Ainda o financiamento do ensino privado pelo estado

No Público de hoje relata-se uma discussão no parlamento onde um secretário de estado afirmou “um aluno do público custa 3752 euros menos do que no privado. Neste sistema, actualmente, um estudante custa 4440 euros“.  O ministério propõe-se pagar menos às escolas privadas, ficando ainda assim o custo de um aluno em “mais 36 euros do que um do público“.

PSD e CDS tentaram lançar areia para os olhos com um estudo da OCDE de 2007 que indica outros valores, e embora saibamos ser este governo hábil na manipulação de números convém não exagerar: sempre deve ter uma ideia mais aproximada das suas despesas do que a OCDE.

Fica assim claro o que já era uma evidência: no privado além dos outros custos  há ainda uma despesa a não desprezar: o lucro que é a sua razão de ser. Digam-me que as escolas religiosas não têm fins lucrativos, e além de me rir respondo que têm fins confessionais, o que é bem pior se falamos do direito ao ensino num estado laico.

Os argumentos da associação patronal do sector vão caindo, alguns pelas piores razões. Dizia o seu líder: “Temos de falar de condições iguais e também é necessário ver se nas contas entra o custo dos edifícios. No privado, o Estado não gasta com esses edifícios”, o que além de aplicado a outros sectores da economia sugerir que o estado subsidie as instalações de uma fábrica (o típico capitalista português quer sempre  menos estado na hora de pagar impostos mas muito mais estado quando toca ao subsídizito que o sustenta),  se revela desactualizado: as escolas públicas vão passar a pagar renda à Parque Escolar, o que como alerta o Paulo Guinote é gravissímo porque “vai estrangular financeiramente a gestão destas escolas e agrupamentos“, e acrescento eu, é meio caminho para a privatização da Parque Escolar, que seguirá o mesmo caminho da Estradas de Portugal mal haja engenharia para se tornarem lucrativas. 

Contra o financiamento das escolas privadas tenho mais argumentos: muitas são escolas religiosas, e é completamente imoral que um estado laico as financie (como o ridículo não mata  é possível ler esta barbaridade: “Será que num País livre e laico, eu não me posso assumir como CRISTÃO e escolher uma Escola Católica para os meus filhos?”, querendo dizer com isto que todos lhe temos de pagar a escola da sua religião, mas caía o Carmo e a Trindade se aparecesse uma escola assumidamente ateísta a pedir o mesmo), e quanto à tal necessidade de resolver lacunas da rede pública não passa, em todos os casos que conheço, de uma enorme mentira.

Já a ideia de efectuar estes cortes a meio do ano lectivo me parece um claro abuso. Legitimará da parte dos privados que se empurrem a meio do ano os alunos que deixaram de dar lucro, e não passa pela cabeça de ninguém que estes tenham de mudar de escola a meio do ano.

De resto o problema agravado dos cortes orçamentais na educação está precisamente em os anos lectivos não coincidirem com os anos fiscais. Basta ver que indo o corte mais substancial incidir na maior despesa, a de pessoal, tal apenas ser possível a partir de Setembro, ou seja, num terço do ano vai-se ter de reduzir o que noutros ministérios se faz no ano inteiro. Razão acrescida para ser previsível uma autêntica razia nas condições de trabalho e funcionamento das escolas no próximo ano lectivo, e desde já neste onde não admira muito que acabem as verbas para fotocópias antes da primavera. E não me admiraria nada que se chegue ao despedimento de 20 000 professores, dando a este governo a inglória medalha de reduzir ao mínimo o número de professores contratados, colocando-os generosamente no desemprego e reduzindo os professores do quadro à condição de funcionários que atendem os alunos das 9h às 17h.

Claro que o orçamento para a educação contempla os afilhados com prendas de Natal:  Maria de Lurdes Rodrigues, perdão, a FLAD recebe 25 000, Albino Almeida, perdão, a CONFAP 120 000, havendo ainda embrulhos para ex-primeiras-damas – informações desocultadas pelo 31 da Armada.

Rodapé: o artigo do Público citado, não disponível online mas foi publicado pela jornalista Barbara Wong, sobre a qual emiti aqui um juízo um bocado precipitado e exagerado, de que me penitencio. A discussão sobre este assunto no seu blogue Educar em Português não tem sido tão maniqueísta como me pareceu. Ali de resto têm aparecido depoimentos muito interessantes sobre a realidade do ensino privado e o choradinho dos seus defensores. Lembro que havendo professores dos colégios lançados no desemprego só terão de concorrer ao ensino públicocom base na sua nota de formação e experiência profissional (o tempo de serviço no privado continua a contar para o público) como toda a gente. O cartãozinho partidário, a confissão religiosa e outros critérios que chegam à horizontalidade, lamento mas por enquanto não funcionam muito nas escolas públicas. Já faltou mais.

Comments


  1. Se V. Ex. quer educar os seus filhos de acordo com a sua religião que pague para isso.
    Os impostos servem para o bem comum, e não para subsidiar religiões particulares. Já bastem pagarem os vencimentos dos professores de EMR católica ou outra.
    É que os impostos não se devolvem aos cidadãos na lógica de servirem para interesses particulares. Você não paga impostos para ter uma auto-estrada até à porta de sua casa, mas para que haja infraestruturas que sirvam a res publica. E as suas opções religiosas também são um interesse particular.
    Quanto à sua religião, respeito o seu direito a professá-la em liberdade. Pela religião católica, como por outras, não tenho nada que ter respeito: faz parte da minha liberdade o direito a entendê-la historicamente como um parente da opressão, do obscurantismo, e do roubo, enquanto foi o que já não é: a religião oficial do estado.

  2. Daniel says:

    O mais grave é que essas muitas dessas escolas privadas (é o caso das de Coimbra) seleccionam os alunos quando deviam seguir os mesmos critérios das escolas públicas.

  3. Laura Faro says:

    O Sr. João José diz muitos disparates… Sabe que nem sempre melhor defesa é o ataque… Olhe que o mais cego é aquele que não quer ver… são cegueiras ideológicas graves e, quase sempre, incuráveis!

    Quanto ao que publica em “rodapé”, aconselho-o a informar-se… Os professores do ensino particular não concorrem em igualdade de circunstâncias no Concurso Nacional… Num estado de direito como o nosso é, no mínimo, absurdo!

    E, já agora, deixe que lhe diga que a religião oficial do estado não é, de facto, a religião católica nem nenhuma outra, mas vive em função do que aquela lhe deixou… Já reparou que a maioria dos feriados nacionais são de cariz religioso – e na hora de os gozar ninguém se lembra que o estado é laico? Que o governo proibiu os crucifixos nas salas, mas as escolas enfeitam-nas no Natal e fazem presépios nas portarias? Natal? Páscoa? Já reparou que até o calendário lectivo funciona a reboque das festas religiosas católicas? Haja coerência naquilo que se diz e se defende!!


