Marcha da CGTP

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Fotografia de Egídio Santos

a marcha dos jornaleiros

 Foto: La Opinión

Quando Miguel Hernández, que haveria de morrer, aos 31 anos, numa prisão franquista, escreveu “Andaluces de Jaén”, elevou a símbolo de um povo esses homens e mulheres, “aceituneros altivos”, cujas vidas eram uma sucessão de trabalhos e penas para não mais do que um pouco de pão e um humilde abrigo.

Na Espanha dos “señoritos”, que o romancista Miguel Delibes retratou impiedosamente, os camponeses estavam à total mercê dos seus senhores, e se a um señorito, numa tarde de calor entediante, lhe apetecesse espancar um camponês, ou toureá-lo, ou cuspir-lhe no rosto, ou esbofeteá-lo perante os seus filhos e netos, nada nem ninguém o impediriam.

Nada que se compare com os dias de hoje, dirão, mas quando vejo a marcha dos jornaleiros – os trabalhadores agrícolas sem terras, que trabalham a troco de uma remuneração diária, e que ganham em média 6 a 7 euros por hora de trabalho – ocorre-me que não há muita diferença entre os azeitoneiros altivos de Miguel Hernández e estes homens e mulheres que avançam pela estrada que une Utrera a Sevilha, onde o sol queima mais do que em qualquer outra terra de Espanha,  que fazem ondear bandeiras da Andaluzia, da República e do Che, e vão tomando, sem violência e por poucos minutos, sucursais de bancos, gritando, de cada vez que avistam uma: “Aquí está la cueva de Ali Babá”. [Read more…]

Não te Prives: Marcha contra a Homofobia

Manuel Alegre e Marcha católica dos passadistas

Hoje 31 de Janeiro começaram no Porto as comemorações do centenário da Republica, implantada em 5 de Outubro de 1910. Ali, falaram em sessão oficial o Primeiro Ministro e o Presidente da República.
Mas o mais interessante foi o discurso proferido por Manuel Alegre, num almoço de confraternização, onde disse que não era candidato de “nenhum partido”, que não era “salvador da Pátria”, que não ia interferir na governação quotidiana do Governo e que ia exercer a sua “magistratura de influência”, tã necessária, durante a crise.
Não deixou tambem de referir os jovens, para quem o futuro muitas vezes parece comprometido, mas falou também das “minorias”, o que é importante, e não deixou de referir a importância de Portugal na União Europeia.
Falou sobre as contas públicas que oneram o futuro do país e lembrou que Portugal precisa de um “projecto novo”, que lhe dê futuro.
Passamos agora para um outro tema que está a fazer a cobertura dos midia e que é o anuncio da manifestação promovida pelos antigos anti interrupção da gravidez e que nessa altura já anunciaram o colapso da familia, de que agora querem desfilar em Lisboa, no dia 20 de Fevereiro, em prol da “salvação da familia”, com a benção da Igreja, ou seja, anunciar outra vez mais do mesmo.
Já em Espanha, foi ensaiado também este modelo, aquando dos casamentos com Zapatero, e fracassou. Agora, vai ser reptido cá.
A defesa da famíla que esta manifestação propõe não é a da familia tal como deve ser hoje, com reconhecimento dos direitos da Mulher, no trabalho e em casa, e da paridade no casal. Não é a reivindicação para que se dêem aos jovens casais mais meios para poderem planificar o seu futuro familiar de forma independente, para que as mulheres tenham um papel igual aos homens na sociedade, e os homens em casa partilhar com elas os múltiplos afazeres domésticos.
Nada disso!                                                                                                                                         
É só para impedir o alargamento de um direito civil, o dos casamentos dos homens e mulheres.