Sob Vinte Centavos

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Um olhar sobre o lento despertar da sociedade brasileira em formato de documentário acerca das manifestações ocorridas em São Paulo em Junho de 2013.

Outono Vermelho

Vermelho

Eles estão impacientes. A máquina de propaganda era uma das mais fortes e bem oleadas de que havia memória, a estratégia de se fingirem de mortos resultava a ponto de haver quem não soubesse que o PàF era afinal uma coligação entre o PSD e o CDS-PP, os trambolhões da campanha do PS faziam a sua parte e algumas sondagens chegavam mesmo a atribuir maioria absoluta às tropas de além-Troika. A coisa não correu como esperado mas nem tudo estava perdido. Não seriam os primeiros a governar com maioria relativa. [Read more…]

O dilema de António Costa

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De politicamente acabado há uma semana, António Costa é agora quem baralha e dá. Cavaco bem pode correr a indigitar o afilhado mas sem o PS, a coligação PàF fica refém de um Parlamento hostil, restando-lhe ser cozinhada em lume brando até ao dia do seu “PEC IV”. Não deixa de ser absolutamente delicioso ver Passos Coelho na posição que já foi de Sócrates, ele que não perdia uma oportunidade de trazer o preso domiciliário para a campanha. Karma.

Ainda assim, António Costa e o PS encontram-se perante um dilema. Qualquer escolha acarretará riscos e um deles é efeito PASOK. No xadrez do Largo do Rato, afiam-se facas e as peças começam a movimentar-se. Sérgio Sousa Pinto demitiu-se, em protesto, da comissão política. Vera Jardim não vê diálogo possível à esquerda. Álvaro Beleza acha “muito estranho que o PS passe de inimigo para aliado do PCP e BE”. Há seguristas – sim, eles existem – a pressionar uma negociação com o PàF com vista a viabilizar o OE16 e até Carlos Silva, líder da UGT, afirma não acreditar que as forças à esquerda do PS garantam a estabilidade necessária. À revelia dos órgãos sociais da central sindical. Direita, volver. [Read more…]

Será que percebemos aquilo que está em jogo?

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Um relatório da OXFAM tornado público na semana passada revela, entre outros indicadores esclarecedores sobre a situação de assalto global a que continuamos a assistir, que um imposto de 1,5% sobre as fortunas dos 1654 bilionários que existem no planeta em 2014 – há 5 anos eram “apenas” 793, menos de metade, mas as crises financeira têm destas coisas – resultaria numa colecta de 74 mil milhões de dólares o que, nas contas da organização, seria “dinheiro suficiente para preencher as necessidades de financiamento para pôr cada criança na escola e para introduzir serviços de saúde nos países mais pobres do mundo“.

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O futuro começa aqui

+dP

Sopram ventos de mudança.

Sinto-o em mim. Sinto-o no corpo. Sinto-o na pele. Sinto-o na mente. Sinto-o na natureza que me rodeia. Sinto-o na população exaurida, derrotada, ansiosa por um novo país.

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Incompetência

incompetência

Não sei se sou eu que tenho menos paciência ou se a incompetência à minha volta está mesmo a aumentar. Até em empresas que eu sempre considerei trabalharem bem e de forma profissional, empresas que deram cartas nas áreas em que trabalham, agora se encontra frequentemente vários exemplos de incompetência.

Creio que é mesmo um sinal dos tempos. Falta brio profissional, falta empenho, falta vontade de fazer mais e melhor. Da mesma forma que as pessoas se acomodam a políticos de chacha, que se limitam a conversas da treta, também se acomodam a ser simplesmente medíocres. As coisas vão-se fazendo sem grande interesse em que sejam bem feitas, afinal ganha-se tão pouco, para quê grandes preocupações? [Read more…]

O meu voto de confiança

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E no entanto, nem todos andamos cá para ver andar os outros, e aprender a fazer como eles (sem pensar) fazem. Muitos escutam a sua humanidade pedir-lhes o que profundamente é no que a constitui: um anseio, que requer a caminhada – descoberta, conquista, chama-lhe o que quiseres. A maioria desses caminhantes são jovens, pessoas a quem contudo normalmente se atribuem todos os defeitos herdados dos pais, como se o Mundo que lhes é dado a viver nada lhes trouxesse, não os confrontasse, como se fossem apenas os genes de que são a reprodução mais recente. Alguns desses jovens viajantes que não querem já saber dos carros e das casas (que o desemprego que lhes destinam torna de qualquer modo inalcançáveis) fazem-se hoje portugueses noutros lugares.

