Ferraz da Costa: entre a mentira e a defesa da exploração

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Infografia via Jornal Económico

Para lá da recente palhaçada, aqui bem resumida pelo J Manuel Cordeiro, Pedro Ferraz da Costa tem um longo currículo na defesa da destruição dos direitos laborais, que vai de apelos ao aumento da carga laboral até à defesa da eliminação de feriados e dias de férias, passando pelo imposto sobre o património. Há um ano atrás, chegou mesmo a lamentar publicamente a saída da Troika de Portugal.

Em 1981, com apenas 34 anos, Ferraz da Costa sucedeu a António Vasco de Mello como segundo presidente da CIP, criada em 1974. Desde então, tem estado na linha da frente da defesa dos interesses do patronato português, algo que é perfeitamente legítimo. Contudo, para defender os interesses dos patrões portugueses, o que de resto não é uma tarefa particularmente difícil num país como o nosso, não é necessário mentir. Afinal de contas, o homem está do lado do dinheiro e daqueles que têm os políticos e o queijo na mão. [Read more…]

O impaciente inglês

o-paciente-inglesUm paciente inglês, sujeito às agruras de uma lista de espera, impacientou-se e resolveu operar-se a si mesmo. A história tem mais alguns nós, mas dá que pensar. O pior, para alguns mais tendenciosos, será o facto de o pobre homem ter andado quinze anos inclinado para a esquerda, esperemos que sem cair em extremismos.

Portugal é um país com alguns hábitos estranhos, como, por exemplo, a manutenção, há anos, de épocas de incêndios e de cheias, infelizmente nunca coincidentes. Não sou de ler o Diário da República, mas, diante da constância de fogos estivais e invernais inundações, não me admiraria que as referidas épocas resultassem de decretos. Chegou mesmo a haver um ministro a explanar uma verdadeira teologia da enxurrada, que, para isso, pelo menos, os ministros servem, sejam de Deus ou do Diabo.

Outro hábito estranho é o das listas de espera nos hospitais, numa contradição evidente, já que a espera pode fazer mal à saúde. Se há sítios em que a palavra ‘paciente’ faz sentidos, é nos hospitais.

As listas de espera resultam, certamente, de vários factores e o mercantilismo economês não será um dos menos importantes, com os espécimes que gerem hospitais muito preocupados com competitividade, porque tudo é um campeonato. Os que (se) ocupam (d)o Estado têm, de qualquer modo, tecido o esvaziamento dos hospitais públicos, favorecendo empresas, porque ao lado de uma lista de espera há sempre um hospital privado a abrir. O cidadão que seja desinformado ou desabonado ficará sentado na lista de espera e não faltará muito tempo para que os portugueses, desenrascados como são, passem a tratar da própria saúde, seguindo o exemplo do impaciente inglês. [Read more…]

A Sustentabilidade

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O nosso modelo de organização económica pressupõe um movimento tão perpétuo quanto ilusório de crescimento.

O truque de magia usado, como força hipnótica que instala e propaga a ansiedade social através da bioquímica da competitividade, chama-se criação de riqueza e é nela que se apoia o discurso que justifica toda a irracionalidade e toda a injustiça da governação da coisa pública. Essa governação vai viajando em circuito fechado, como o hamster na roda infinita, de crise em crise, de reforma em reforma, de projecção em projecção, reproduzindo sempre o mesmo desequilíbrio da estrutura, ou agravando-o drasticamente, como foi o caso dos últimos anos de governação PSD-CDS.

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A história do empresário português de sucesso que acredita no OE16

Guimarães,03/11/2011 - Fortunato Frederico empresário e industrial do calçado na fábrica da Kyaia , produtora de marcas de marcas como a Fly London e Foreva .( Pedro Granadeiro / Global Imagens )

Fortunato Frederico não é típico empresário mediático e presunçoso que podemos encontrar em cocktails na capital, rodeado de tráfico de influências, ostentação e tias fúteis de Cascais. Começou por baixo, trabalhou muito, construiu o seu negócio do zero e hoje emprega mais de 600 pessoas em cinco fábricas e mais de 80 pontos de venda espalhados pelo globo, do Porto a Nova Iorque, Londres ou Berlin. A sua marca, Fly London, é mais famosa e reconhecida lá fora do que em Portugal. Um daqueles exemplos que tanto inspiram os fervorosos adeptos do capitalismo sem freio. O self made men que todos poderíamos ser se vivêssemos na ilha da utopia neoliberal.

