simultaneamente, o mesmo salário numérico não chegava para as mesmas compras.

Hoje, com o euro, tal mecanismo não é possível ao nível de um só país mas também ficamos mais pobres. Pagamos mais impostos e cada vez sobra mais mês no fim do ordenado. Mesmo imaginando que sair do euro não teria outras implicações, se fosse possível termos neste preciso momento o escudo, logo este seria desvalorizado como nas décadas anteriores. O mesmo empobrecimento nos atingiria porque o que é importa é resolver o problema e isso passa por parar o descontrolo da despesa. Não vejo por isso que sair do euro seja uma opção, já que o problema não é a moeda mas o que com ela se faz.

Voltar ao escudo? Humilhação para Sócrates!

Dois economistas, no “Financial Times” de ontem, assinam um artigo em que  colocam a hipótese de Portugal voltar ao escudo nas transacções internas, mantendo o Euro como moeda de troca com o exterior.

A situação de Portugal é de tal forma dificil que já serve de cobaia para uns quantos, ávidos de protagonismo, avançarem com medidas que humilham o país, no mínimo!

A ideia, para além de “espatafurdia”, nada tem de original. Basicamente,o que se pretende é que, desvalorizando os factores de produção, a nossa economia se torne mais competitiva.Era o que se fazia quando a moeda era nacional, desvalorizava-se e já está, os nossos produtos tornavam-se competitivos. O que eles não dizem é que essa é a forma mais eficaz de nos tornarmos cada vez mais pobres.

Foi assim que, em vez de aumentarmos a produtividade, racionalizando meios, investindo em novos equipamentos, em inovação, em formação do pessoal, fomos desvalorizando o escudo até nos tornarmos nos mais pobres da UE!

Mas escolhendo entre os ” PIGS ” ( Portugal, Itália, Grécia e Espanha) o nosso país para cobaia, mostram o que pensam da situação a que chegamos, enquanto cá dentro temos um governo que diz que fomos o primeiro país a sair da crise.

O esquema até já tem nome ” IOU – I owe you –  Eu devo-te !

O Sócrates, com o seu inglês técnico, é que não deve perceber os sinais que constantemente nos estão a mandar.

Talvez sinais de fumo resultem!