    • Dona Laura, o disparate é um direito que nos assiste. Por exemplo, acho um disparate os enfeites religiosos de Natal nas escolas, da comemoração da Páscoa nem é bom falar.
      Quanto à contagem de tempo de serviço no privado para concorrer ao público, que era assim tenho eu a certeza. Conheci muitos que faziam uns anos no privado beneficiando mais tarde de o mês de Setembro lhes contar por inteiro, e ultrapassando assim outros colegas. Uma situação de que beneficiaram muitos catequistas. O meu colega Ricardo confirma aqui com um exemplo actual.


  4. Ó Coelho, eu estudo História há mais de 30 anos. E vá chamar perverso a outro. Pode ser a um padre pedófilo, por exemplo.
    Já viu o que fez a educação religiosas às crianças irlandesas?

  5. Laura Faro says:

    Boa, “Coelho”!

  6. Arminda says:

    Na verdade, este assunto não devia ser comentado. O autor do post, transcreve mais uma vez a cassette, que lhe vêm desbobinando dentro da cachola há muito tempo.
    Argumentos mais que estafados, ódios ainda mais.
    É dos tais, que diz o contrário e faz o mesmo. Diz mal de tudo, mas está lá sempre metido, é peditórios, é comissões de festas, por aí fora. Não esquecer a passagem de rifas, e honra lhe seja feita, também para a Festa do Avant.

    Até lhe dou um conselho, vá junto da população convença-os a mudar o nome à freguesia.
    Poda ser de S. Martinho do Bispo, para Leningrado, por exemplo.
    Mas não era capaz pois não?

  7. Arminda says:

    E não se esqueça, quando tiver de ir parar a um hospital, nem que seja à urgência por uma dor de calos, exigir que as pessoas que o tratam serem todas laicas. Se possível filiadas no mesmo sítio que você e com as quotas em dia.
    Indague.

  8. Arminda says:

    E também não se esqueça, caso morra após essa ida ao hospital, ou mais tarde, de exigir a ausência de padre, pedófilo ou não, mas cuidado porque pode ter algum na sua família e não saber, padre ou não, no seu funeral.
    À cautela, peça para ser cremado, não vá alguém querer enterrá-lo num cemitério e depois, no Dia dos Fiéis Defuntos, mesmo contra a sua vontade, levarem-lhe umas flores e uma vela ou lamparina e ter de gramar, pelo menos, uma missa por ano.
    Não dê fotos suas a ninguém e destrua as que houver não vá algum ente querido seu, contrariar os seus desejos e rezar por si e alumiá-lo nas suas deambulações e trambolhões no Além.
    Por ultimo deixe em testamento que não vai querer ser cremado em nenhum crematório dos existentes por todos eles se encontrarem situados em Campo Santo. Os Cemitérios, são Campo Santo, quer você queira, quer não. Peça para ser cremado no crematório dos animais do veterinário local ou se não for possível, enterrado no cemitério dos cães no Jardim Zoológico.
    Pode crer que mesmo depois de morto e passado mais de um século, ainda se vão rir de si.
    Já viu? Ser o palhaço da aldeia?
    Fica eterno.


  9. Arminda, Armindinha, tanto ódio, tanta secura e amargura.
    Vou descer ao seu nível e dar-lhe um conselho: faça mais sexo. Desperte a mulher que há em si.
    As melhoras.

  10. Arminda says:

    Aconselhar sexo, uma das melhores coisas que há, para além da lucidez, do amor e da alegria é descer?
    Coitado de si.
    Pelo menos faça uma coisa, ajunte-se, amigue-se.
    Alegre-se, não seja um cadáver ambulante.


  11. Está a ver como sou tolerante e não achei o seu nível tão baixo como isso?


  12. “PSD e CDS tentaram lançar areia para os olhos com um estudo da OCDE de 2007 que indica outros valores, e embora saibamos ser este governo hábil na manipulação de números convém não exagerar: sempre deve ter uma ideia mais aproximada das suas despesas do que a OCDE.”

    Sendo as tabelas salariais mais elevadas no público do que no privado, estes números só podem ser mais uma grosseira manipulação, aqui curiosamente dourada, pelo soviete de serviço.


  13. O soviete de serviço informa o fascio em permanência que as tabelas são paralelas. Não fosse assim, quem iria trabalhar para o privado? Os que tiraram o curso com média de 10?
    O privado abusa ainda mais dos contratados, lá isso é verdade, mas nas escolas onde selecciona os alunos também selecciona bons professores. E paga-lhes.


  14. Mentir já não é pecado?


  15. O soviete de serviço informa o fascio em permanência que as tabelas são paralelas. Não fosse assim, quem iria trabalhar para o privado?

    Quanto às paralelas, grossa mentira.

    Quanto à pergunta ela revela de facto tudo. Um ano deportado para a coreia do norte e, em caso de regresso vivo, talvez fosse possível um mínimo de dialogo


  16. Não foi só sobre o artigo da BW que emitiste um juízo “um bocado precipitado e exagerado”. Lê-se este poste e não se aprende nada, pelo contrário ainda temos de limpar a areia que nos lanças para os olhos.


  17. Prezado Reitor, pela consideração que me mereces, um bocado no pretérito mas enfim, conta lá o que é factualmente errado.

    Opiniões é outra coisa. Tu queres o cheque ensino, e engordar o privado. Eu quero um ensino público de qualidade. Aliás, quando te deu jeito não foste um ardoroso defensor dos professores, da escola pública, e do mais que calhava, no tempo em que cavalgavas no tropel dos professores em luta, lembras-te?

    Agora as tuas batalhas são outras, já reparei até deixar de te ler. Pode ser que a malta se encontre outra vez que o rotativismo por vezes é inesperado.


  18. Encontramo-nos mais depressa do que julgas. Vê aqui o que é factualmente errado na tua prosa: http://educacaosa.blogspot.com/ -.
    Lembro-me bem das minhas montadas. E, ainda hoje, sou um defensor (com menos ardor, vá lá) dos professores e da escola pública. Só que, ao contrário de ti, vejo.
    Vejo que o ensino público só pode ganhar em qualidade se existir, no seu encalço, um ensino privado forte e só tem a perder com o reforço do monopólio Estatal.
    Vejo que o ensino público não é forçosamente oferecido em escolas públicas. Também se oferece ensino público em escolas privadas. E de melhor qualidade, como bem sabem os políticos que lá colocam os filhos.
    Ao contrário de ti, quero um país livre e democrático, que respeite os direitos do cidadão e não que lhe tutele o ensino e a educação dos filhos.
    Como nunca tive o hábito de te ler, dificilmente nos encontraremos. Pontualmente, talvez.


  19. Ah, meu caro. Ante que me esqueça. Nunca em post algum me viste a defender o cheque-ensino. Admiti-o como uma possibilidade, mas nunca o defendi como solução única para nenhum problema.