Cruzei-me há dias com uma jovem estudante que quer cumprir a sua vocação e ser médica – ser médica pelas razões certas e eternas que fazem da medicina uma missão. Como o jornalismo o é, ou o ensino, e também a política, apesar de tudo aquilo a que assistimos e que nos é oferecido como normalidade. Gostaria de ser médica, essa médica, em Portugal, onde é tão precisa. Mas receia não aguentar a pressão, os sistemas informáticos de gerir pessoas ainda demasiado centrais no processo curativo, e ainda cheios de deficiências e de rigidez, sem espaço para a diferença (a singularidade que cada ser humano é), reproduzindo o que acontece na organizações, onde as pessoas competem pela sobrevivência e pelo poder, e onde a diferença não serve, não cabe.

Vi nessa estudante de medicina, como em muitos mais jovens que vou conhecendo, a visão desse mundo em mudança, dentro da cabeça dos mais novos, em gestação rápida que os tempos vão velozes, um mundo a nascer e que se construirá sem dúvida contra aquele que hoje decai alegremente, perante a indiferença de tantos para quem a injustiça é uma espinha de engolir.

A mudança já começou

“Acordai”, Porto – Foto: Renato Roque

Interessa-me pouco a contabilidade dos números do 2 de Março, não atino com metros quadrados nem sei contar multidões, e muito menos me interessa enveredar pela redução das gentes a item contabilístico, uma das pechas dos que foram eleitos para governar o país.

Podemos ter sido mais cem mil ou menos cem mil. Fomos mais do que a 15 de Setembro último, quando houve quem quisesse ler no protesto pouco mais do que a rejeição de uma medida concreta, o aumento da TSU. E não fomos apenas os precários “à rasca”, este não foi só o protesto de uma geração. O que se ouviu a 2 de Março foi o grito uníssono do povo português, de gente muito diferente entre si mas que tem em comum a revolta contra aquilo em que o país foi transformado.

Um governo, para além de legitimado pelo voto dos cidadãos, deveria assentar na honradez de quem dele faz parte. Talvez esta frase produza um sorriso irónico em quem a lê, e isso é já um triste sinal. Mas creio que, se ao fracasso de todas as políticas (até dentro do PSD já não faltam as vozes a apontar o dedo à incapacidade de Vítor Gaspar acertar numa previsão), se junta a insatisfação do povo, um governo composto por gente honrada e bem-intencionada resignaria e daria novamente ao povo o direito de escolher. Tampouco se limitaria a depor no cepo a cabeça de Vítor Gaspar, até porque a máxima responsabilidade será sempre do primeiro-ministro, a menos que se ele tenha tornado inimputável. Mas este é o mesmo governo que tem posto repetidamente em prática aquilo que, em período de campanha, jurou nunca fazer, e quanto a honradez estamos conversados. [Read more…]

Acertar ponteiros

Neste passado Domingo perdeu-se mais uma oportunidade de melhorar a coesão nacional: os Açores foram obrigados a atrasar uma hora tal como Portugal continental e a Madeira. Ou seja continuam atrasados uma hora em relação ao resto do país. Não é justo.

Claro que pode usar-se o argumento dos meridianos e tal e coisa, mas não deixa de ser uma oportunidade perdida.

Aforismo caseiro dedicado ao Primeiro-Ministro

Não há base mais sólida para a mudança do que a ruína.

