José Sócrates, essa vítima do sistema

via Expresso

Não, senhor ex-primeiro-ministro. O que está em casa neste momento não é a “fundada suspeita que este processo foi viciado, corrompido desde o seu início“. O que está em causa são acusações de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal que pendem sobre si. São fundadas suspeitas de recebimento de luvas no valor de 34 milhões de euros, relacionadas com negócios que ajudaram a destruir a PT e a favorecer o Grupo Lena, e de mais uns quantos milhões, que circularam entre bancos suíços e paraísos fiscais. E tudo isto enquanto ocupava um dos mais importantes cargos da nação. Não insista em fazer dos portugueses parvos, senhor ex-primeiro-ministro. Já chega o estado em que deixou o país.

Onde estavas tu, passista, quando o teu herói elogiou Dias Loureiro?

Uma turba passista encheu as redes sociais de indignação, por haver uns quantos socialistas a lamentar a saída de Sócrates do PS, socialistas esses que até elogiaram a governação do ex-recluso. Onde é que já se viu tamanha falta de respeito pelos portugueses?

Importa, contudo, saber onde estava esta malta quando Pedro Passos Coelho cumprimentou Dias Loureiro “de forma muito amiga e especial”, durante uma inauguração em Aguiar da Beira, a que se seguiu uma sequência de elogios do então primeiro-ministro a um dos dois grandes responsáveis por uma das maiores fraudes bancárias da história de Portugal, que custou aos contribuintes alguns milhares de milhões de euros. Estariam ocupados a empreender? Estariam a manipular o Fórum da TSF ou a parir perfis falsos no Facebook? Estariam a observar desde o centro de operações liberal-fascista? Estariam no Panamá a contar notas desviadas através de matrioskas de paraísos fiscais? Estariam a visitar a campa de Salazar? Estariam numa acção de formação sobre como escapar ao pagamento da Segurança Social, ministrada pela Tecnoforma?.

Ninguém sabe.

A Operação Marquês segundo a SIC

Nos últimos dias a SIC emitiu uma série de reportagens sobre a Operação Marquês. Ficam aqui, para vossa conveniência, essas reportagens:

2018-04-16 – Arguidos da Operação Marquês têm até 3 de setembro para pedir abertura da instrução

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Henrique Granadeiro

Passeou-se pelos salões políticos do fascismo, fez a transição pacífica para a democracia, durante a qual somou nomeações social-democratas e socialistas, foi embaixador, chefe da Casa Civil de Ramalho Eanes, gestor, conselheiro, administrador e CEO de empresas públicas e privadas, e era um dos homens fortes da PT, quando aquela que já foi uma das maiores empresas nacionais decidiu torrar 900 milhões de euros na Rioforte.

Hoje é arguido na Operação Marquês, lado a lado com gente tão recomendável como José Sócrates ou Ricardo Salgado, acusado de crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Acusado de ser um mero capacho, ao serviço do Dono Disto Tudo, de quem terá recebido milhões para gerir a PT em função dos apetites do Grupo Espírito Santo, arrastando-a para a ruína.

Parte desse dinheiro terá sido usado na compra de um apartamento em Lisboa, cuja história, relatada pelo Expresso, daria um belo argumento para o grande ecrã. Tudo bons rapazes.

Panama Papers: à terceira será de vez, Expresso?

Em menos de uma semana, os famosos papéis do Panamá regressaram ao Expresso. Estranhamente, ainda não foi desta que a igualmente famosa lista de jornalistas avençados pelo saco-azul do GES deu à costa. Ontem foi a vez de José Sócrates, o homem que está em todas, cujo nome, avança o Expresso, foi incluído no relatório da Comissão de Inquérito do Parlamento Europeu sobre os Panama Papers. De estranhar seria se não fosse, ou não tivessem sido eles, os papéis, o momento Eureka da Operação Marquês. [Read more…]

Ricardo Salgado e Cavaco Silva

Desenganem-se aqueles que julgam que daqui sairá alguma acusação de que Cavaco Silva foi um politico corrupto, até porque todos sabemos que seria preciso, ao comum dos mortais, nascer duas vezes para ser mais honesto que o político mais político de todos os políticos, que apesar da sua condição gosta de falar dos políticos e da situação deste país como se não fosse nada com ele.