  20. miranda vieira says:

    Sr. João José Cardoso
    não sei o que o senhor faz na vida ou fez, mas deduzo pelas suas palavras que o seu problema com o financiamento do ensino privado ultrapassa o aspecto monetário e do direito, ou não, da liberdade de escolha dos pais, para se dirigir aos docentes. denoto algum rancor aos docentes do ensino privado como se fossem eles parte dirigente neste processo. denoto algum regozijo na forma como diz “Lembro que havendo professores dos colégios lançados no desemprego só terão de concorrer ao ensino públicocom base na sua nota de formação e experiência profissional (o tempo de serviço no privado continua a contar para o público) como toda a gente.” Ou seja, esse bando de desocupados, sugadores do dinheiro público e admitidos sem concurso vão agora ver como elas mordem. O senhor João José Cardoso tem maus informadores. Saberá o senhor que um professor no privado ganha menos do que no público? Saberá o senhor que um professor no privado trabalha 8 a 10 horas por dia e só recebe as oficiais 22h? Saberá o senhor que um professor no privado não recebe o subsídio de almoço? Saberá o senhor que um professor no privado tem poucos fins de semana livres, tal é o volume de actividades extra-curriculares? Saberá o senhor que um professor no privado não tem redução de horário com a idade? Saberá o senhor que um professor no privado é contratado pelo mérito do seu curriculm e com direito a entrevista? Saberá o senhor que os docentes no privado não acabaram o curso com média de 10 ou não seriam admitidos? Saberá o senhor que há muitos docentes no privado com mestrado e doutoramento e que, apesar disso, não progridem na carreira, ao contrário do que acontece no público? Saberá o senhor que um professor do privado não concorre ao ensino público nas mesmas condições dos seus colegas? Senhor João José Cardoso, discuta a justeza, ou não, da medida do governo, mas por favor, não ataque profissionais competentes, dedicados e esforçados que NADA TÊM A VER com algumas das questões aqui discutidas.


  21. Está enganado Miranda Viera. Tenho bons amigos que também são meus colegas e trabalham no privado.
    Quanto a essa frase, que pode ter sido infeliz, resulta de conhecer também gente que à conta de uma cunha trabalhava uns anitos no privado, até ter tempo de serviço para ultrapassar os seus colegas de curso no público. Vinham com 12 meses de tempo de serviço onde nós só podíamos ter 11. Está-me atravessado, tal como os que faziam o mesmo dando Religião e Moral.
    Truques baixos.
    E sei muito bem que os meus colegas do privado são muitas vezes sobrexplorados e humilhados (servir à mesa os encarregados de educação no jantar de início de ano, por exemplo), uma das boas razões porque acho que voltando os alunos ao público espero que regressem também os professores. Ou esperaria, que as notícias são más para todos

  22. miranda vieira says:

    senhor joão josé cardoso, deduzo, portanto, que o senhor FOI e tem amigos que FORAM professores. não sei se terá amigos que são professores hoje e agora, porque é hoje e agora que as coisas estão a acontecer e devemos analisar as situações no momento, com as condições do momento em que elas decorrem e não com base em rancores do passado. quanto à volta dos professores do privado ao público não será para já. o que teremos, para já, são milhares de professores no desemprego ou então a deslocação de professores com ANOS de serviço a deslocarem-se dos locais onde têm família e vida constituída, há anos, para leccionar umas horitas, completar horário atrás de recém-licenciados, porque os professores do privado são bons para corrigir exames, reapreciar exames (quando os restantes já não estão disponíveis, porque de férias) fazer parte de comissões e outras que tais, porque já não interessam a alguns por terem deixado de ser pagas, mas na hora das regalias… trabalhem malandros, mexam-se malandros!! e não vejo os sindicatos e algumas direcções regionais muito preocupados com algumas situações. talvez, porque os filhos frequentem o ensino privado.

  23. miranda vieira says:

    sim, eu já percebi e é precisamente isso que mais dói. a falta de união da classe e mais, a falta de rigor e verdade de certas afirmações, num espaço, público por alguém com responsabilidades educativas. é por esta e por outras que a classe é tão pouco considerada.


  24. Miranda Vieira, preocupa-me, é evidente, que colegas fiquem desempregados. Em condições normais se os alunos transitam para o público os seus professores teriam lugar nele. Infelizmente não será assim porque é certo no próximo ano serem despedidos milhares de professores.
    Sou solidário com uns e outros.
    Mas sempre lhe pergunto onde estavam os professores do privado quando nós começámos a ser espezinhados.
    Devo ter estado muito distraído mas não vi solidariedade nenhuma.

  25. António Franco says:

    Trabalho no Colégio que escolheu para colorir a sua notícia. Para além de me parecer de mau gosto usar a imagem sem pedir autorização, acho que errou no alvo por motivos que nem me vou dar ao trabalho de explicar, tal é a sua animosidade com um sistema de ensino que não conhece e que caracteriza usando meia dúzia de chavões gastos.
    Parece ignorar que o nosso regresso ao ensino estatal (e não público, porque esse também o colégio onde trabalho é) não passa de uma miragem, uma vez que estamos atrás de qualquer professor que tenha dado uma semana de aulas nesse sistema. Associando isso ao fecho dos Colégios, como se pretende, vamo-nos deixar de rodeios, é desemprego de longa duração pela certa.
    Já agora, e antes que utilize esse argumento, não me venha com selecção de alunos, pois trabalho numa escola com vários NEEP’s e com cerca de 40% de alunos com apoios da Acção Social Escolar.
    Quanto à questão religiosa acho-a uma falsa questão. Temos vários alunos de outras confissões / sem nenhuma, cuja opinião acerca da escola onde andam, foi expressa para a rádio, televisão e vários jornais, podendo, se quiser, ter acesso a ela. Eles (e os pais) não precisam de quem os defenda, pois sabem bem o que querem.
    Da mesma forma que achou a nossa página, se procurar bem, encontra lá as coordenadas de GPS deste Colégio, pois tenho todo o prazer em o convidar para tomar um café a fim de conhecer a nossa realidade e o trabalho que fazemos. Às vezes, descer à terra faz-nos ver coisas que a teoria esconde.
    Já agora, para acabar com os lucros de alguns (as generalizações dão sempre asneira) lançam-se milhares no desemprego. Está bem visto, mas dispenso amigos desses e atitudes que, em nome de um bem maior, levam à frente tudo o que aparece pelo caminho.
    As suas contas sobre custos estão, realmente, mal feitas. Curioso é também o facto de se usarem, como certas, as contas de um Secretário de Estado em que um dos números é uma declaração de intenções e não o custo real, quando, mais adiante, se bate no governo por outro qualquer motivo. Quanto aos números apresentados pela OCDE, como não interessam, não são de fiar.
    Sem mais, até porque tenho que trabalhar e não tenho tempo para me dedicar a grandes escritas so ciberespaço, renovo o convite feito anteriormente.


