Um PS dos mais frágeis de sempre, desenhado à vontade de Soares

De Seguro a Passos Coelho, há alguma distância ideológica. Todavia, é insuficiente para garantir alternativa séria, corporizada em modelo e objectivos de governação de que o País carece – de resto, em acto de uma espécie de mimetismo dos masoquistas islandeses, o povo português, tudo indica, permanecerá, por teimosia e culpa, enredado no círculo dos partidos do ‘arco do poder’.

Há dias, vi a reportagem do almoço do 40.º aniversário do PS, na sede do Rato, apenas entre Soares e Seguro. O tom laudatório do patriarca socialista a louvar Seguro foi elucidativo do empenho proteccional ao reeleito secretário-geral do PS. Há afirmações pueris, apenas no aspecto: No fundo, trata-se de juízos intencionais e de uma modalidade de autoritarismo suave na aparência, mas plasmado na determinação do objectivo, semelhante à finalidade do ataque do pérfido felino a dominar a presa. E Seguro é, de facto, presa fácil.

Soares, desde sempre, nunca abdicou da prerrogativa de comandar o Partido Socialista, mesmo quando deslocado para funções incompatíveis com a militância – Presidência da República é um dos casos. Os vergonhosos afastamentos de Vasco da Gama Fernandes e Salgado Zenha são dois actos de ‘vendetta’ soarista que jamais a História deixará esquecer.

Seguro, ‘jota’, pardo ministro de Guterres e sem qualificações para chefiar a governação do País na complexa encruzilhada em que vivemos, é a réplica de um Passos Coelho para quem Mário Soares se chamou Ângelo Correia. [Read more…]

Cavaco e o Partido dos Mal-Fodidos

partido socialistaOntem, rubros como o sangue que Soares fantasia manar de algum orifício depois do tiro-ao-cavaco, resvalaram alguns cravos defronte a Cavaco na tribuna de honra da AR, enquanto discursava. Depois de a bandeira ter feito o pino, há um ano, mais um filão simbólico para a SIC explorar. Triste País. Deprimentes media. Ainda mais triste Regime. Após a homilia do Presidente de todos os portugueses, menos dos Socialistas e da Ganadaria de Esquerda, levantou-se um coro de ginchos e de uivos, primeiro de uma certa deputação bem nutrida inimiga da Direita, mormente dos chorões impostores do PS, e depois daquela comentadoria agregada ao Regime e dependente do seu favor que vai ruminar aquilo que já todos sabemos que vai dizer nas TV e nas Rádios.

Fica-se de imediato ciente, ao ouvi-los, de que esta democracia só é democrática e aturável quando é o PS a desgovernar. Mais ninguém pode desgovernar. Só eles. Fora o caso, frequente e natural, de estar o PS na ingovernação nacional, não há lugar para mais nada em alternativa, para nenhum outro tentar uma perninha bem intencionada. Se não for o PS e só o PS ali, naquela competência excelsa inigualável, Soares amua, a Esquerda Parlamentarizada e Aburguesada tem um ataque de constitucionalismo anafilático, espuma e espoja-se no chão com vários aqui d’el-Rei muito compungidos. Quando ninguém está a ver, levanta-se e vai jantar aonde o Luís M. Jorge recomenda se jante com luxo, vinhos caros e boas entradas. Andar a exigir a queda antecipada e imediata dos Governos e a recusar integrar um desde pelo menos há 39 anos dá imensa fome. [Read more…]

O Querido Líder


Por Santana Castilho

1. O laudatório congresso do PS definiu a identidade actual do partido: é uma confraria que não renega o Querido Líder (expressão feliz de um congressista, de inspiração norte-coreana, para designar Sócrates), mesmo que ele conclua a destruição do país, que iniciou há seis anos.
Invoco a carta aberta que nesta coluna dirigi a Sócrates, em 6 de Junho de 2005, quando a maioria o venerava e eu previ o que nos esperava, para não me surpreender o que lhe ouvi no congresso e nas massivas e insuportáveis intervenções públicas dos últimos dias.
Sócrates é um simples manipulador de responsabilidades e um vulgar trasfego de culpas. A autocrítica não se vislumbra nele. A impunidade que caracteriza a sua actividade política tornou-o cada vez mais arrogante e contumaz na prática de erros. O que nos conduziu ao desastre em que estamos mergulhados foram as políticas desastrosas dos dois governos que chefiou. Foi isso que o deixou sem saída. Para não perder a face, manipulador como é, escondeu-se atrás do PEC IV, que urdiu e negociou com os de fora, traindo os de dentro, sabendo, medindo e desejando as consequências. [Read more…]

Congresso do PS: um prémio para Sócrates

Os militantes socialistas presentes no congresso decidiram erguer uma estátua a José Sócrates. Por boa governação, supõe-se, já que o PS não é o PC chinês, presumindo-se com isto que cultiva a “ideologia” acima do “ideólogo”. A ser assim, estamos conversados, ou devíamos estar.

Aliás, segundo Ana Gomes (ai, Ana, ai, ai, que desilusão, a tal reserva do PS parece as reservas do futebol, são mauzinhos na tática e na técnica, aspiram, no máximo, a vestir o equipamento,  a sentar-se no banco e a fazer aquecimentos durante o intervalo)  unidade não é unanimismo. Pois não, vê-se e viu-se.

Enfim, à boa maneira dos tempos que correm, demasiados milhões por uma estátua para encher o olho. De barro, como seis anos de poder demonstraram.

Que PS é este?

Sócrates tem sido só o PM “socialista” de cariz neoliberal sem precedentes no seu partido.  Num pequeno país de economia frágil, ultrapassou largamente as derivas de Tony Blair, o grande autor do ‘New Labour’. As políticas de Sócrates, em 6 anos, deixam para a posteridade muitas  mazelas, de que destaco:

  • a duplicação do endividamento externo do País;
  • a submissão absoluta aos interesses dos grandes empreiteiros e banca através da expansão de negócios de Parcerias Público-Privadas;
  • a revogação e a criação de leis laborais muito penalizantes para os trabalhadores – com uma tal intensidade que nem Bagão Félix se atreveu a utilizar;
  • a eliminação de direitos dos cidadãos em matéria de acesso a cuidados de saúde e outros benefícios assistenciais;
  • a extinção de prestações sociais históricas, como o ‘abono de família’;
  • o record das mais altas taxas de desemprego da democracia pós-25 de Abril;
  • negociatas e trapalhadas a torto e a direito, umas vezes com a chamada do tio Monteiro à boca de cena, outras com a exposição de ‘boys’ do tipo Rui Pedro Soares.

Todavia, a despeito de  curriculum e desempenho sórdidos, Sócrates galvanizou, em euforia, a plateia do Congresso com golpes de baixa política e um apelo de voto útil à esquerda. À esquerda? Que descaramento!

Da demagogia e do talento de Sócrates para o topete, já conhecíamos o suficiente. Dos patéticos sorrisos do veteraníssimo Almeida Santos, também. Da capacidade ‘político-plasticina’ de Jorge Lacão, idem. O que, de facto, me impressionou foi o acéfalo entusiasmo dos militantes que, em delírio e sem ponta de consciência política ou mesmo de respeito por outros candidatos, caucionaram, sem reservas, a nefasta liderança do “engenheiro” que, pelo menos, para a respectiva ordem profissional é falso. Tanto como para a política, acrescento eu.    [Read more…]