O sector de actividade de Fortunato Frederico, o calçado, é um dos mais bem-sucedidos e um dos que mais exportações tem dado ao nosso país. O patrão da Kyaia compete directamente com a oleada máquina italiana e com as principais insígnias mundiais e, de acordo com uma notícia publicada no Dinheiro Vivo no final de 2011, a Fly London era já a oitava marca de sapatos mais vendida em todo o mundo. [Read more…]

Contos para crianças I: a competitividade

Empresas apoiadas pelo Estado pagam 505 euros a engenheiros e professores” (DN). Até António Nogueira Leite afirma que teria “vergonha” de contratar um engenheiro por 500 euros. I rest my case.

A infame Lagarde

Lagarde

Só a Espanha??? Então e Portugal Lagarde? Já viste bem a competitividade que para aqui vai? Andas feita com os com os gajos da esquerda, só pode. Vê lá se queres que chame o Poiares Maduro para ele te dizer das boas

Na competitividade do país, a Educação não é um problema

E quem o diz é o Fórum Económico Mundial no seu relatório da Competitividade Global 2012-2013, agora conhecido.

Globalmente Portugal, entre 144 países está agora na posição 49, quando o ano passado, entre 142 países estava na posição 45. Para estas posições concorre uma classificação global de 4,4 em 7.

Fomos olhar de forma mais detalhada para o relatório e percebemos que há dimensões melhores e dimensões piores. A Educação está do lado competitivo do país. Vejamos: [Read more…]

Nem as estradas nos valem

Carta da Estradas de Portugal insere-se num quadro de normal funcionamento entre empresas e tutela - Min. Obras Públicas“Nem as estradas salvaram Portugal da queda no índice de competitividade.

País desceu quatro lugares, para a 49.ª posição, no Índice Global de Competitividade e está “perigosamente

na cauda do pelotão” face à Irlanda, Chile e República Checa, consideradas economias similares.

Entre 144 países analisados pelo Fórum Económico Mundial, Portugal é o quarto com as melhores estradas.” (hoje no Público).

Portugal perde competitividade mas é o País das Estradas (e do Futebol)!

Combustíveis – as macro-análises e o pragmatismo

Os preços de venda ao consumidor (PVP) dos combustíveis em Portugal – imagino que também em outros países – é matéria frequente de polémica; em especial, em momentos de conjuntura de alta de preços do petróleo.

Neste domínio, devido a condicionalismos da localização geográfica, a imperativos de competitividade face aos espanhóis e a outros factores de carácter sócio-económico,  em vez de macro-análises à escala europeia, o pragmatismo recomenda, a meu ver, o recurso à comparação de impostos e PVP entre Portugal e Espanha.

Como é explicitamente referido na informação da Comissão Europeia, as percentagens de impostos (ISP + IVA, no caso de Portugal) correspondem a valores percentuais dos  PVP finais.

Parece-me, pois, importante extrair as seguintes conclusões:

  1. A carga fiscal em Portugal é maior do que em Espanha (+17,39% na Gasolina e +7,39% no Gasóleo);
  2. Os PVP líquidos de impostos equivalem-se, i.e., na gasolina em Portugal cobra-se menos 1 cêntimo por litro (- 1,89%) e, no gasóleo, os valores são idênticos. [Read more…]

O valor do salário

No actual debate público em torno das políticas económicas e financeiras, quer em Portugal quer pela Zona Euro em geral, torna-se evidente que os ditames ideológicos do pensamento económico dominante, enquadram o salário com um mero custo. Por cá, chega-se mesmo a entender que fazem parte de gorduras a eliminar tanto quanto possível.

Esquece a lógica neo-liberal – para quem o lucro é sagrado e o mercado é tudo – que a saúde de qualquer economia se afere pela distribuição da riqueza que se concretiza pelos salários e pelos impostos. Uma economia com algumas grandes fortunas à custa de muitos assalariados remediados não é economia saudável: é escravatura contemporânea. [Read more…]

Pérolas “sociais-democratas”

Pedro Passos Coelho volta a por a tónica dominante da nossa competitividade nos salários baixos.