  26. A imagem é pública, e não vi na página nenhuma indicação restritiva ao seu uso, e nem identifica a instituição (tive esse cuidado). Não vamos discutir a semântica do público/privado, porque começou mal por aí.
    Quanto a coisas realmente importante: conheço o Colégio, sei do seu trabalho, agradeço o convite. Suponho que os meus colegas do D. Duarte e das escolas de Condeixa também o convidariam a visitar os seus locais de trabalho. Eventualmente aproveitariam o café para lhe contarem quantos professores estão sem horário nestas escolas, precisamente porque este e outro colégio lhes retiram alunos.
    Sei muito bem que o seu Colégio foi importante no pós-25 de Abril, quando as escolas públicas não tinham capacidade para absorver todos os alunos. Faço-lhe essa honra, e no lugar do ME teria isso em conta num momento de cortes, tanto mais que não vejo a Companhia de Jesus a ter como objectivo o lucro. Tem de resto um valor simbólico: serve de prova que não os resultados do ranking são dos alunos não são das escolas, já que a mesma entidade consegue os melhores resultados nos seus dois outros estabelecimentos. Aqui nem por isso, quem paga a frequência dos alunos é o estado, e não existe uma selecção, financeira ou da direcção do estabelecimento, de quem a frequenta. Muito significativo.

  27. Jorge Cotovio says:

    «A propósito de custos»
    A propósito de custos, fiz há poucos anos um estudo académico em que comparava os custos aluno/ano de uma escola estatal com os correspondentes em duas escolas privadas com contrato de associação, localizadas na mesma cidade. E cheguei à seguinte conclusão: um aluno na escola pública estatal ficava 112,5% mais caro ao Estado do que um aluno numa escola pública não estatal (ou seja, na escola “privada” com contrato de associação). Porque pode haver confusões, traduzo “por miúdos”: na altura, um aluno na escola estatal custava mais do dobro do que na escola privada (cf. Jorge Cotovio (2004). O Ensino Privado. Lisboa: Universidade Católica Editora, pp. 424-453).
    As coisas mudaram um pouco, entretanto: menos reduções, menos pessoal auxiliar, menos despesas, etc. E procurei fazer há dias alguns cálculos, mais actualizados…
    À falta de dados oficiais sobre custos aluno/ ano nas escolas estatais, é a OCDE que fornece os números: cerca de 5200€ para o ensino básico. Mas como este montante não inclui os encargos sociais que as escolas privadas, como entidade patronal, têm de pagar para a SS e CGA, para fazer qualquer comparação justa devemos afectar este montante em mais cerca de 16%; ou seja, o custo “real” será cerca de 6000€.
    Segundo dados fornecidos pela AEEP, o custo aluno/ ano numa escola privada com contrato de associação custa ao Estado cerca de 4200€.
    Nestas circunstâncias, actualmente, a escola estatal ainda fica 43% mais cara ao Estado do que uma escola privada com Contrato de Associação.
    E havendo dúvidas, desafio qualquer governante, ou sindicato, ou cidadão desconfiado para, em conjunto, fazermos “as contas”. Como há dias me dizia um amigo, a única parceria público-privada que dá lucro ao Estado é esta.
    Mas a questão de fundo não é económica. É de cidadania. A liberdade de ensino é um direito fundamental, e como tal está consagrada na CRP. Paradoxalmente, o regime democrático, tão defensor das “mais amplas liberdades”, procura agora a todo o custo “matar” esta liberdade…
    Jorge Cotovio


  28. Enquanto cidadão, e embora as finanças não sejam a minha área, acho um desafio muito aliciante, mas também difícil: temos um ministério das Finanças que ainda em Julho mentiu sobre o aumento de despesas com pessoal no ME.
    Aliás descobrir que um governo nas presentes circunstâncias políticas compra uma guerra com o PR, a Igreja e mais uns milhares, não para poupar mas para gastar mais, seria uma coisa fantástica.

  29. Jorge Cotovio says:

    E por que não fazer como eu, ir directamente às escolas, consultar os documentos, fazer os cálculos? E comparar, nesta matéria, a escola pública estatal com a escola pública não estatal com as mesmas características? Na escola privada, há transparência, qualquer cidadão pode saber concretamente quanto é que o Estado gasta com cada aluno. Não entendo, porém, como as DRE’s não sabem (ou não pretendem divulgar) os custos das escolas estatais. Caro colega José Cardoso, eu lancei, nessa altura, o repto ao Sr. Ministro da Educação, mas como ele não ficou surpreendido com o resultado, não aceitou a constituição de um grupo de trabalho que fizesse um estudo comparativo justo.

  30. ´Francisco Ramos says:

    Ex.mo Senhor Francisco Ramos.
    Acho interessante, em primeiro lugar a abertura deste debate.
    Alguns comentários:
    Primeiro, é claríssimo com dados da OCDE que um aluno no estatal custa mais 1.000 € por mês que no privado. E ainda vai custar mais… A Parque Escolar foi um “folclore” onde não se pensou no bem dos alunos, mas numa ideologia estatista/estalinista que vai atrofiar o bem dos nossos alunos. Por uma questão ideológica, portanto, e não por um motivo financeiro, tenta-se matar o ensino privado. Em segundo, as escolas com contrato de associação não são privadas, privadas, perdooe-me a redundância. Em terceiro, há uma guerra “surda” por trás de tudo isto, que não faz sentido… Os professores não devem ser divididos entre “estatais” e “privados”… Os sindicatos ainda nada disseram sobre os colegas que vão ficar no desemprego… Em quarto lugar: há maneiras e maneiras de viver e “estar” no contrato de associação. Provavelmente, há entidades a locupletarem-se (apesar do baixo custo por aluno em relação ao ensino estatal… seria interessante também fazermos uma reflexão sobre o esbanjamento de erário público que se faz no ensino estatal) à custa do contratos de associação, mas, seguramente, há muitas que se servem do contrato de associação para servirem os seus alunos e as suas famílias. A maior parte dos coléios com cntrato de associação servem populações pobres, não escolhem os seu alunos, ao contra´rio de algumas escolas estatais, e, nalguns casos, quase metade dos seus alunos estão em condições precárias, devido às situação carenciada das suas famílias.
    Ex.mo Senhor, o Senhor deveria informar-se melhor, visitar escolas com contrato de associação, conhecer melhor também a realidade das escolas estatais, conhecer melhor o tipo de alunos que frequentam a maior parte dos colégios com contrato de associação, provar quais são os colégios com CA que visam o lucro… Seria muito interessante o Senhor falar também de projectos educativos…. Diga-me já agora: há algum projecto educativo neutro? o projecto dito laico das escolas estatais é neutro? Porque devo eu, que pago os meus impostos, não ter o direito de escolher a escola e o projecto educativo para o meu filho? Porque devo pagar duas vezes se não escolher a escola estatal? Uma vez, porque pago a escola estatal com os meus impostos; uma segunda, porque se escolher uma escola privada, devo pagá-la também. Acha justo? Só os regimes comunistas ou facistas querem um escola única. Sabe o que alguns temem? É que quando chegar a hora, e esperemos que chegue, de os pais, através, por exemplo, de um cheque escola, poderem escolher livremente a escola que querem para os seus filhos, o critério de qualidade das escolas passar a ser medido precisamente pelo número de alunos aque escolhem uma escola…. Mas isso, os sindicatos e as escolas estatais não querem… Têm medo da qualidade e da concorrência! Eu quero ter o direito de escolher, sem pagar, porque já pago os meus impostos, de escolher para os meus filhos, um projecto educativo de uma escola pública ou de uma privada! Mas quem tem de decidir isso sou eu e não o Estado!


  31. Jorge Cotovio: a falta de transparência das contas do estado é sem dúvida uma forma de se usarem os números como der jeito.
    Francisco Ramos: as contas da OCDE datam de 2007, e para as achar fiáveis tinha de acreditar nas fontes, os dados do ME, coisa em que não acredito, tanto mais que nessa altura era do interesse político da manipuladora profissional de estatísticas que conduzia o ministério inflacionar os custos da educação, em particular os custos de pessoal. A única forma de chegar a uma conclusão passaria pela metedologia proposta pelo Jorge Cotovio, ou pelo Tribunal de Contas.
    Nesta discussão tenho evitado a parte ideológica, porque me parece sensato separar as duas. Quem entende que deveria ter o direito de optar pelo tipo de escola que prefere não vai mudar de ideias por causa dos custos. Discordo, mas aceito a lógica.
    Mas mal tenha tempo disponível terei todo o prazer em escrever e discutir esse lado da questão, na qual estamos em total desacordo.

  32. Francisco Ramos says:

    Ex.mo Senhor João Cardoso.
    O facto de estarmos em desacordo não garante que o Senhor João Cardoso tenha razão, nem eu, naturalmente. O importante é que a liberdade é um valor que nos trouxe o 25 de Abril e a liberdade de escolha de oferta de um projecto educativo ou a liberdade de escolha de uma escola que ofereça um determinado projecto educativo que sirva para os meus filhos, faz parte dessa liberdade. Eu não vejo como a opção política pela escola única a par da escola privada para ricos, eliminando-se, por isso, os Contratos de Associação, possa entrar num conceito de liberdade de escolha de escola. Eu, para ser livre tenho de poder escolher. E escolher significa que, pelo menos, tenho de ter duas opções (a dos colégios privados sem CA não me são permitidos para os meus bolsos)… Sei que nada lhe estou a ensinar, mas só os regimes fascista e comunistas querem a escola única e… todos iguais!!!… Porque têm os meus filhos de sere “endoutrinados” pela escola estatal que se diz laica? Mas, repito o que escrevi antes: o laicismo é neutro? É possível acreditar-se na “pureza”, na “santidade”, na “bonomia” liberta de “pecado original” da esccola estatal laica? Temos de defender o 25 de Abril e os seus valores de liberdade, pluralismo,… Esta medida de eliminar indiscriminadamente as escolas com CA prova quanto o partido socialista se está a afastar dos ideais do 25 de Abril e a “fascizar-se” e a “comunistizar-se”.


  33. Peço desculpa, mas corrijo um parágrafo no meu comentário anterior: O importante é que a liberdade é um valor que nos trouxe o 25 de Abril e a liberdade de oferta de um projecto educativo ou a liberdade de escolha de uma escola que ofereça um determinado projecto educativo que sirva para os meus filhos, faz parte dessa liberdade

  34. Ricardo Santos Pinto says:

    Concordo consigo, Francisco Ramos. O 25 de Abril trouxe-nos a liberdade de escollhermos a escola que queremos para os nossos filhos. Temos toda a liberdade de escolher para eles uma excelente escola privada. E desde que tenhamos dinheiro para pagá-la, ninguém tem nada a ver com isso.

  35. Carlos Lopes says:

    Alguém me esclarece se o Ensino Estatal é gratuito?
    Parece-me bem que não!
    Gosto da liberdade que aqui vejo defendida por alguns. Pensava eu que os tempos em que erámos livres de fazer o que o Estado queria haviam passado à história. Pelos vistos estão de volta.

  36. José Torrado says:

    Meus amigos! Os defensores da escola laica para todos querem-nos de volta ao antes do 25 de Abril!!!… O Estado tem de garantir projectos educativos diferentes porque todos pagamos os nossos impostos. A mim ninguém me pode obrigar a ir para uma escola estatal. Concordo com o que já alguém disse: isto é ir contra a minha liberdade e o voltar à escola fascista e comunista/estalinista! O que este governo quer, também concordo com alguns, ao acabar com os contratos de associação, é criar de novo a escola laica estatal obrigatória para todos (que rico conceito de liberdade!!!…) e a escola dos ricos para os filhos, provavelmente, dos políticos. Meus amigos, separemos o trigo do joio: há colégios com contrato de associação que não deveriam existir, mas há outros que estão a prestar um excelente serviço às populações. E depois, expliquem-me lá: a escola estatal é gratuita? E são todas boas? Não há escolas estatais que não deveriam existir? É claro!!! Há escolas estatais que se fossem avaliadas correctamente e com rigor, já tinham desaparecido há muito… mas como são pagas pelo erário público, temos de as continuar a injectar com o dinheiro do nosso esforço e trabalho! O que quer fazer o Governo a algumas escolas com contrato de associação é uma vergonha! Esses senhores do governo estão nos gabinetes, longe da realidade, e o ME com os sindicatos defensores das “amplas liberdades democráticas” e a maçonaria deram uma vez mais as mãos para atacarem os pobres e muitos colégios com contrato de associação que defendem estes pobres da nossa sociedade. Repito: há que distinguir e separar o trigo do joio dos colégios com contrato de associação… E há que avaliar com verdade as escolas estatais… até aqui esta avaliação rigorosa ainda não foi feita. Este ataque aos colégios com contrato de associação é um ataque à história … Estamos a voltar ao Maquiavel e ao Estaline. Não foi isto que pretendeu o 25 de Abril!!! Temos de re-fundar o 25 e os seus valores! Esta empresa do Parque Escolar tem de ser bem investigada… Há ali muitos interesses escondidos. E quem paga é o Zé Povinho! E depois, é triste ver um professor a falar contra outros profssores só porque não estão na escola estatal…

    • Ricardo Santos Pinto says:

      «A mim ninguém me pode obrigar a ir para uma escola estatal».
      Concordo consigo, José Torrado. Desde que tenha dinheiro para ir para uma escola privada, ninguém pode obrigá-lo a ir para uma estatal.

  37. Dário Tavares says:

    Opina o Sr. José Cardoso sobre o Ensino particular. É um direito que a liberdade de Abril lhe permite. Mesmo com algumas incorrecções como aquela de afirmar que os professores do particular podem em igualdade com os outros concorrer às escolas do Estado. Há no entanto outra liberdade de Abril que o nosso estado e as correntes ideológicas estatizantes e menos democráticas não toleram. Falo da livre escolha da Escola dos meus filhos. Para si e para o «Eng.» Sócrates, será um choradilho. Mas está inscrito na carta dos direitos humanos. E veja bem, caro cidadão, o que alguns pais se atrevem a pedir, vela bem que indecência, é apenas que por menos dinheiro os deixem escolher a escola para os filhos, de entre as que já existem. Por menos dinheiro. Ninguém está a pedir que o Estado gaste mais com os nossos filhos, mas que poupe gastando menos. Sabe Sr. Cardoso na nossa Eoropa democrática é assim que funciona o sistema de ensino.
    Já agora esclareço que os professores do particular viram-lhe retirado o direito de concorrer com o tempo de serviço nos concursos do Estado. Foi mais um choradilho imposto pelo sindicato do Sr. Mário. Só mais uma coisinha. Mesmo com os lucros a que têm direito numa sociedade livre, o ensino privado poupa ao Estado=a si e a mim, 776milhões de euros por ano…


    • Começo a não ter pachorra para a mentira. Faça favor cite lá a legislação que retirou a contagem do tempo de serviço no ensino privado para os concursos do sistema de ensino público.
      E já agora enumere os países europeus em que o estado subsidia alunos no ensino privado. Não é que não haja, mas se calhar não são tantos como isso.

