Quando as elites nos tratam como canalha


Cristas

Não se trata de um caso isolado. É comum ouvir responsáveis políticos dirigirem-se aos portugueses com um discurso “infantilizador”, onde abundam expressões como “ter juízo”, a dicotomia do bom e do mau aluno ou o apelo à obediência autoritária sem direito a questões, não vá o corrupto de serviço mandar-nos de castigo para o quarto sem semanada durante 4 anos. As declarações de Assunção Cristas, a propósito da polémica da interdição da pesca da sardinha, este ano mais cedo do que em anos anteriores para desespero dos pescadores, é o mais recente caso em que um governante envereda por um discurso que nos remete para uma conversa entre uma mãe e o seu filho mal comportado. Para além do registo autoritário e grosseiro que o José Gabriel já aqui referiu, dizer que “se nós não nos portamos bem, se não cumprirmos aquilo que definimos por nós próprios e com o sector, corremos o risco de vermos de hoje para amanhã Bruxelas a determinar uma cota para a sardinha que certamente será mais penalizadora do que aquela que nós temos” surge em linha com o acima citado. Até porque, e façamos aqui um simples exercício, se retirarmos da frase a parte “se nós não nos portarmos bem“, a mensagem que a ministra pretende passar não perde sentido ou conteúdo. É exactamente igual. Mas existem hábitos que as elites não perdem, e o tom de superioridade face à plebe, esse, continuará a ser imagem de marca da casta. Até ao dia em que alguém a ponha de castigo também ou que a canalha passe de bicicleta, parta uns vidros e fure uns pneus.

Comments

  1. manuel.m says:

    Quando as elites são burras

    Recebo regularmente o chamado “expresso curto”.
    Hoje, 25, foi a vez de Martim Silva, (certamente um portento do jornalismo luso), redigir a folha e a certa altura , a propósito da turbulencia nas Bolsas, fala do “quantitativo leasing”.
    Haja quem tenha a caridade de lhe dizer que provavelmente quereria dizer “Quantitative easing”, vulgarmente referido como QE.
    Pobre país….

  2. Filipe says:

    É uma das estratégias utilizadas pelas elites, tratar os comuns dos mortais como se fossem pessoas incapazes de perceber o quer que seja. Chomsky já dissertou sobre isso. E fale bem a pena ler, os filtros da comunicação.

  3. A.Silva says:

    Uma …

  4. joão lopes says:

    assunção cristas não aprendeu nada na catequese(ou por outra,aprendeu a arte da hipocrisia beta),mas aprendeu tudo(até o ar de sonsa é estudado) no mais poderoso escritorio de advogados de portugal:o morais leitão…

Trackbacks

  1. […] Repete os mesmos chavões, usa os mesmos soundbites, mete frequentemente os pés pelas mãos, prima por um discurso no mínimo infantil e é muito, muito chata. O oposto de Portas, que nunca despiu a pele de entertainer. Uma tola em […]

  2. […] episódios como ao do radicalismo do amor, da institucionalização da cunha ou do “tau-tau” que levaremos da UE se não nos portarmos bem. Palavras para quê? É a credibilidade da ex-ministra, a tal que assinou a resolução do BES de […]

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