Nada de novo: desde Cavaco Silva que nos habituamos a ouvir “sociais-democratas” a defender semelhante tese.

O melhor de tudo é que com salários de miséria – embora não no entendimento de todos, pois há quem pense que não estamos tão mal assim -, continuamos, pelos vistos, a não ser competitivos.

A estes “sociais-democratas” aconselho, então, a tese comunista chinesa de promover o desenvolvimento económico à custa de mão-de-obra paga com lentilhas. Pode ser que assim se consiga atingir a tão almejada competitividade.

E já agora, Senhor Primeiro-Ministro, isto de andar constantemente a falar de assuntos de política interna no estrangeiro é muito pouco recomendável. Falar do que se passa cá lá fora é tão triste quanto termos tantos de fora a mandar cá.

Álvaro Santos Pereira, o ministro que discorda do economista que há em si

A ideia de que somos um país de baixos salários é simplesmente errada. Portugal tem os salários que merece e que se adequam ao nosso nível de produtividade e de desenvolvimento. Quanto muito, os nossos salários médios são demasiado altos para a baixa produtividade. No entanto, mesmo que isso seja verdade, não devemos pensar que a nossa economia está perdida e o nosso futuro hipotecado. Mesmo os “fundamentalistas dos salários” têm que reconhecer que ainda compensa a muitos investidores (incluindo espanhóis) investirem em Portugal, pois os nossos custos salariais são ainda razoáveis quando comparados com as médias salariais de muitos dos nossos parceiros europeus. Por outro lado, mesmo os fundamentalistas são forçados a admitir que o crescimento dos nossos salários tem ficado bem aquém do registado na maioria dos países do Leste europeu, o que, a médio prazo, lhes retirará a atractividade salarial face a Portugal. Por fim, mesmo os fundamentalistas dos salários têm que reconhecer que existem outras considerações para além dos salários. A inovação e mesmo grande parte da imitação depende bem mais de factores como o sistema de incentivos do que de meras comparações salariais.

Álvaro Santos Pereira, Os mitos da economia portuguesa, Lisboa 2007, p 70

Para os distraídos: aumentar o horário de trabalho é na prática baixar os salários. Os chamados 13º e 14º mês fazem parte do salário anual de quem os recebia, os ordenados, tal como os orçamentos, fazem-se ao ano. Aumentar o horário de trabalho também é um eufemismo para reduzir salários. Fundamentalistas, portanto.

A descida da TSU e a competitividade das empresas portuguesas

Tenho visto várias opiniões acerca da redução da Taxa Social Única (TSU). A diminuição da TSU reduz os custos de produção, pelo que as empresas exportadoras, principalmente essas, sairão beneficiadas. Parece ser esta a explicação de quem defende a diminuição da TSU. O raciocínio está correto. Esta medida é equivalente a uma desvalorização cambial, pois torna as nossas exportações mais baratas. Aumentando-se a taxa de IVA, as importações ficam mais caras.

Espera-se que a desvalorização fiscal sirva para aumentar a competitividade das empresas exportadores, via redução dos custos de produção. É aqui que eu tenho mais dúvidas. Apesar da descida da TSU conduzir uma redução nos custos de produção, não acredito que essa redução tenha repercussões significativas nas exportações. Os bens produzidos pelas nossas empresas não têm custos de fabrico maiores do que os produtos fabricados na Espanha, na Alemanha, nos EUA ou na Noruega. De igual forma, mesmo que reduzíssemos os nossos custos de produção em 40 ou 50% continuaríamos a não conseguir competir, através do preço, com as empresas chinesas, polacas, indianas ou marroquinas. Estas empresas têm custos de produção incomparavelmente menores do que os nossos. Por isso, baixar os custos para competir com as empresas destes países é uma tarefa inócua.  Poderá haver casos de empresas portuguesas que competem com empresas estrangeiras pelo preço baixo, mas o número tem de ser reduzido. Por isso acredito que o impacto da descida da TSU na competitividade das empresas exportadoras será mínimo. [Read more…]

Uma questão de distribuição

Quando falha a distribuição da riqueza, mais cedo ou mais tarde acabamos por ter distribuição de sacrifícios.