      • Dário Tavares says:

        Eu diria que começa a não ter pachorra para a verdade. Pergunte aos seus colegas, professores do ensino público não estatal quando concorrem num concurso em que ordem de prioridade ficam por não terem trabalhado numa escola do estado. Quanto à legislação sugiro-lhe que a consulte antes de fazer afirmações menos correctas.
        Mesmo tendo em conta que para acabar com a escravatura e com a pena de morte não tivemos de olhar para o resto da Europa, sugiro-lhe que, em relação ao ensino privado, consulte o se passa na vizinha Espanha, na Bélgica, na Holanda, na Polónia, na Inglaterra desde o socialista Blair…só para lhe citar alguns…


  38. Ah, não aparece o decreto. Testemunhos em contrário tenho aqui:

    http://www.aventar.eu/2010/11/10/ensino-publico-e-mama-privada/

  39. Dário Tavares says:

    Basta olhar para o título para ver a isenção das suas fontes…
    Penso que deve saber que para um concurso de professores existe um regulamento do mesmo. Deixe um pouco o blog de lado e consulte, como sabe a net permite isso, o regulamento dos últimos concursos. Aí terá vossa excelência a legislação que devia ter consultado antes de escrever o que não é verdade. Tenha uma boa noite.


    • O texto é meu, e referia-me a um comentário que lá está. E o ónus da prova era seu me caro

      • Dário Tavares says:

        Já lhe disse onde pode encontrar o que pretende. Consulte os regulamentos dos concursos dos professores. Quanto ao ónus, eu tenho por norma que quando afirmo qualquer coisa, ela seja verdadeira. A inverdade foi o senhor que a publicou. Já lhe disse onde pode encontrar e repor a verdade. É claro que pode ignorar como fez com os países europeus que citei. Está no seu direito.
        Do que li fiquei com a ideia que o meu caro cidadão é uma pessoa inteligente. Por isso, entenderá o óbvio. Os ricos preferem ter os filhos em Colégios particulares. Porque será? Porque haverá filas de espera para Colégios como o S. João De Brito, dos Jesuítas, Oficinas de S. José e Escola Salesiana do Estoril dos salesianos. Ali paga-se e bem e só os ricos o podem fazer. Agora veja, os contratos de associação permitem aos pobres ter acesso a escolas dos Jesuitas em Cernache, dos salesianos em Poiares, Mogofores e Colégio dos Órfãos. E, como o senhor já teve oportunidade de aprender neste blog, estas escolas são 40% mais baratas para os nossos impostos. E o senhor acha que os pobres que têm os filhos nessas e noutras escolas do género, devem perder esse direito, mesmo que o Estado passe a pagar mais por aluno e por menos qualidade e contra a vontade dos Pais. Acha que isto é inteligente? Acha que é democracia? Acha que é bom para o País despedir pessoas para lhes pagar o subsídio de desemprego e contratrar outras que gastarão mais? E volto a lembrar, consulte o que se está a fazer nos países que lhe citei.
        A minha inteligência não me permite estar de acordo com medidas ideológicas que se tornam socialmente injustas e que tiram direitos aos mais pobres.


        • Pode requerer a contagem de tempo de serviço, aqui:

          http://www.dren.min-edu.pt/index.php?controller=cms&action=view&id=1264

          Tem manual de instruções e tudo e tudo e tudo.

          • Dário Tavares says:

            Obrigado pela sua gentileza. Mas não estamos a falar do mesmo. O senhor afirmou que o tempo de serviço do ensino não estatal é contado aos professores para o concurso de professores. É isto que não é verdade e é discriminatório. O tempo de serviço conta para a carreira. Nunca disse o contrário. Não conta é para o concurso. Digamos que é mais uma manobra pouco inteligente. Depois de entrar no estado o tempo de serviço conta. Para o concurso não conta. Daí que se tiver um professor com um mês de serviço no Estado e um com 500 anos no privado, entra em «igualdade de circunstâncias» o que tem o mês de serviço. E o meu caro cidadão acha que isto está bem assim. E não se esqueça, se quiser confirmar o que lhe estou a dizer basta fazer como fez, faça uma busca aos regulamento do concursos. Não o quero deixar sem a legislação.

  40. António Peseiro says:

    O 25 de Abril está de “cangalhas”… Isto da escola estatal única é uma “trafulhice” que estão a fazer ao povo português! Escola laica? Concordo com o que alguns dizem: estamos a voltar ao tempo do fascismo e do comunismo! Bem visto! Quem optar por outra escola que não seja a estatal, dita da religião laica, porque o laicismo é mesmo uma religião, terá de pagar o ensino dos seus filhos duas vezes! Mas, quem é o Estado para se arrogar no direito de educar como quiser os meus filhos? Porque razão os cidadãos não podem propor e escolher outro projecto educativo com os fundos do erário público, os quais são eles alimentados? Porque não pode escolher um pai a escola? Sabem porquê? Porque o ensino estatal não quer concorrência!!! Assim não há comparações! Eliminar os colégios com contrato de associação é, como dizem algumas pessoas neste blog, criar a escola dos ricos e dos pobres. Eu conheço muitas escolas com contrato de associação e nunca escolheram os seus alunos, ao contrário do que vai acontecendo com algumas estatais… Por isso a IGE anda, por este motivo, em cima de algumas destas. Se isto acontecesse nalguma escola com contrato de associação a IGE já as teria fechado, mas como são estatais… E depois, senhor João Cardoso, o senhor que é professor, segundo diz por aí alguém, o senhor não tem vergonha de atacar colegas seus que ensinam no privado e que tenho a certeza que muitos deles serão muito mais competentes que o senhor? Mais uma coisa: alguém neste blog diz que se tem de separar o trigo do joio… E bem! Será que o Senhor não encontra nenhuma escola com contrato de associação que valha a pena e que mereça a pena manter? Já agora: por acaso conhece alguma escola pública que mereça ser fechada? Olhe eu conheço porque tive lá filhos e agora netos!!! Mas gostaria que me dessem a possibilidade de escolher outra escola e, se possível, outro colégio com contrato de associação que vou conhecendo in loco e que não merecem ser fechados!


    • O laicismo é uma religião? Ó homem vá ao dicionário.
      Já agora, como é que você tem a certeza que há professores mais competentes que eu no privado? conhece-me de algum lado?


