Se o Kim Jong deixar as mulheres conduzir

e continuar a tratá-las como objectos sem direitos, o Ocidente também aplaude? Ou será que tal louvor se aplica apenas a ditadores produtores de petróleo?

Igualdade de género e censura

Na Constituição da República Portuguesa, a palavra “mulher” aparece cinco vezes, duas das quais em Artigos a ela especialmente dedicados. A primeira é no Artigo 59º, onde está escrito que incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente “A especial protecção do trabalho das mulheres durante a gravidez e após o parto”. A segunda é no Artigo 68º, o qual estabelece que  “As mulheres têm direito a especial protecção durante a gravidez e após o parto, tendo as mulheres trabalhadoras ainda direito a dispensa do trabalho por período adequado, sem perda da retribuição ou de quaisquer regalias”. A palavra “homem” aparece duas vezes, nenhuma das quais referindo questões específicas do género masculino. A palavra “cidadão” aparece oitenta e nove vezes. Até nisto a Constituição está bem feita. Ela “sabe” que todos os cidadãos, independentemente do seu género, são iguais ante a Lei, mas que as mulheres devem ser alvo de uma atenção especial, por via de uma natureza também especial que as define e as distingue dos homens: gestam, dão à luz e são mães.

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«Science: it’s a girl thing!»… será mesmo?*

Science- it's a girl thingEm 2012 a União Europeia lançou uma campanha de três anos com o título ‘Science: it’s a girl thing!’**. Só a circunstância de existir uma campanha específica que pretendia demonstrar que o trabalho científico pode ser, e é, também realizado no feminino, demonstra que estamos longe, neste domínio como em muitos outros, tanto na esfera profissional como na esfera pessoal, da igualdade de oportunidades, consagrada na legislação de muitos países, incluindo Portugal. De facto, em 2012, as mulheres representavam 46% dos doutorados na União Europeia. No entanto, apenas 33% das mulheres trabalhavam como investigadoras e só 20% se encontravam em cargos de topo da carreira académica. Apenas uma em cada 10 universidades da União Europeia tinha tido alguma vez uma mulher como reitora. Ou seja, apesar de as mulheres serem tão qualificadas como os homens elas continuavam (e continuam, três anos passados) a estar amplamente sub-representadas na investigação, na academia e muito particularmente nos lugares de topo das carreiras académicas e nos órgãos de poder e decisão das instituições de investigação e ensino superior. [Read more…]

A alta sociedade do Vaticano

Vaticano

Portanto a coisa funciona assim: mulher alguma se pode apresentar perante Sua Santidade vestida de branco. Excepto se for rainha ou princesa católica. Nesse caso, a regra deixa de existir a as sete senhoras elegíveis para este tratamento de excepção são imunes ao diktat da Santa Sé.

Não deixa de ser irónico (e ridículo) que uma religião que pregue a igualdade dos seres humanos tenha uma regra tão estapafúrdia. Tão absurda. Tão discriminatória. Mas tem. No que diz respeito aos trapinhos que cada uma pode usar na presença do Papa, existe a alta sociedade e a ralé. As duas castas da indumentária. [Read more…]

Cancro da Mama, um dos grandes flagelos do século XXI.

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Uma excelente notícia, sobretudo para as mulheres, mas também para as famílias que têm no papel da ” Mãe ” o seu grande pilar e equilíbrio. As famílias que passaram por isto percebem e sabem bem do que falo.

Sala de espera

Sento-me entre estas mulheres, eu que apenas espero por quem há-de sair, como se partilhasse a angústia delas, uma mais entre elas, na sala de espera, eu tão vestida –  de roupa, de palavras, de artifícios -, elas nuas com a sua roupa coçada, os seus gestos bruscos, o seu cansaço de muitos anos. Mulheres castigadas, que até da doença se sentem culpadas, que se deitam para que um médico as toque como se assim se rebaixassem, que sentem o corpo como algo que lhes não pertence mas do qual devem sentir vergonha. [Read more…]

Taberneiras

Sabemos que nos aceitaram quando as mulheres da casa nos tocam no ombro ou nos enlaçam pela cintura. São mulheres duras, calejadas, resmungonas, e nunca desbaratam os seus afagos por cálculo ou hipocrisia. Podem chamar-te “meu amor” quando te perguntam o que vais querer jantar, porque as palavras valem o que valem, mas só te tocam se tiveres vencido as barreiras que elas mesmas levantaram. A partir desse dia, és da casa.

E como és da casa, ouves catarses. Cenas de gajas, gritarias, uma garrafa de cerveja atirada ao chão, logo se disfarça dizendo que escorregou. Insultos trocados entre cozinha e balcão, mas também risadas insolentes e piadas à custa dos engatatões. Mulheres frustradas, que não estão a ir para novas, e que do amor só conheceram a traição e o bafo de vinho. Têm o coração amarrado, castigadinho com cordas para que não as meta em apuros, e gostam de comentar, com um sarcasmo que nunca chega a ser cruel, as paixões das novatas. Consolam a amiga que veio ver se o homem estava a emborcar ao balcão, e se ele vier, se ele aparecer, hão-de servir-lhe só um copo, mesmo perdendo de vender, e mandá-lo para casa com um empurrão porta fora. [Read more…]