Acontece que, e à luz dos mais recentes desenvolvimentos em torno da operação/processo/caso Marquês, sabemos hoje que existem fortes indícios – vá, vamos todos fazer de conta que respeitamos o princípio da presunção da inocência – de que Ricardo Salgado abriu os cordões à bolsa para corromper grandes figurões como José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, apenas para citar alguns nomes. E que, para aqui chegar, foi preciso mover mundos e fundos, que levantam questões pertinentes sobre aquilo que parece a microscópica ponta de um gigantesco icebergue. [Read more…]

Operação Marquês e Panama Papers: e a lista dos jornalistas avençados, pá?

Era uma vez uma lista de jornalistas, avençados por um saco azul do GES. A lista, parida por um papel do Panamá, fez correr rios de tinta, originou indignações e debates acesos, prometeu mundos, fundos e um escândalo sem fim, até que se perdeu, entre as brumas da memória.

Já lá vai cerca de ano e meio desde que o Expresso soltou a bomba. Desde então, os Panama Papers perderam relevância noticiosa, pelo menos por cá, e já quase ninguém se lembra deles. São uma recordação longínqua, armazenada algures, entretanto substituída na ordem do dia pela sucessão de grandes questões que todos os dias emergem, sejam elas a crise na Catalunha ou a aventura de Madonna, na sua incessante busca de residência fixa na Lisboa das rendas exorbitantes. [Read more…]

O Marquês

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Há quem se impressione com o número de crimes imputáveis a José Sócrates pelo Ministério Público mas, depois de assistir a esta entrevista, onde se terão enumerado os pontos fundamentais da acusação, apenas consegui adensar as minhas dúvidas sobre a sobrevivência deste processo judiciário com tão pouco de judicioso. Não sendo a televisão um tribunal, muito embora tenha funcionado, nestes 3 anos de preliminares, como palco para um julgamento que já terá sido efectuado pelo público – ninguém quer acreditar que Sócrates não meteu dinheiro ao bolso -, o certo é que a representação do MP feita pelo jornalista de serviço apenas permitiu que o actor principal tenha dado um passo seguro para reconquistar o seu direito à presunção de inocência junto da opinião pública. Não se esperava que Vítor Gonçalves, que luta contra o estigma das suas supostas simpatias políticas, aguentasse o embate com este ex-primeiro-ministro, e nem mesmo que dominasse as 4.000 páginas da acusação (que trouxe ao ecrã para dar substância e clamor ao libelo, supõe-se…), como naturalmente o demonstrou fazer José Sócrates. Mas este espectáculo, a que mais uma vez assistimos neste campo, teve como único resultado a severa goleada de Sócrates ao Ministério Público.

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31 acusações

Três de corrupção passiva de titular de cargo público, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três e fraude fiscal agravada. É este o rol de potenciais crimes com os quais José Sócrates será confrontado no tribunal de primeira instância que julgará o caso Marquês. Será um processo longo e complexo, que conta com 27 outros acusados, e que poderá arrastar-se ainda vários meses, anos até, durante a fase de instrução que antecede o julgamento. Se este vier a acontecer (sim, essa possibilidade existe!). [Read more…]

Operação Marquês chega ao futebol em dia de Clássico

O dia promete muita emoção à volta do futebol e o clássico Benfica – Porto é apenas um dos “culpados”. Em causa está a notícia da PGR dando  conta do alargamento das investigações ao mundo da bola. Depois de políticos e banqueiros, é a vez do grupo conhecido por Máfia da Relva ter a larga e rápida mão da Justiça no seu encalço. O Correio da Manhã teve acesso ao processo, tendo podido constatar o esquema surripio de largas extensões do relvado dos estádios dos três grandes, com destino ao gigantesco mercado de vivendas nos subúrbios do Porto e de Lisboa, especialmente nas zonas da Trofa e de Massamá, respectivamente. [CM

Sócrates 2021

Quiseram impedir-me de ser candidato a Presidente da República e de ter uma voz pública“. Estejam à vontade para rir. Quando ele chegar a Belém em braços voltamos a falar, ok?

