Prepotência em defesa do modelo neoliberal

De 10 a 13 de Dezembro terá lugar a 11a Conferência Ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio), em Buenos Aires, Argentina (a primeira vez na América Latina). Como em todas as anteriores, está prevista uma forte presença de centenas de organizações da sociedade civil que, com manifestações, workshops e debates protestam contra a dominância dos interesses económicos de poderosos bancos, fundos de investimento e multinacionais nesta organização que visa a liberalização e desregulação dos mercados e a privatização de bens públicos. A contradição entre os objectivos de sustentabilidade globais da UN e o desregulamento comercial multilateral é varrida para debaixo do tapete, o combate à pobreza não tem lugar na agenda.

Desta vez, e pela primeira vez na história da Organização Mundial do Comércio, o Governo do país anfitrião, chefiado por Mauricio Macri, decidiu à última hora revogar as credenciais de dezenas de activistas e observadores da Europa, Ásia, África e da América Latina que tinham já obtido a sua acreditação junto da Organização Mundial de Comércio, impedindo-os assim de participar e recusando-lhes a entrada no país. Obviamente, está-se perante um grave precedente em matéria de relações internacionais e de uma violação dos termos do acordo com o país anfitrião que, conforme numerosas ONGs exigem, não pode ser aceite pela OMC.

Sem sequer apresentarem razões formais para a revogação das credenciais aos representantes das ONGs, as autoridades argentinas alegaram no entanto “preocupações de segurança”, devido a “incitação à violência para gerar caos” supostamente ocorridas nas redes sociais. [Read more…]

Dambisa Moyo, a voz que enfrenta Bob Geldof

A “indústria” dos benfeitores crónicos da África lutará com furor para defender os seus interesses criados em muitas décadas. Até se lhe acabar o dinheiro. E depois haverá nova esperança para este continente, com microcréditos e no sentido do meu esboço estratégico New Deal.

Rolf Dohmerer


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O seu nome é Dambisa Moyo, uma jovem economista zambiana que estudou nas Universidades de Harvard e Oxford estando actualmente a trabalhar na Goldman Sachs, um dos maiores Bancos de Investimento do mundo. Ela acaba de publicar um livro intitulado Dead Aid, em contraposição ao Live Aid liderado por Bob Geldof.

Dambisa Moyo defende no seu livro o fim das ajudas financeiras dos países ricos para o continente africano. Esta posição defendida por Dambisa Moyo não é nova pois já foi defendida por outros economistas africanos porém nunca ganhou a notoriedade e o protagonismo mediático, como agora, com esta jovem economista zambiana, considerada recentemente pela “Time Magazine” como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo.

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A propósito dos temas de hoje: Brasil e animais (sendo que nesta história só há animais de plástico)

Acho que foi em 2003 ou 2004 que fui para S. Paulo colaborar num projecto social, dinamizado por voluntários humanistas. O projecto estava em curso, não era a primeira viagem que se fazia e eu fui encontrar uma equipa de jovens promotores brasileiros que tinha já actividades em marcha na cidade. Pouco antes da minha partida, tinha-se juntado à equipa paulistana (“paulista” usa-se, aprendi na altura, para os que são do estado de S. Paulo) um jovem filho de imigrantes japoneses com muita experiência de colaboração com organizações não governamentais (que os brasileiros pronunciam “ongue”). Aliás, fazia disso profissão, a prestação de serviços às ONG. De certa forma, ele tinha-se colocado como orientador desse grupo de voluntários uma vez que era o mais experiente. Como as reuniões de trabalho eram animadas, toda a gente queria falar e opinar e sugerir, e nem sempre se conseguia gerir os tempos de maneira a que todos pudessem intervir, este nosso amigo decidira aplicar uma ideia que ele usava nas suas ongues. Certo dia levara para a reunião um porquinho mealheiro, que tinha sido um brinde publicitário de um banco que todos os brasileiros conhecem, e fizera-o circular pela sala.

Durante um período de tempo controlado pelo moderador (adivinhem quem), cada um ficaria com o porquinho nas mãos e apenas o guardião do porquinho poderia falar. Quem não tivesse o porquinho tinha de estar calado e esperar que o animal lhe chegasse. Claro que esta ideia, aceite no plano teórico, logo começou a revelar-se difícil de implementar. Quem não tinha o porco falava na mesma e, quando advertida, pedia o porco só por um instante para não cortar o raciocínio. Quem tinha o porco e era interrompido insurgia-se contra o desrespeito das regras e levantava o porco no ar para mostrar quem era o dono da palavra. No meio de tudo isto, o moderador passava um mau bocado até conseguir tirar o porco das mãos de quem não o queria soltar e pôr um pouco de ordem na casa. O porco também devia passar um mau bocado, disputado por todos, agarrado com demasiado ímpeto e soltado a custo. Talvez tenha sido uma imposição neo-colonialista mas lá conseguimos convencê-los a abdicar do porco nas reuniões e acabamos por trazê-lo connosco de volta para Portugal. Não sei qual o paradeiro do bicho mas creio que estará esquecido na gaveta de alguém. Essa viagem a S. Paulo e a que se lhe seguiu tiveram todos os lugares-comuns das viagens dos portugueses ao Brasil. Simpatia desarmante dos brasileiros, padarias de portugueses que nos perguntam se conhecemos o seu irmão que vive em Chaves, algumas quezílias a propósito do papel dos tugas nos problemas actuais do Brasil, feijão preto delicioso e péssimo café açucarado, chuva tropical, favelas encostadas aos arranha-céus em cujos topos pousam os helicópteros que transportam os ricaços da cidade. E no que a mim me respeita, o fascínio provinciano com aquela avenida paulista transbordante de uma energia que o velho mundo já não tem. O nosso amigo que tivera a ideia do porquinho não ficou muito mais tempo por ali, e suspeito que a retirada do porco deve ter tido a sua influência nesse afastamento. Depois de muito procurar, lá acabei por descobrir uma foto do bicho. Apresento-vos o porquinho da discórdia: