Da arte de ser versátil ou de bem cavalgar toda a sela

 

Camiões com “ajuda humanitária” incendiados em território colombiano.

 

A política externa de qualquer país não se conduz através de comunicados ou anúncios públicos. Há mesmo ocasiões em que esses anúncios são instrumentos diplomáticos que servem para marcar posições de princípio opostas às acções e decisões que de facto estão a ser implementadas.

Posto isto, e verificando-se que está em marcha um plano de invasão da Venezuela, em violação do Direito Internacional e da Carta da Nações Unidas – organização actualmente presidida por um português -, espera-se que o governo de Portugal esteja, de facto, a agir de acordo com a legalidade, apesar da declaração de apoio a um auto-proclamado presidente que se comporta como um agente subversivo de terceira categoria, ao serviço do invasor e em violação ostensiva do Direito Internacional.

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Sobre o comportamento de cidadãos investidos em funções públicas

A política externa é uma das mais importantes vertentes do governo de qualquer Estado. É assim desde que há Estado e era assim mesmo antes de o Estado existir. A sua importância releva não apenas da evidência do mundo, lugar plural onde a humanidade evolui de acordo com as características do tempo, do lugar e do modo, mas também da necessidade de partilha, comunicação e construção que essa experiência traz, sendo isso, afinal, que toma o nome de civilização.
Depois de a política externa nascer de uma necessidade primária de convivência e conhecimento, ela dirige igualmente a troca, os momentos diversos onde se manifesta a influência que uns povos exercem sobre os outros e o modo como, necessariamente, defendem em face deles a sua própria visão do mundo e a estratégia de crescimento nele.

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Portugal, o que é isso?

Tenho visto em diversos países como Portugal trata mal (ou simplesmente não trata) a sua afirmação externa.

Em muitos lugares Portugal não existe sequer, ou, se existe, deve-o a fenómenos pontuais como José Mourinho, Cristiano Ronaldo – o futebol, portanto -, a um ou outro escritor como Lobo Antunes ou Saramago, a um ou outro cantor ( lá está o fado), a um ou outro filme – a cultura portanto – e aos emigrantes portugueses – sendo que estes representam um fenómeno menos pontual.

O recente encerramento de parte da rede consular portuguesa e o despedimento de professores de português espalhados pela europa vem agravar este cenário, seja ao nível da afirmação externa, seja na ligação ao país e à língua  dos descendentes da emigração portuguesa, seja nas implicações comerciais futuras (os emigrantes e seus descendentes, além de consumidores de produtos portugueses “lá fora”, são e poderão ser excelentes “colocadores” destes produtos nos mercados em que se encontram).

Dir-me-ão que o país não tem dinheiro para luxos (luxos?), que os sacrifícios tocam a todos, etc e tal. Talvez, mas, de novo, parece-me que não se ponderou bem o deve e o haver. Acho que o que se poupa é inferior ao que se perde, além de malbaratar todo o trabalho anteriormente realizado e, nestes casos, descontinuar é regressar à estaca zero. Isto, admitindo que alguma vez se vai retomar o que agora se destrói.

Eu não tenho nada a dizer

Como nunca me manifestei contra as relações económicas entre Portugal e a Venezuela (que está muito mais longe de ser uma ditadura do que a Colômbia ou as Honduras) nem contra que um primeiro-ministro promova netbooks assamblados em Portugal (ou se quiserem, Magalhães aqui montados), não tenho nada a dizer sobre o que Passos Coelho andou a falar com o governo do México ou sobre a visita de Paulo Portas à Venezuela. No caso deste último sempre ficamos a saber onde anda durante três dias, não tendo de fazer prova de vida, como o sr. Piça.

Mas isto sou eu. A direita que na oposição andou a fazer tiro ao alvo com metralhadoras pesadas é que deve estar furiosa. Já faltou mais para o governo cair nas sondagens.