José Augusto Silva, uma “toupeira” muito acessível

Tem razão, o advogado Paulo Gomes, que representa José Augusto Silva no processo e-toupeira, quando afirma que existem neste país pessoas que recebem milhões de euros de corrupção sem que nada de particularmente grave lhes aconteça. Acontece que, se ficarem provadas as suspeitas que pendem sobre o informático que está no centro da tempestade vermelha e branca, o cliente de Paulo Gomes não se limitou a receber umas camisolas e uns bilhetes para o Estádio da Luz. Violou a lei e comprometeu processos judiciais em curso.

A confirmarem-se as acusações, José Augusto Silva não será um pobre inocente que recebeu umas camisolas e uns bilhetes por ser um adepto exemplar, como se de um simples bode expiatório se tratasse. José Augusto Silva terá usado a sua posição profissional e os seus conhecimentos informáticos para usurpar as credenciais da magistrada Ana Paula Vitorino, violar o segredo de justiça e aceder ilegalmente a dados de processos em curso, que colocam o SL Benfica numa posição extremamente delicada, entregando-os ao director jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves.

José Augusto Silva terá então subvertido o normal funcionamento da justiça, deixando-se corromper para o efeito, e isso, por si só, não é coisa pouca. E se a isto juntarmos o emprego que o SL Benfica deu ao seu sobrinho ou os vários convites para o camarote presidencial da Luz, por norma reservado às mais altas individualidades do desporto, da política e do mundo empresarial, fico com a sensação que a margem para dúvidas se reduz drasticamente.

É óbvio que precisamos de uma justiça mais competente, capaz de prender políticos, banqueiros e empresários corruptos, que os há em demasia neste país de compadrios. Mas se queremos um país onde a justiça funcione, não podemos tolerar que os seus funcionários vendam informação confidencial sobre processos em segredo de justiça a dirigentes desportivos corruptos, seja a troco de um milhão de euros, seja a troco de um bilhete para a bancada Coca-cola. E o mais grave no meio de tudo isto é perceber o quão barato pode ser corromper alguém com acesso privilegiado a informação tão sensível. Se é assim com processos relacionados com o futebol, imaginem como será quando o tema são falcatruas bancárias ou corrupção político-partidária.

Da podridão do futebol

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Quero começar por dizer que sou portista desde pequenino, que apoio os atletas do meu clube incondicionalmente e que tenho um grande orgulho por aquilo que o meu clube representa como um dos bastiões da luta contra o centralismo putrefacto que corrói este país. Tal não significa que seja cego ao ponto de negar o óbvio: que dirigentes do meu FC Porto incorreram em práticas condenáveis no passado e que não pagaram por isso, porque a justiça portuguesa ainda não tem a força suficiente para lidar com os poderosos, sejam eles dirigentes de futebol, políticos, banqueiros ou empresários. [Read more…]

Dakar – A Aventura Continua

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Desde miúdo que o Rally Dakar me fascina. Todos os anos acompanho a aventura através da televisão, sobretudo via Eurosport e agora pelo online. Em três diferentes alturas tive a sorte de ver ao vivo etapas do Dakar e o sonho de nele participar um dia ainda não desapareceu.

Pelo segundo ano consecutivo o piloto português Paulo Gonçalves (motas) teve uma atitude fantástica: parou a sua corrida para ajudar outros pilotos. Ontem foi a vez de parar para ajudar o vencedor do ano passado, Toby Price, que estava ferido fruto de uma queda que o levou a desistir. O Paulo Gonçalves ficou ao seu lado aguardando a chegada do helicóptero de assistência médica. Esta sua atitude levou a organização, a exemplo do ano passado, a descontar o tempo perdido no apoio a um companheiro e com isso o nosso piloto subiu de 11º para o 6º lugar.

Já escrevi no Aventar várias vezes sobre esta mítica prova do desporto automóvel. Ainda hoje tenho atravessada na garganta duas decisões da organização: o cancelamento do Lisboa-Dakar em 2008 e terem levado a prova para a América do Sul. Mesmo assim, continuo a seguir religiosamente a prova e todos os anos a acreditar que é desta que um português a vence. Este último sonho está a ficar como o outro que tenho de participar: cada vez mais difícil…

Os Novos Conquistadores:

O falso Dakar, ou seja, o Rally Argentina/Chile está a ser uma maravilha para os motards portugueses.

Logo no primeiro dia o Ruben Faria venceu mas uma penalização de um minuto (excesso de velocidade) atirou para o segundo posto. Ontem, o Paulo Gonçalves venceu e nos últimos dias o Hélder Rodrigues mostrou que está “con ganas” (hoje foi segundo). Mas o herói do dia foi mesmo o Ruben que volta a ser o mais rápido e venceu a difícil etapa de hoje.