PSP – Polícia Sonsa de Portugal

Ontem, quer à entrada, quer à saída do Campus de Justiça, mais de uma dezena de agentes da Polícia de Segurança Pública escoltaram José Sócrates, garantindo que o suspeito chegasse ao tribunal e saísse do mesmo em total segurança. No fim, José Sócrates foi sentar-se numa esplanada com outros quatro colegas (onde, pelas regras impostas, só podem estar quatro pessoas numa mesa, estavam cinco) e, aí, já não foi necessária a escolta da PSP.

Gostaria de perguntar ao Estado e à PSP o porquê das diferenças de tratamento entre cidadãos, consoante o estatuto, a carteira e a classe social: a diferença de tratamento que as polícias têm entre os poderosos e o cidadão comum é óbvia, é repugnante e é inconcebível. Porque é que a PSP protege os poderosos e persegue o cidadão comum?

É que em Portugal, para a PSP, vale mais a pena andar à caça da multa ou de uma grama de haxixe, perseguindo trabalhadores e/ou estudantes que nunca extraviaram ou mataram. Já os suspeitos de corrupção e de outros crimes de colarinho branco, são escoltados como se de bons samaritanos se tratassem. Como bons capatazes que são – eufemismo para paus mandados -, dirão “apenas cumprimos ordens”. Mete tudo muito nojo.

Deixo-vos com Peste & Sida.

Fotografia: Ana Baiao/EXPRESSO

A Conceição o que é de Conceição

Foto: @ojogo

Há muito tempo que deixei de discutir futebol com a camisola vestida, ou seja, falando de lances, de polémicas, de casos e casinhos. Dou sempre por mim, quiçá como todos, a entrar numa dimensão paralela no qual deixo de ser um ser racional e passo à irracionalidade. Em vez disso, prefiro discutir o jogo, a estratégia, os golos, as jogadas. E está tudo bem.

Mas as últimas semanas têm sido prolíficas, a propósito do futebol, em demonstrações do servilismo bacoco que grassa neste país, há demasiado tempo.

O primeiro caso foi a passagem do FC Porto aos quartos de final da Liga dos Campeões. A equipa “dos intervencionados” fez tombar o eneacampeão italiano, onde joga um dos melhores jogadores de todos os tempos, mas também uma daquelas personagens que provoca o tal servilismo de comentadores e jornalistas.

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Questão

Que PS é este?

Sócrates tem sido só o PM “socialista” de cariz neoliberal sem precedentes no seu partido.  Num pequeno país de economia frágil, ultrapassou largamente as derivas de Tony Blair, o grande autor do ‘New Labour’. As políticas de Sócrates, em 6 anos, deixam para a posteridade muitas  mazelas, de que destaco:

  • a duplicação do endividamento externo do País;
  • a submissão absoluta aos interesses dos grandes empreiteiros e banca através da expansão de negócios de Parcerias Público-Privadas;
  • a revogação e a criação de leis laborais muito penalizantes para os trabalhadores – com uma tal intensidade que nem Bagão Félix se atreveu a utilizar;
  • a eliminação de direitos dos cidadãos em matéria de acesso a cuidados de saúde e outros benefícios assistenciais;
  • a extinção de prestações sociais históricas, como o ‘abono de família’;
  • o record das mais altas taxas de desemprego da democracia pós-25 de Abril;
  • negociatas e trapalhadas a torto e a direito, umas vezes com a chamada do tio Monteiro à boca de cena, outras com a exposição de ‘boys’ do tipo Rui Pedro Soares.

Todavia, a despeito de  curriculum e desempenho sórdidos, Sócrates galvanizou, em euforia, a plateia do Congresso com golpes de baixa política e um apelo de voto útil à esquerda. À esquerda? Que descaramento!

Da demagogia e do talento de Sócrates para o topete, já conhecíamos o suficiente. Dos patéticos sorrisos do veteraníssimo Almeida Santos, também. Da capacidade ‘político-plasticina’ de Jorge Lacão, idem. O que, de facto, me impressionou foi o acéfalo entusiasmo dos militantes que, em delírio e sem ponta de consciência política ou mesmo de respeito por outros candidatos, caucionaram, sem reservas, a nefasta liderança do “engenheiro” que, pelo menos, para a respectiva ordem profissional é falso. Tanto como para a política, acrescento eu.    [Read more…]