O meu voto de confiança

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E no entanto, nem todos andamos cá para ver andar os outros, e aprender a fazer como eles (sem pensar) fazem. Muitos escutam a sua humanidade pedir-lhes o que profundamente é no que a constitui: um anseio, que requer a caminhada – descoberta, conquista, chama-lhe o que quiseres. A maioria desses caminhantes são jovens, pessoas a quem contudo normalmente se atribuem todos os defeitos herdados dos pais, como se o Mundo que lhes é dado a viver nada lhes trouxesse, não os confrontasse, como se fossem apenas os genes de que são a reprodução mais recente. Alguns desses jovens viajantes que não querem já saber dos carros e das casas (que o desemprego que lhes destinam torna de qualquer modo inalcançáveis) fazem-se hoje portugueses noutros lugares.

Cruzei-me há dias com uma jovem estudante que quer cumprir a sua vocação e ser médica – ser médica pelas razões certas e eternas que fazem da medicina uma missão. Como o jornalismo o é, ou o ensino, e também a política, apesar de tudo aquilo a que assistimos e que nos é oferecido como normalidade. Gostaria de ser médica, essa médica, em Portugal, onde é tão precisa. Mas receia não aguentar a pressão, os sistemas informáticos de gerir pessoas ainda demasiado centrais no processo curativo, e ainda cheios de deficiências e de rigidez, sem espaço para a diferença (a singularidade que cada ser humano é), reproduzindo o que acontece na organizações, onde as pessoas competem pela sobrevivência e pelo poder, e onde a diferença não serve, não cabe.

Vi nessa estudante de medicina, como em muitos mais jovens que vou conhecendo, a visão desse mundo em mudança, dentro da cabeça dos mais novos, em gestação rápida que os tempos vão velozes, um mundo a nascer e que se construirá sem dúvida contra aquele que hoje decai alegremente, perante a indiferença de tantos para quem a injustiça é uma espinha de engolir.

O lugar da mulher é ao fogão

Não há mulheres na política chinesa porque o seu lugar é ao fogão“. Este título chama a atenção a qualquer mulher.

“Quanto mais se sobe na hierarquia política chinesa, mais a  presença das mulheres se torna rara. No Comité Central do partido apenas 6% dos membros são mulheres; no Bureau político, um órgão de 25 elementos, há apenas uma mulher; o Comité Permanente (o mais poderoso na hierarquia) nunca integrou uma mulher.”

Mas Mao Tsetung disse que elas são “metade do céu”!!!!!

O nosso lugar já não é ao fogão. Nunca foi. Embora eu escreva muitos posts com o computador sobre o micro-ondas!!

 

Património na sucata

Leio no Público de hoje o que é tipicamente português: o abandono do património.

Estão abandonadas seis máquinas (locomotivas a vapor) na estação de Gaia: há 40 an0s expostas aos elementos.

Estes veículos fizeram história. Duas delas, dos anos 20, foram entregues a Portugal como indemnização da I Grande Guerra. Outra foi construída na Suiça em 1916 e circulou em praticamente todas as linhas de Portugal. Estes 3 exemplares arriscam-se a “rumar à sucata”.

Ou temos que esperar que venham mais uma vez os holandeses para nos restaurar as locomotivas? Em 2010 recuperaram o Comboio Real para o exibir com toda a admiração em Utreque, tendo sido vedeta no respectivo museu ferroviário numa exposição que decorreu em Setembro daquele ano e onde se puderam apreciar carruagens reais de toda a Europa.

Do Pecado

Bosch.

Hieronymus Bosch. H.á um livro de uma jornalista espanhola, a casa dos sete pecados, um romance histórico sobre o pecado, desejo, morte, traição. Bosch aparece por razões evidentes. Segundo o protagonista, Felipe II, “Ninguém melhor que ele sabe plasmar numa imagem a verdadeira essência da redenção dos homens”. Eu diria mais. Ninguém melhor que ele sabe plasmar a verdadeira decadência humana. Não se enganem, os quadros de Bosch têm pouco a ver com o Renascentismo. São quadros da Idade Média combinados com as novas técnicas do Renascimento.

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Justiça Americana

Fartei-me de rir com o que aconteceu com Strauss Kahn. Onde estão todos aqueles que diziam: “ah os americanos são tão bons porque tratam todos da mesma maneira”? Inocente ou não, ainda não se sabe no fundo, a verdade é que estas presunções – estes julgamentos em praça pública -enfeitadas com algemas e fotógrafos e homens sem gravata, pálidos e desgrenhados, são um dos grandes problemas da Justiça.