Vivemos hoje os chamados “tempos difíceis”, porque nos tempos da aparente abundância nunca esta foi por via da distribuição da riqueza. Pelo contrário: concentrou-se o esbanjamento e distribuiu-se endividamento.

Veja-se como os salários baixos foram durante décadas um chavão para o nosso progresso. Num país dito da Europa, alicerçávamos a nossa competitividade nos salários baixos. Depois, para colmatar a falta de dinheiro para se comprar aquilo que era dado como imprescindível para se ser feliz, fosse na televisão fosse na casa do vizinho, abriram-se os cordões da bolsa do financiamento e tudo pôde comprar aquelas coisas para as quais poucos tinham rendimento. Agora que as ilusões de felicidade do crédito fácil estouraram na cara de toda a gente, há que refazer contas à vida e lá vamos no fado dos sacrifícios.

Mister é saber como são distribuídos os sacrifícios, pois que sendo mal distribuídos acontece como na má distribuição da riqueza: muitos empobrecem e alguns engordam. [Read more…]

A pobreza

(adão cruz)

A pobreza transformou-se agora em bandeira eleitoral de todos aqueles que por ela são e sempre foram responsáveis. Descarada hipocrisia.

Em nome da competitividade e da convergência cometem-se as maiores barbaridades. Em nome da competitividade e da convergência, a indiscutibilidade das decisões, a globalização, a modernidade, a flexibilização e a privatização são as palavras inquestionáveis das estratégias de dominação por parte daqueles que sabem quem tudo ganha à custa de quem tudo perde. [Read more…]

Podemos continuar no Euro?


“Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no facto de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem inteligência se debatem em dúvidas e indecisões.” * (Bertrand Russell)

No meu artigo  “Porque vale a pena apostar em África” publicado em 04.07.1997, afirmei entre outras coisas:

“ … O caminho da saída da crise [de então], de valores ideiais e materiais, portanto, não é o do euro. Nem para Portugal nem para os UE. Esta, para assentar finalmente com os pés no chão, terá que ser construida, antes que venha o euro, em primeiro lugar nos corações dos seus cidadãos … “. Ao mesmo tempo propôs uma estratégia diversa cuja perseguição asseguraria a Portugal uma ascenção sócio-económica orgânica e sustentável.

Como é sabido, uma vez que na altura o mar ainda estava azul e calmo e os subsídios fluiam abundantemente, essa estratégia não foi perseguida. Com efeito, os “capitães de água doce” optaram pelas medidas de costume. Precisamente aquelas que nos levaram à situação em que hoje nos encontramos. O euro acabou por ser introduzido com sucesso e parecia uma solução definitiva não só para os problemas de Portugal mas também para alguns outros candidatos menos fortes da zona Euro – apesar das suas economias fracas e pouco diferenciadas do tipo “me too”. [Read more…]

Voltar ao escudo? Humilhação para Sócrates!

Dois economistas, no “Financial Times” de ontem, assinam um artigo em que  colocam a hipótese de Portugal voltar ao escudo nas transacções internas, mantendo o Euro como moeda de troca com o exterior.

A situação de Portugal é de tal forma dificil que já serve de cobaia para uns quantos, ávidos de protagonismo, avançarem com medidas que humilham o país, no mínimo!

A ideia, para além de “espatafurdia”, nada tem de original. Basicamente,o que se pretende é que, desvalorizando os factores de produção, a nossa economia se torne mais competitiva.Era o que se fazia quando a moeda era nacional, desvalorizava-se e já está, os nossos produtos tornavam-se competitivos. O que eles não dizem é que essa é a forma mais eficaz de nos tornarmos cada vez mais pobres.

Foi assim que, em vez de aumentarmos a produtividade, racionalizando meios, investindo em novos equipamentos, em inovação, em formação do pessoal, fomos desvalorizando o escudo até nos tornarmos nos mais pobres da UE!

Mas escolhendo entre os ” PIGS ” ( Portugal, Itália, Grécia e Espanha) o nosso país para cobaia, mostram o que pensam da situação a que chegamos, enquanto cá dentro temos um governo que diz que fomos o primeiro país a sair da crise.

O esquema até já tem nome ” IOU – I owe you –  Eu devo-te !

O Sócrates, com o seu inglês técnico, é que não deve perceber os sinais que constantemente nos estão a mandar.

Talvez sinais de fumo resultem!