Mudam-se os tempos…

Pois é, pois é, isto com as evoluções tecnológicas dá para apreciar como os tempos vão mudando. Ainda se vivia na ilusória bonança e lá se exibiam as engenhocas – cujo nome chique é “gadgets” – que fascinam grande parte dos consumidores. A mim fascina-me antes a evolução das nomenclaturas, ao sabor dos tempos: já foram “aipodes”, passaram a “aipedes” e, quem sabe, se os próximos não serão “aitroika” ou “aifoge”.

A ver vamos…

Agricultura e tempo – parte II

A ruralidade actual combina formas antigas e modernas de trabalhar a terra, incluindo cursos para ensinar agricultura e criação de cooperativas para a produção de leite, único e actual objectivo nas ruralidades da Galiza, Astúrias e outros locais de outros continentes que tenho estudado. É o caso dos Picunche, clã da Nação Mapuche que habita na República do Chile. Convivi com eles desde os anos 90 do século passado. Os Mapuche chegaram da Argentina há mais de seiscentos anos. Por ser um grupo agrafo não há registos da sua história. Apenas dispomos dos relatos dos Frades Jesuítas que tomaram conta do clã, ensinando-os a ler, a escrever e a trabalhava na agricultura. A nação Mapuche vivia da caça de animais do mato, como o huemul, a vicunha, os guanacos. Estes últimos defendiam-se do ser humano cuspindo uma baba peganhenta. Não obstante, a sua carne era utilizada na alimentação e a sua pele usada como roupa de agasalho. O frio era intenso no inverno e o verão muito quente.

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A Mudança

A tão falada mudança política, pelo traço de Fernando Saraiva.

Vira Vira

Dedicado ao Centrão que nos tem (des)governado há décadas, nestes dias de tanto fervor de mudança, sempre a jeitos de “vai de roda” como é típico do nosso rotativismo do poder.

Sábias e premonitórias palavras para o nosso país, as do refrão da canção “Vira Vira” dos Mamonas Assassinas:

“Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda,
E ainda não comi ninguém!”

Entre o ser e o estar

Em 1994, Vicente Jorge Silva baptizou os estudantes universitários de então de “geração rasca”. Aconteceu num editorial do Público, em plena luta estudantil contra a Ministra da Educação Manuela Ferreira Leite, por causa das propinas.
Ironia do destino, a classificação da autoria do então director do jornal Público, serve agora, com a devida correcção, para avaliar o que se fez a este país e às novas gerações.
Tanto quanto se sabe, a geração que estudava em 1994 não dominou os partidos políticos, os órgãos do poder, a banca ou que fosse. Não foi ela a responsável pelo desgraçado ponto a que o país chegou.
A outrora geração rasca e as novas gerações, passaram a estar, sim, à rasca. E essa diferença entre ser e estar, resulta da constatação evidente que muita diferença há entre a presunção e a água benta. [Read more…]

Mudanças

(adão cruz)

Casa nova, por sinal bem bonita e arejada. Hoje, quando fui ao Aventar, tive aquela sensação que se tem quando se muda de casa. Salas diferentes, cozinha e quartos diferentes, vistas diferentes. Pareceu-me, no entanto, que esta mudança se deu dentro do mesmo quarteirão, dado que os vizinhos são, praticamente, os mesmos, o que muito me alegrou porque a sensação de mudança torna-se, assim, mais suave. [Read more…]

o crescimento das crianças-6ªparte-I-ontem e hoje

Mapuche e o clã Picunche marcham em protesto da perseguição Huinca

O que é uma criança? É todo ser que cresce entre o nascimento e a puberdade Já estava definida e, outros textos meus, com as citações que academia manda um intelectual fazer. Quer no meu O saber das crianças (1996), quer no meu Imaginário das crianças (1997), tive especial cuidado de dedicar ideias para delimitar o campo da pesquisa. Que tinha já sido definido no meu A construção social do insucesso escolar (1990b), esse esgotado livro que é muito procurado. Como em outros textos. Gostava acrescentar á minha tradicional definição, de que todo ser humano é criança em certos aspectos das suas relações, em quanto é adulto em outras. E ao contrario. Porque há campos do comportamento que sabemos, e campos da interacção no qual estamos menos desenvolvidos. Percebe-se de que um adulto é um ser crescido em corpo e em idade, capaz de reproduzir. E com as suas emoções bem definidas e detalhadas e