  41. Decreto-Lei n.º 35/88 de 4 de Fevereiro:
    Da ordenação dos candidatos
    Art. 12.º – 1 – Dentro de cada uma das situações referidas no artigo anterior, os candidatos serão ordenados de acordo com a sua graduação profissional, determinada em função dos seguintes elementos:
    a) Classificação profissional;
    (…)
    c) Tempo de serviço docente prestado no ensino particular e cooperativo, nas condições referidas na alínea anterior, computado nos termos dos Decretos-Leis n.os 553/80, de 21 de Novembro, e 169/85, de 20 de Maio, alterado pelo Decreto-Lei n.º 17/88 de 21 de Janeiro, desde que certificado pela Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, quer tenha sido prestado antes ou depois da entrada em vigor do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, excepto o exercido no decurso do período referido na alínea b) do n.º 1 do artigo 22.º deste diploma;

    Mais instruções aqui: http://www.profblog.org/2009/02/docentes-com-tempo-de-servico-no.html

    E agora vá rezar 50 avé-marias e 100 padre-nossos, que mentir ainda é pecado. Ou também preciso de lhe citar o catecismo?

  42. Dário Tavares says:

    O cidadão João José, não será um pouco precipitado nos seus juízos? Que eu saiba, tirando quando escrevo os seus muito católicos nomes, nunca meti a Religião ao barulho. Até apelei sempre à sua inteligência. Mais uma vez obrigado pela sua eficácia na busca da legislação. Obrigado em especial pelo decreto-lei do séc. passado. Mas, por favor, busque o que eu lhe pedi: o regulamento do concurso de professores deste século. Se precisar eu até posso rezar as Avé Marias e padre-nossos com que o senhor, armado em confessor, me penitenciou. Mas encontre o tal regulamento. Não lhe vai custar nada pois já vi que é fantástico a encontrar legislação.
    No entanto gostava também de saber o que diz a sua inteligência sobre a minha dificuldade em entender como pode um governo socialista impôr medidas ideológicas que se tornam socialmente injustas e que tiram direitos aos mais pobres e como pode o senhor estar a defender tais medidas…


  43. Siga o link. Essas instruções são para o último concurso.

    E boas orações.

  44. Dário Tavares says:

    Se a sua preocupação agora são as orações eu rezo, mesmo sem o reconhecer como confessor. Mas até acho que tem um certo jeito. O seu problema é que ainda não mostrou o sítio onde está estipulado a ordenação de candidatos. Sabe eu sou de compreensão lenta. E logo por azar tenho cá em casa alguém que concorreu nas condições que continuo a afirmar existirem e que são discriminatórias. E o sindicato onde foi buscar a legislação, que também já foi o meu, pelo menos ficou calado. Aqui sim devo penintenciar-me quando disse que o Sr. Mário sindicalista tinha contribuído e apoiado a situação. Disso eu não tenho provas e por isso para ser coerente não o devia ter escrito. Mas lá que o tal sindicato nunca protestou contra essa injustiça, isso posso continuar a dizê-lo.
    Volto a insistir para que me ilumine sobre a minha dificuldade em entender como pode um governo socialista impôr medidas ideológicas que se tornam socialmente injustas e que tiram direitos aos mais pobres e como pode o senhor estar a defender tais medidas…

  45. António Franco says:

    Realmente, quem do ensino privado quer concorrer ao público, fá-lo numa 2.ª prioridade, atrás de quem tenha, nem que seja um dia de serviço, nos últimos dois anos, no ensino estatal. Assim é impossível ficar colocado.
    A legislação citada apenas refere que o tempo conta mas a ordenação é feita depois de todos os outros, ou seja, só serve para desempatar os que vêm do privado.
    De qualquer forma não é minha intenção concorrer, pois ainda tenho alguma esperança que o pluralismo não desapareça e o bom senso prevaleça.
    PS: Já tomei café nessas escolas. E alguns colegas dessas escolas já tomaram café na minha.

  46. Dário Tavares says:

    Obrigado por me ter livrado da minha penitência, pela sua honestidade e bom senso. O País precisa muito de pessoas como o cidadão António Franco
    Quanto ao Sr. João José e resolvida esta questão falta responder-me ao mais importante, que repito:
    Volto a insistir para que me ilumine sobre a minha dificuldade em entender como pode um governo socialista impôr medidas ideológicas que se tornam socialmente injustas e que tiram direitos aos mais pobres e como pode o senhor estar a defender tais medidas…

  47. maria fidalgo says:

    É confrangedor ler os comentários do sr. José Cardoso. é triste e lamentável perceber que aquilo que ele debate não é o valor do ensino, quer seja privado ou não, mas antes arremete, veladamente, contra uma classe de profissionais que também é a dele. triste e lamentável. são todos professores e deveriam estar todos empenhados no bem comum e na credibilização da classe. espero que o exemplo que o sr. José Cardoso aqui deixa não seja representativo da atitude de todo um conjunto de professores que leccionam na escola pública porque, a assim ser, será mais uma razão para a manutenção dos nossos filhos nas escolas privadas.

  48. Manuel Pereira says:

    É mentira que os professores do ensino particular estejam em paridade com os do estatal para efeitos de concurso. Os anos de serviço contam, mas há alguns anos o Ministério arranjou uma engenharia para evitar o salto, decretando que ficam em segunda prioridade os professores que não tiverem dado aulas no ensino público (estatal)nos últimos dois anos. Assim, um professor com um dia de trabalho nas ditas escolas, fica à frente de um com vinte e cinco anos num colégio.

    Mas o que eu não percebo é porque o Estado comparticipa medicamentos e nos deixa a liberdade de escolher a farmácia, e é pródigo em tantas escolhas, mas não nos deixa escolher livremente a escola e os educadores que queremos para os nossos filhos. Aliás, percebo. Não há escapatória ao modelo estatal de educação(?). Não pode haver nenhuma brecha no figurino ideológico da educação estatal para manter o controle da sociedade.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      E na Sáude devia ser igual. Querem ir ter bebés para as Ordens privadas? Paguem! Nem um tostão essa gente.

      • Dário Tavares says:

        Boa noite, cidadão Ricardo
        Parece que está um pouco zangado com o mundo. Já agora deixe-me dizer-lhe que se ainda não estragaram o sistema de saúde, os meus filhos nascerão sempre no serviço do Estado. Pelo menos, até há 8 anos era mais seguro do que o privado e era um serviço de excelência.
        Se leu com atenção o que está escrito para trás, o que se pretende é que as classes mais desfavorecidas tenham acesso, gastando menos dinheiro dos seus e meus impostos, tenham direito a escolher escolas que consideram mais adequadas para os seus filhos. Acha que isto é pedir demasiado? Repito gastando menos dinheiro dos impostos!


    • Claro que concorrem atrás dos professores do quadro. Queria o quê? uma vaga na função pública de reserva para os professores do privado?
      Não faltava mais nada. Ou nos colégios também há vagas à espera dos professores do público que queiram mudar?

      • Dário Tavares says:

        Eu não queria nada. O senhor esqueceu-se do princípio. Escreveu uma afirmação incorrecta. Viu que o estava. Pronto.
        Mas sabe, qualquer professor do estado pode concorrer para uma escola privada, enviando o seu curriculo e mostrando que tem mais competências que os outros. Como em qualquer empresa a Entidade patronal escolherá quem entender ter o melhor perfil. Se não acabarem com os colégios pode mandar o seu curriculo.