A imunidade do homem que está em todas

Hélder Bataglia

Em Outubro passado, o Ministério Público emitiu um mandado de captura internacional com o objectivo de deter Hélder Bataglia, presidente da ESCOM, por suspeita de ter transferido vários milhões de euros para uma conta de Carlos Santos Silva, o famoso mecenas de José Sócrates, milhões que tinham como destinatário o ex-primeiro-ministro, como alegado pagamento de luvas relacionado com o processo Vale do Lobo, do qual é accionista. Refugiado em Angola, onde os negócios da ESCOM continuam a rolar, Bataglia está protegido pela lei angolana que impede a extradição de cidadãos angolanos, nacionalidade que partilha com a portuguesa. [Read more…]

Democracia e liberdade de informação

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(imagem Rui Tukayana/TSF)

A proibição de publicação no Correio da Manhã (CM) e demais órgãos de comunicação social detidos pelo grupo Cofina de notícias ou outros conteúdos informativos sobre a investigação que prossegue no DCIAP ao ex-primeiro-ministro José Sócrates é um evidente excesso. Um excesso censório que atenta contra a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o direito à informação.

Podemos não gostar do jornalismo que é praticado pelo CM, considerar que peca por manifesta falta de isenção e pluralismo, e também por excesso de perseguição política a determinados actores e/ou sectores da sociedade portuguesa, isto é, por falta de imparcialidade – condição do jornalismo deontologicamente auto-enquadrado, o único que aceitaríamos legítimo num mundo idílico, onde para além de jornalismo tablóide e sensacionalista não houvesse também médicos esquecidos do juramento de Hipócrates, advogados a soldo, etc.

Podemos considerar que esse jornalismo cabe na categoria do entretenimento mediático ou que é propaganda, por evidente e reiterada manipulação da informação e dos dados e factos que a sustentam, omissão de contraditório, anulação de adversários, violação do segredo de justiça, etc., práticas que revelam um exercício deliberado de desinformação, em favor da manutenção de audiências populares. [Read more…]

Armando Vara compra liberdade por 300 mil rob…euros

Vara

O que revolta mais nem é tanto a alteração da medida de coacção. Esse é um problema da nossa justiça, uma espécie de anedota nacional que permite que um pescador de 79 anos seja detido por causa de uma caixa de sardinhas enquanto outros, hábeis com peixes mais graúdos, continuem a passar entre os pingos da chuva. O que revolta mesmo é a possibilidade que um cidadão tem de comprar a sua liberdade. Armando Vara, implicado na Operação Marquês, no processo Face Oculta e indiciado por corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, comprou hoje a sua pela módica quantia de 300 mil robalos euros.

Foto: Ana Baião@Expresso

Sócrates em prisão domiciliária

Nove meses depois, o número 44 do Estabelecimento Prisional de Évora ficou disponível. José Sócrates segue para prisão domiciliária, sem pulseira electrónica. A justiça portuguesa seguiu o seu curso natural.

José Sócrates e a agenda do Observador

Pulseira Electrónica

A orientação politico-ideológica do “jornal” Observador só será novidade para quem não sabe o que é o Observador. Com uma linha editorial claramente de direita, um painel repleto de colunistas de direita e extrema-direita – aguarda-se com expectativa a indignação de Rui Ramos contra mais este episódio de facciosismo só ao nível do lobby dos humoristas de esquerda – e uma estreia logo a mostrar ao que vinha, na qual recorrendo a meias verdades levou a cabo um exercício de beatificação do destacado criminoso neo-nazi Mário Machado, este órgão que congrega a fina flor dos neoliberais fanáticos pela submissão total do Estado ao sector privado e dos saudosistas do Estado Novo, entre outros, nunca tentou esconder ao que vinha. Nem precisa. Eles são o que escolhem ser.

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Danos reputacionais? E daí?

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A Comissão Executiva (CE) do Grupo Lena disse ao Expresso que “os prejuízos em Portugal e no estrangeiro” que decorrem da detenção do vice-presidente Joaquim Barroca no âmbito da Operação Marquês são “de carácter reputacional”, acrescentando ainda que “Em 2014, tivemos os melhores resultados de sempre“. Sobre José Sócrates, esse grande amigo do Grupo Lena, o presidente da CE Joaquim Paulo Conceição (JPC) mostra-se convicto que o processo que colocou o ex-primeiro-ministro atrás das grades resulta de “um equívoco”, algo que “será demonstrada no sítio certo, em sede de  Justiça“. É sempre reconfortante podermos contar com a vasta experiência de grandes empresários como este senhor para percebermos, antes da justiça se pronunciar, que tudo isto não passou de um embuste e que o 44 é afinal vítima de um equívoco. Um equívoco milionário mas ainda assim um equívoco.

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Sócrates bem tenta sair

mas os seus amigos não param de entrar.