A propósito deste título: Carta de condução e cartão de cidadão no telemóvel já têm o mesmo valor dos documentos físicos

W h o
A r e  y o u
Who   is   born
In   the   next   room
So   loud    to   my   own
That  I  can  hear  the  womb
Opening   and    the    dark   run
Over the ghost and the dropped son
Behind  the  wall  thin as a wren’s bone ?
In  the  birth  bloody  room  unknown
To  the  burn  and  turn  of  time
And  the  heart  print  of  man
Bo w s   n o   b a p t i s m
Bu t   d a r k   a l o n e
Blessing       on
The  wild
Child.
— Dylan Thomas

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Sim,
é verdade
que a carta de
condução e o cartão
de cidadão no telemóvel
passaram a ter o mesmo valor
dos documentos que trazemos na carteira.
Mas só “em território nacional“, ou seja, só em Portugal:

Curiosamente, a alteração à Lei 19-A/2024 foi
publicada durante a semana passada, no
sítio do costume de 7 de Fevereiro,
no qual encontramos mais
provas do completo
falhanço do
AO90:

Completo falhanço “em território nacional”, sim, mas não só.

Continuação de uma óptima semana.

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That’s life, pois, é a vida!

The training task is identical to the original studies and is a 2AFC identification task. In each trial, participants heard a word that is part of a minimal pair that contrasts /r/ and /l/.
— Brekelmans et al. (2022)

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Foto: Lusa/José Sena https://bit.ly/3PijG0b

O “é a vida!” pertence a António Guterres, actual SG da ONU. E o “fujamos!” pertence originalmente ao Ega, mas aplica-se perfeitamente a Faro Ramos, o diplomata que fugiu para o Brasil, sem a pompa de D. João VI. A língua portuguesa, essa, continua a servir de pretexto para discursos de circunstância, sempre que há chouriços para encher. Assim, efectivamente, não chegamos às meias-finais do Mundial. Parabéns a Marrocos, França, Croácia e Argentina. O meu favorito? A sério? O árbitro.

O “that’s life”, por seu turno, pertence a Kay & Gordon, sendo mundialmente conhecido pelas maravilhosas versões do magnífico Sinatra. No entanto, só lá cheguei (sou novo) pouco depois do 1-3 do México 86 (visto ainda na casa da Rua de Santa Catarina), pela versão do fresquíssimo Eat’em And Smile (com o Steve Vai!!!) do extraordinário Lee Roth. Que mundo fabuloso.

De facto, that’s life.

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Fim de semana de calor

But there is no [i]skin.
— Kiko Loureiro

Music has its written language, but it’s audio.
— Steve Vai

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Durante toda a semana, esteve calor em Portugal. Foi semana de calor. E essa semana de calor terminou. Acabou-se o calor. Doravante, durante os próximos dias, provavelmente, estará frio em Portugal. Por isso, temos o título deste texto e, mais importante, deste oráculo:

Obviamente, dir-me-ão, trata-se do fim-de-semana. Não é uma semana de calor que termina, é um fim-de-semana com calor que começa ou se prevê. Então, se tão obviamente se trata de um fim-de-semana com hífenes, por que motivo lhos tiraram? Como já explicou António Emiliano, fim-de-semana não é o fim da semana e um bicho-de-sete-cabeças não é um bicho com sete cabeças.

É escusado perguntarmos o motivo de tal supressão a quem assinou de cruz o Acordo Ortográfico de 1990. Ainda nos respondiam com algo de semelhante a:

Fim-de-semana passa a fim de semana, porque agora facto é igual a fato (de roupa).

Continuação de um fim-de-semana com hífenes e votos de óptima saúde.

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As interacções, as interações, as iterações e as iteracoes

People like to say: “knowledge grows exponentially”. But they probably haven’t thought about what an exponent is.
— John Searle

Septemberabend; traurig tönen die dunklen Rufe der Hirten
Durch das dämmernde Dorf; Feuer sprüht in der Schmiede.
— Georg Trakl

I’ve experimented ad nauseam to find the right tone.
— Steve Vai

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Há cerca de dez anos, enquanto escrevia este artigo (pp. 97-108), um caso muito concreto que bem lá no fundo me incomodava, no meio do pandemónio geral da aniquilação da letra ‘c’ nas palavras terminadas em -acção, era o processo sofrido pela palavra interacção, em interacção→interacção→interação. Porquê? Por causa da existência da palavra iteração. Por exemplo, a iteração do PPC ou a iteração de que vive a “poeticidade minimalista de Trakl“. Convém lembrar que entre os negociadores do AO90 se encontravam professores de Linguística e professores de Literatura (embora alguns com funções meramente administrativas, como a de “difundir o texto“). Ou seja, num caso e no outro, indivíduos cientes quer da existência quer do significado da palavra iteração.

Efectivamente, depois do AO90, temos duas palavras (interação e iteração) reduzidas à distância entre uma vogal oral e uma vogal nasal. Com efeito, sem AO90, a quantidade de distâncias entre iteração e interacção era maior: à da entre vogal oral e vogal nasal, acrescentava-se a da entre vogal oral central média baixa [ɐ] e vogal oral central baixa [a]. É sabido que interação mais não pode ser do que uma espécie de repetição ainda mais nasal, ou seja, uma iteração com monotongo inicial nasal (o ditongo nasal final, note-se, embora sem grande relevância para este ensaio, é comum a todas estas formas).

Há dias, recebi esta mensagem no telemóvel português: [Read more…]

Os fatos unidos jamais serão vencidos

Driver: Where to, sir? Où désirez-vous aller?
Prisoner: Take me to the nearest town.
Driver: Oh, we’re only the local service.
Prisoner: Take me as far as you can. Why did you speak to me in French?
Driver: French is international.
— The Prisoner (1)

And you can find that. And you’ll know it. You’ll just know. Dah dah dah. If you’re connected with your inner ear. Otherwise you’re meandering nowhere.
— Steve Vai

***

Efectivamente, em vez de tergiversarmos, convém centrarmo-nos naquilo que é importante.

Apresentado o exemplo, resta-nos esperar que os proponentes resolvam rapidamente esta confusão.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Nótula: Agradeço o titulo ao leitor POIS!.

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