        • “Já agora esclareço que os professores do particular viram-lhe retirado o direito de concorrer com o tempo de serviço nos concursos do Estado. Foi mais um choradilho imposto pelo sindicato do Sr. Mário.”
          A afirmação incorrecta foi sua. Quer insistir nela?

  49. Dário Tavares says:

    O cidadão João José desapareceu . Espero que esteja convencido do absurdo das coisas que afirmou e esteja agora com uma visão mais informada sobre o antes opinou. A não ser que esteja ocupado a cumprir a penitência que me decretou. Nesse caso, deixe lá, errar é humano e a grande virtude é saber recomeçar. E o senhor nem teve de cair do cavalo….

  50. António Pedro says:

    Sr. Ricardp:
    Existe realmente uma diferença entre os portugueses de 1.ª e os de 2.ª: é que uns pagam nos médicos privados e, depois, são reembolsados de parte das despesas e outros pagam, na totalidade, do seu bolso.
    Também aí devia aplicar os princípios que defende.
    Se acha que não deve haver um tostão para “essa gente”, sugiro-lhe que aqueles que podem, deixem de entregar os recibos para a ADSE lhes pagar parte do que gastaram, que como sabe é o que, também, acontece com as parturientes (enquanto as houver).
    A coerência, ou a falta dela, é terrível.

  51. António Pedro says:

    Quem são os outros? Esta maneira de se referir aos outros diz tudo….
    Tão informado e não sabe que no sector privado os descontos são maiores, já para não falar na parte descontada pela entidade patronal?
    Quanto ao seguro, também o senhor o pode ter. Eu não tenho e, por isso, pago os médicos integralmente do meu bolso. Sou um sortudo.
    Acabo a minha participação por aqui, pois gosto de discussões sérias.
    Pass bem.

  52. fernando lopes says:

    vamos lá a ver se nos entendemos. o estado paga à escola pública a educação das nossas crianças, certo? paga a quem? a si próprio. com que dinheiro? com o nosso.
    o estado paga a colégios com contrato de associação a escola das nossas crianças, certo? paga a quem? a um privado. com que dinheiro? com o nosso.
    ora, parece-me que num e noutro caso o estado paga. certo? com que dinheiro? com o nosso.
    os colégios com contrato de associação recebem crianças de todos os estratos sociais, certo? dessa forma estas crianças têm acesso a um forma de ensino que lhes seria vedade se estes contratos não existissem, certo? porquê tanto alarido, então?
    eu prefiro que o nosso dinheiro esteja nas mãos de um bom gestor, e o estado, constatamo-lo todos os dias, não o é, a pagar um serviço de qualidade, que é prestado à educação das nossas crianças pelos colégios privados, do que a ser desbaratado não sabe em quê.
    acho que, uns por despeito e outros não sei porquê, andam aqui a discutir nada, quando há tanto contra o que se insurgirem, e aí sim, com razão.

    só uma perguntinha: quantas escolas privadas fecharam no dia 24? onde é que nosso dinheiro rende mais??…


    • Os colégios privados, que abusam do horário de trabalho dos professores, onde se passam as maiores trafulhices, que você elogia por os professores não terem feito greve, isso é que é um serviço de qualidade.
      A encher o bandulho do seus proprietários, com o dinheiro dos meus impostos, é claro.

      • Dário Tavares says:

        Cidadão João José
        Então o senhor sabe disso tudo e não faz uma denúncia desses colégios. Não pode ser cumplice desses atroplelos e não denunciar. Força, denuncie. E veja bem, os inspectores da educação e os do trabalho são mesmo incompetentes. Não detectaram nada. E os sindicatos continuam a dormir. Que raio de País. Só uma pequena correcção. Não é com o dinheiro dos seus impostos. Já se esqueceu do que aprendeu aqui no aventar. Nos colégios das elites, pagam os ricos, o senhor paga zero. Nos colégios onde os pobres têm acesso e a quem o senhor quer tirar esse direito, é verdade, é capaz de haver algum dinheiro dos seus e dos meus impostos. Mas como já aprendeu ainda estamos a poupar porque se esses alunos esivessem numa escola do estado, saíam mais caros.
        Tenha um bom fim de semana.


        • Não são mais baratos. Não são uma poupança: é a iniciativa privada à portuguesa: a mamar do estado.
          Quanto ao resto aqui só aprenderia a mentir.
          E um bom fim-de-semana para si também.

  53. Dário Tavares says:

    Já li e ouvi em qualquer lado que « um cego é aquele que não quer ver».
    Terei todo o gosto em lhe apresentar no local vários colégios ao serviço dos mais pobres e das comunidades e a poupar dinheiro ao nosso orçamento. Verá como está a ser injusto.
    Quero agradecer-lhe a sua capacidade de diálogo. Mostra que há em si uma capacidade para ouvir o outro. Não se deixe limitar pelas formatações e preconceitos irracionais e veja por si como há pessoas que dão a sua vida pelo ensino aos mais pobres e não enriqueceram e alguns deles nem dos salários usufruem. Só não são é notícia dos jornais e nem dos blogs. Certamente já uma ouviu falar numa tal Madre Teresa de Calcutá. Pode ter a certeza que sem o seu protagonismo há gente que dá a sua vida da mesma maneira e em muitos locais, servindo doentes, estando no ensino ou ao serviço de quem precisa. Alguns «doidos» até desfrutam o seu período de férias indo para África, Haiti …para em condições precárias e em desconsforto total para servir os outros. Porque os conheço e admiro e até tenho uma certa inveja de não conseguir ser tão generoso como eles, acho que lhe faria bem conhecer quem não vive pelo vil dinheiro e talvez evitasse certas frases cuja formatação são uma grande injustiça sobretudo para essas pessoas.

  54. eugénia lima says:

    o senhor joão josé cardoso é uma pessoa muito incoerente. não se decide. ora ataca os professores do privado, como no momento a seguir eles são uns escravos dos patrões e estes é que são os maus da fita, e os pais se querem colégios paguem-nos. afinal, senhor joao josé, qual a verdadeira razão para estar contra o financiamento do ensino privado? será que o senhor faz parte daquele “pequeno” grupo de portugueses que fala por falar? critica por criticar? temos todos que ter opinião, então dizemos a primeira banalidade que nos vem à cabeça e quando alguém tenta aprofundar a questão… metemos os pés pelas mãos e, sem dar a mão à palmatória, continuamos no nosso enxurrilho de disparates. perceba que entre esbanjar os meus impostos em não se sabe o quê ou permitir que os nossos filhos usufruam de um ensino de qualidade (aqui é que está o busílis) eu prefiro, bem de longe, a segunda opção. sim, sou uma mãe que tem os filhos num colégio com contrato de associação, sóo porque este contrato existe.

  55. manuel litério says:

    joão josé,

    vale mais que o dinheiro dos seus impostos encha o bandulho dos proprietários, que ainda assim fazem algo de útil, do que encher o bandulho da nossa classe política e seus comparsas.

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