A maioria parlamentar e o salário mínimo

O adjectivo “mínimo”, numa expressão como “salário mínimo”, deveria servir para classificar um montante que permitisse a quem o recebe um mínimo de dignidade. Na realidade, tendo em conta o custo de vida em Portugal, sabemos que isso não é verdade.

Há dois dias, o arco da governação chumbou uma recomendação do PCP para que o ordenado mínimo passasse para 650 euros. As razões apontadas por esta gente, para quem país e cidadãos são compartimentos estanques, correspondem a jogos florentinos de quem está sempre do lado dos mais fortes.

O CDS, fiel à voz do dono, criticou a proposta do PCP, considerando que se trata de uma “prova de vida”, o que é sempre muito fofo da parte de um partido que se lembra de pensionistas e de agricultores em anos de eleições.

Pergunto-me o que leva as vítimas de sucessivos assaltos a dar maioria absoluta aos assaltantes, essa sim, uma geringonça com mais de quarenta anos.

Vítor Gaspar é contra a exploração de enfermeiros

Descobri, graças a uma das minhas leituras diárias, que Vítor Gaspar defende que é importante pagar bem a técnicos especializados, para evitar que estes sintam um “um desincentivo à aceitação de elevadas responsabilidade e exigências”.

É-me impossível estar mais de acordo e tenho, portanto, a certeza de que o ministro das Finanças irá procurar repor a justiça, sempre que verificar que haja profissionais diferenciados a serem pagos abaixo dos membros da Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública. Gaspar irá, certamente, começar pela situação dos enfermeiros contratados por valores inferiores ao do salário mínimo.

Pela parte que me toca, fico, também, a aguardar pelo fim de tanto “desincentivo”.