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as minhas memórias do ISCTE, hoje IUL

Edoficio Antigo do ISCTE

Construido nos anos 70, hoje são mais de quatro prédos imensos

Convidado pelo Instituto de Ciências da Fundação Gulbenkian, apareci em Portugal, pela primeira vez na minha vida, em Dezembro de 1980. Vinha da Universidade de Cambridge, onde fiz os meus graus, até ser Doutor e Agregado. Ainda sou membro do Senado dessa Britânica Universidade, na qual, actualmente, trabalham a minha filha mais nova e o seu marido. Não sabia Português, mas conhecia profundamente o Galego. Tentei falar em língua luso-galaica, mal entendida entre luso – portugueses. Mudei de imediato para o inglês, a minha melhor língua, por estar relacionado com a Grã-bretanha desde os meus vinte anos (sou casado com uma inglesa e as minhas filhas são britânicas).

Mal soube o ISCTE da minha visita, vários membros do Instituo Gulbenkian, também docentes no ISCTE, convidaram-me para a “Escola”, como era chamado, e ali proferi uma conferência, no único anfiteatro dos anos 80 do Século passado. Foi necessário falar em luso-galaico e castelhano: os discentes não sabiam inglês, como vários docentes. As minhas palestras versavam sobre a vida rural; a Antropologia Social e histórias de povos denominados primitivos, elo da nossa ciência, especialmente sobre os seus mitos e ritos. O auditório ficou, penso eu, fascinado ao ouvir falar de povos estranhos (não africanos) e dos seus costumes, comparados com povos europeus que eu tinha analisado, durante anos, na Escócia, em França, na Galiza e os nativos do Chile. Enquanto contava histórias, ia teorizando. Os cientistas sociais gostaram da minha análise da família, todos Sociólogos, Advogados ou Gestores, para estes últimos referi especialmente como eram feitas as contas, pesos e medidas, entre etnias como os Tallensi, os Lo-Dagaba e os Lo-Wiili da antiga Costa do Ouro, hoje Ghana, e as dos Incas do Peru que para contarem fazem nós numa corda, enquanto os Mapuche do Chile [Read more…]

Flat tax de 25% para sair da crise!

Em 07.06.2010 o Prof. Dr. Dres h.c. Paul Kirchof*, ex-juiz no Supremo Tribunal Constitucional Federal alemão e actual professor catedrático da Faculdade de Direito Fiscal da Universidade de Heidelberg, deu uma entrevista à SPIEGEL ONLINE. Na entrevista voltou a apresentar a sua proposta de 2005 para uma taxa plana (flat tax) de 25 por cento para todos, como um importante contributo para a saída da crise. Ontem escrevi-lhe uma cartinha que abaixo passo a traduzir.

Rolf Dammher

* http://www.bcsdportugal.org/files/518.pdf pág.23

“Quem apelar à fantasia e à mente do homem, vencerá aquele que tenta apenas influir sobre  razão”. Frederico II (O Grande) da Prússia

Exmo. Sr. Kirchhof,

Senti uma grande alegria quando li recentemente em SPIEGEL ONLINE que não desarmou e que continua a postos com a sua excelente e prometedora proposta de uma flat tax. A postos, para o momento quando aos nossos protagonistas de políticos e administradores de declínio se lhes acabar de vez a esperteza. Não deverá faltar muito até isso acontecer, a não ser que se tente ir até ao fim amargo, arriscando mesmo que o poder caia na rua. Neste caso será o caos.

