Quando as elites nos tratam como canalha

Cristas

Não se trata de um caso isolado. É comum ouvir responsáveis políticos dirigirem-se aos portugueses com um discurso “infantilizador”, onde abundam expressões como “ter juízo”, a dicotomia do bom e do mau aluno ou o apelo à obediência autoritária sem direito a questões, não vá o corrupto de serviço mandar-nos de castigo para o quarto sem semanada durante 4 anos. As declarações de Assunção Cristas, a propósito da polémica da interdição da pesca da sardinha, este ano mais cedo do que em anos anteriores para desespero dos pescadores, é o mais recente caso em que um governante envereda por um discurso que nos remete para uma conversa entre uma mãe e o seu filho mal comportado. Para além do registo autoritário e grosseiro que o José Gabriel já aqui referiu, dizer que “se nós não nos portamos bem, se não cumprirmos aquilo que definimos por nós próprios e com o sector, corremos o risco de vermos de hoje para amanhã Bruxelas a determinar uma cota para a sardinha que certamente será mais penalizadora do que aquela que nós temos” surge em linha com o acima citado. Até porque, e façamos aqui um simples exercício, se retirarmos da frase a parte “se nós não nos portarmos bem“, a mensagem que a ministra pretende passar não perde sentido ou conteúdo. É exactamente igual. Mas existem hábitos que as elites não perdem, e o tom de superioridade face à plebe, esse, continuará a ser imagem de marca da casta. Até ao dia em que alguém a ponha de castigo também ou que a canalha passe de bicicleta, parta uns vidros e fure uns pneus.

A sardinha quer-se como a mulher

(Foto do "Super Receitas")

Diz o povo que “a mulher quer-se como a sardinha: pequenina”.

Pois eu prefiro a sardinha como a mulher: boa. E sardinha boa é coisa cada vez mais rara. Não sei se se passa o mesmo convosco, mas este ano só me tem caído no prato sardinha congelada, e em pleno S. João. Uma miséria.

S. João

(adão cruz - S.João - mais um 2010)

(Texto de Marcos Cruz)

S. JOÃO

João estava são, mas não tencionava ir ao S. João. Era uma contradição quase evidente, pois, no Porto, só não vai ao S. João quem estiver em má fase, morto ou doente. Mas João tinha uma explicação assaz convincente: o seu cão, pouco paciente, não lhe daria paz em noite tão exigente. Uma solução era deixar o cão na vizinha, mas esta, tripeira dos quatro costados, queria também ir à festa, e sozinha, sem atrelados. O que fazer, então? Das tripas coração? Talvez não. Afinal, o S. João não valia tanto, para o João, como aquele espanto de animal. No entanto, mais do que ninguém, estava o dono seguro de que quem troca o pão, mole ou duro, e a sardinha na brasa por passar, com o cão, em casa, um serão distinto, sem um grãozinho na asa, não sabe o que perde, pois como isso não há nada, nem o chouriço, o vinho, verde ou tinto, a martelo, nem a própria martelada. Bailarico popular é o S. João, e só ficam a ganhar os que lá vão. Foi já resignado à desdita que o João, acabrunhado, teve súbita visita de uma cantora de fado. Ainda ela lhe dizia que viera de Lisboa rever uma velha amiga mas não a tinha encontrado, logo o João, animado, deu corda à imaginação, pensando se não seria a sumida rapariga a sua vizinha do lado. Era mesmo, pois então, e foi em tom de cantiga que o bom do João propôs à querida fadista condição oportunista para lhe dar guarida até ao regresso da amiga: tomar-lhe conta do cão. Ela ficou convencida e, pronto, missão cumprida, lá foi ele, feliz da vida, cumprir também a tradição.

Certificações, Sardinhas e Não Só

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SARDINHA, GRANDE, GORDA, BOA E CERTIFICADA
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A partir de agora já nos poderemos orgulhar de pertencer ao restrito número de países que têm a sua sardinha certificada (são sessenta em todo o mundo).
Depois de cerca de dois anos de luta, conseguiu-se esse desiderato.
De hoje em diante, ninguém se poderá queixar da menor qualidade do nosso peixe. A nossa sardinha, grande, gorda, boa, certificada, estará sempre à mesa de nossas casas, fazendo parte dos pratos de eleição e de requinte.
A sardinha Portuguesa, será como nenhuma outra, procurada e contribuirá para a melhoria da situação económica do nosso País. [Read more…]