As interacções, as interações, as iterações e as iteracoes

People like to say: “knowledge grows exponentially”. But they probably haven’t thought about what an exponent is.
John Searle

Septemberabend; traurig tönen die dunklen Rufe der Hirten
Durch das dämmernde Dorf; Feuer sprüht in der Schmiede.
Georg Trakl

I’ve experimented ad nauseam to find the right tone.
Steve Vai

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Há cerca de dez anos, enquanto escrevia este artigo (pp. 97-108), um caso muito concreto que bem lá no fundo me incomodava, no meio do pandemónio geral da aniquilação da letra ‘c’ nas palavras terminadas em -acção, era o processo sofrido pela palavra interacção, em interacçãointeracçãointeração. Porquê? Por causa da existência da palavra iteração. Por exemplo, a iteração do PPC ou a iteração de que vive a “poeticidade minimalista de Trakl“. Convém lembrar que entre os negociadores do AO90 se encontravam professores de Linguística e professores de Literatura (embora alguns com funções meramente administrativas, como a de “difundir o texto“). Ou seja, num caso e no outro, indivíduos cientes quer da existência quer do significado da palavra iteração.

Efectivamente, depois do AO90, temos duas palavras (interação e iteração) reduzidas à distância entre uma vogal oral e uma vogal nasal. Com efeito, sem AO90, a quantidade de distâncias entre iteração e interacção era maior: à da entre vogal oral e vogal nasal, acrescentava-se a da entre vogal oral central média baixa [ɐ] e vogal oral central baixa [a]. É sabido que interação mais não pode ser do que uma espécie de repetição ainda mais nasal, ou seja, uma iteração com monotongo inicial nasal (o ditongo nasal final, note-se, embora sem grande relevância para este ensaio, é comum a todas estas formas).

Há dias, recebi esta mensagem no telemóvel português: [Read more…]

TMN, Vodafone e Optimus: será que dá para ver este vídeo?