Marega e Sérgio Conceição

Marega lesionou-se e tem para dois meses. Os portistas devem agradecer a Sérgio Conceição, que não descansou enquanto não conseguiu o que queria. Com ele, os jogadores é até rebentar.
Alex Telles será o próximo.
Enquanto isso, impõe-se uma mudança táctica assente num 4x3x3 em que Oliver Torres, apenas o melhor jogador do plantel, terá de desempenhar o papel principal.
O problema é esse. Sérgio Conceição será provavelmente o melhor treinador do mundo do ponto de vista motivacional, mas tacticamente é muito limitado. Sabe pouco mais do que “bola pró Marega”.
Oxalá esteja errado.

Da nobreza no futebol

O futebol é mais do que um jogo, infelizmente. É um lodaçal feito de uma mistura de irracionalidade, negócios racionalmente escuros e agressividade também verbal, ou seja, de valores antidesportivos. É, portanto, raro encontrar, entre jogadores, dirigentes e treinadores, palavras ou atitudes nobres.

José Mourinho e Cristiano Ronaldo são profissionais extraordinários e estão entre os melhores do mundo, mas estão muito longe da nobreza de Guardiola ou de Messi, uma vez que raramente conseguem esconder o arruaceiro ou o vaidoso que estão dentro deles.

Guardiola foi, para além disso, um dos melhores médios que já vi jogar, discreto, inteligente, elegante (podem revê-lo, depois do corte). Como treinador, manteve as mesmas características e, mesmo na hora da saída, consegue ser grande, dispensando-se de inventar desculpas ou de criar fricções escusadas.

Messi, o profissional apaixonado, o atleta improvável, não esteve presente na conferência de imprensa da despedida e explicou: “Preferi não estar porque sabia que os jornalistas iriam à procura dos rostos de pena dos jogadores.” Também fora de campo, Messi é melhor do que Cristiano Ronaldo, convencido de que é perseguido por ser rico e bonito.

No nosso campeonato, Ontem, Sérgio Conceição, depois de ganhar em Braga, declarou que o empate teria sido o resultado mais justo. Leonardo Jardim, ao contrário da maioria, não fez referência a erros do árbitro.

O futebol é mais do que um jogo e torna difícil manter a serenidade e a elevação. Os que o conseguem devem ser elogiados, porque são esses que devem ser imitados. [Read more…]

Sérgio Conceição, Scolari, a Nike e o azeite

Numa entrevista telefónica ao jornal i, Sérgio Conceição agita o frasco e o azeite começa a vir ao de cima:

Estive nove meses, mas a primeira reunião dos capitães – eu, Couto, Figo e Rui Costa – foi suficiente para o entender. Chamou-nos à parte e disse-nos que estava ali para treinar a selecção e dar o salto para um grande europeu.

Mas estamos a brincar ou quê? Mas que é isto? Um homem na selecção, que deve ser um privilégio, o maior privilégio, e ele só pensava em sair para um grande da Europa.

Mas brincamos ou quê? Falava em seriedade e disciplina. Aliás, afastou carismáticos, como Baía e João Pinto, com base na disciplina.

Isso é tudo muito bonito, mas ele não aplicava a regra. Nos almoços da selecção, a mesa dos jogadores é sempre maior que a dos treinadores, porque há mais jogadores que treinadores. Com o Scolari, não! A nossa tinha 18/20 pessoas.

A dele era maior. Mas estamos a brincar? Mas estamos onde? Ele levava os amigos brasileiros, os amiguinhos da Nike. Sim, porque ele é patrocinado pela Nike e entre um jogador da Nike e um da Adidas, escolhia sempre o da Nike.

Mas depois, lá vinha com a lengalenga da disciplina.

Então mas eu, que nasci em Coimbra, em Portugal, deixo-me ficar? Numa situação destas, deixo de agir? Mas estamos onde, pá? Que é isto? Ele ganhou o quê? Foi a uma final em casa e perdeu-a [Euro-04]. Mas há mais.

Há mais há,  a ler na íntegra.