Em 09.02.2005 tinha mencionado o seu modelo fiscal prometedor, com estofo para um grande efeito libertador, no meu artigo „Como sair da crise — uma abordagem diferente“, publicado no „Semanário Económico“. Precisamente como parte de uma estratégia sistémica-holística – princípio de solução de problema – que poderá contribuir de forma decisiva para que os nossos sistemas sociais – Alemanha, UE, etc. – voltem a ficar com os pés na terra. Aqui um pequeno excerto:

“(…) Para elucidar a situação, vejamos o exemplo do Prof.Paul Kirchhof que foi designado para futuro ministro das finanças pelo CDU/CSU alemão, caso este partido venha a ganhar as eleições antecipadas de 18 de Setembro. Ele identificou o tal “factor central” a eliminar, no actual estatismo pululante, em combinação

com uma legislação fiscal asfixiante. Consequentemente, postula, além de uma radical simplificação do IRS/IRC, a introdução de uma “flat tax” de apenas 25% para todos, a par do corte de todos os subsídios e esquemas legais de fuga ao fisco. Assim, segundo Kirchhof, serão libertadas as energias sociais que hoje nos faltam (…).

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maçãs, bravas, esmolfe

os amores são como o vento

 

Namoro, ele e ela em procura da igualdade

 para Maria da Graça

O título precisa  uma certa certa definição. Amores há muitos e de diversas maneiras. Há o amor à Mãe, há o amor à Pátria, há, finalmente, o amor à Humanidade, e dentro de Humanidade, há o amor personalizado. Esse amor a dois, que é nosso melhor alimento espiritual e que dá força para continuar a vida.

Vivemos num país de brandos costume, como é denominado Portugal, que causam estragos se nós sabermos por não saber precaver situações de alto risco. Apenas durante estas duas passadas semanas, tivemos uma hecatombe na Madeira, como já comentara num ensaio anterior; a seguir, e por esse descuido, o Chile ficou de joelhos: nem partido nem quebrado, mas sim, dobrado. Faz dos dias antes desta data, a Turquia ficou de rastos. O que segue, não é sabido. Quem nos dera sermos bruxos ou uma divindade qualquer. Conheceríamos assim o futuro e aprenderíamos a gerir o presente.

Mas o presente tem um senão. Especialmente em amores privados. O homem quer mandar, assim foi habituado desde a sua mais tenra infância, e não consegue suportar o machismo crescente da mulher. Pelos menos, na minha geração que não a dos mais novos: novos são meus netos que, a todo minuto, devem começar a namorar, especialmente o mais velho, que neste Junho faz dez anos. A sua pequena irmã de sete, já pretende ter sedutores, porque imita a mães que é linda como o sol, sabe que é assim e, sem se exibir, aceita com paciência as simpatias dos seus colegas e compatriotas holandeses e ingleses. Tomás segue os passos do pai, que está sempre a trabalhar no seu Museu da Insurreição, que bem dirige. É um genro de bom feitio e lindo, como o seu filho, meu neto. Nem um nem o outro, reparam se são pretendidos ou não, não têm vaidade, não se exibem. [Read more…]

Uma mulher corta o cabelo

Talvez inquietada pelo comentário do Miguel Dias, fui cortar o cabelo.

A esperança que uma mulher deposita num corte de cabelo chega a ser comovedora. E se a operação inclui mudança de cor, então estamos a falar de um processo de quase transmutação.

O Francisco corta-me o cabelo há uns dez anos, e não precisa de grandes explicações. Basta um “não sei, queria assim qualquer coisa mais… curta” e por um processo químico, mediúnico, de metempsicose ou coisa do género, consegue decifrar, mais do que aquilo que eu quero, aquilo de que preciso.

Temos longas conversas ético-filosófico-morais enquanto a tesoura dança certeira sobre as pontas do cabelo e eu espreito, com uma inquietação que já sei disfarçar, a frenética chuva de cabelos que vai caindo sobre o chão. [Read more…]

Mudança Apetecida

.MUDE DE PLANETA

O nosso País está tão podre, tão cheio de ladrões, tão desfeito, tão sem norte e quase à morte, que sinto que preciso de partir para longe, e, a partir, só me apetece ir para aqui.

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