Uma Juíza de Braga

Está atenta ao mundo.

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JN

Eutanásia social

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O modo como um país encara e valoriza as suas crianças e os seus idosos define o seu grau de desenvolvimento humano e a sua própria viabilidade enquanto organismo social e civilizacional vivo.

Portugal, nesta matéria, apresenta sintomas antigos e agudos de uma grande degradação e tem em prática políticas que o tornam uma sociedade degenerativa, inimiga da infância e da velhice, e, como tal, inimiga da sua própria viabilidade.

No caso da infância, chegámos ao ponto extremo de optar por políticas claras de institucionalização, seja na escola, onde as crianças chegam a passar 12 horas por dia, seja no asilo moderno, onde são internadas de modo compulsivo depois de literalmente raptadas às suas famílias. O Estado, que soube baixar brutalmente o Subsídio de Desemprego ou o Rendimento Social de Inserção, atirando centenas de milhares de crianças para a pobreza extrema, é o mesmo que paga 800 euros por mês a Instituições privadas por cada criança raptada que lhes seja entregue. Temos, assim, o Terceiro Sector a viver do negócio do tráfico humano, com o beneplácito e o patrocínio do poder público.

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Não Existir Para Ninguém

O que fizemos e fazemos dos nossos velhos?

Tenho tido um tempo interminável para assentar algumas ideias acerca do problema geral da divina invisibilidade particular de cada qual, sobretudo ao olhar para algumas emanações do último Censos 2011. O envelhecimento da população. Está à vista o problema de décadas de corrupção e decrepitude políticas: lá, onde as infraestruturas foram feitas, feitas duas vezes, feitas três, feitas a rebentar de luxo e redundância, as nossas gentes, os nossos velhos, os nossos!, foram envelhecendo, foram-se isolando, numa pobreza igual, pacata, horrorosa, remetendo-se a uma invisibilidade acusadora. Com reformas de duzentos e picos, ou Estado Social-Manguito!, não podiam competir com os Elefantes Brancos que os Governos, de pau feito para outros negócios de suculento retorno comissionista e eleitoraleiro, sempre priorizaram. Assim, por todo o Portugal, nasceram-nos ilhas de velhos esquecidos de todos, sobretudo dos próprios filhos, três, quatro, que deixaram completamente para trás o terem tido um pai, o terem tido uma mãe. Se isto, em Portugal, fosse um caso isolado… Não é. Parece regra. Gente enterrada e relegada pelos seus muito antes de morrer. Em plena cidade. Em plena aldeia. Conhecemos casos. Esquecidos. Impedidos de netos, de um beijo, uma palavra quotidiana. E, no entanto, sem eles nunca poderíamos sequer começar por Ser.   [Read more…]

“Porque a vida passou antes que pudéssemos viver…” Victor Hugo

Pedro Noel da Luz