Mudanças

(adão cruz)

Casa nova, por sinal bem bonita e arejada. Hoje, quando fui ao Aventar, tive aquela sensação que se tem quando se muda de casa. Salas diferentes, cozinha e quartos diferentes, vistas diferentes. Pareceu-me, no entanto, que esta mudança se deu dentro do mesmo quarteirão, dado que os vizinhos são, praticamente, os mesmos, o que muito me alegrou porque a sensação de mudança torna-se, assim, mais suave.

Sem qualquer tipo de analogia, esta mudança trouxe-me à mente a ideia de que tudo muda na vida, mudamos nós, mudam os outros e mudam as circunstâncias. Tudo no mundo muda, umas vezes para melhor e outras para pior. Toda esta reflexão me fez lembrar, nestes tempos de drásticas mudanças, uma das mais fantásticas mudanças que o mundo sofreu, a que resultou da Revolução de Outubro. Revolução que foi o primeiro acto de ruptura com o capitalismo e o primeiro exemplo de uma sociedade nova. Uma sociedade que demonstrou, apesar dos desaires que atravessou e que a atravessaram, que não há alternativa ao socialismo, noção que é, sobretudo hoje, nesta bandalheira universal em que estamos atolados, muito mais clara e transparente.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi decisiva para alguns dos mais importantes avanços históricos da humanidade, para um equilíbrio de forças nunca possível sem ela, bem como a grande obreira da paz no mundo, com a sua decisiva intervenção na Segunda Guerra mundial. Como todos sabem, mesmo que olhem para o lado, as tropas americanas só intervieram depois da batalha de Kursk, quando se tornou evidente que o exército vermelho, sozinho, venceria os nazis. A Batalha de Kursk foi uma tremenda batalha na Frente Leste. É considerada a maior batalha de blindados de todos tempos, e inclui o maior custo de perdas aéreas em um só dia na história da guerra. Absolutamente decisiva para a derrota nazi.

A pior mudança para a humanidade deu-se com a queda da União Soviética. Ainda hoje o mundo não se deu conta da brutal perda que daí adveio. A queda da URSS constituiu uma grande tragédia para a humanidade. Sem ela perdeu-se o equilíbrio de forças, abrindo caminho a todos os horrores, crimes e misérias do capitalismo, hoje evidentes aos olhos mais cegos. As falhas, por vezes grandes, da sociedade socialista, não anularam, para quem quiser analisar os fenómenos históricos com seriedade, a ideia de que a sociedade soviética foi a mais justa e humana de todas as que se conhecem. E, como todos sabem, essa sociedade ruiu, essencialmente, pelo agressivo poder dos inimigos exteriores e também por factores internos, como a existência de sabotadores que mais não eram do que aliados dos inimigos externos, a perversão do patriotismo, a ambição, a degenerescência mental e a perda da dignidade de muitos dos que tinham sobre os ombros grandes responsabilidades na prossecução da meta socialista. Não foram os valores sociais que acabaram com ela. O mundo é feito de mudança, mas hoje o mundo está bem pior, menos livre, menos justo, menos solidário e menos pacífico. Em nada me custa a acreditar que uma das principais causas reside no desaparecimento da União Soviética, um contrapoder indispensável à furiosa ganância, desumanidade, crueldade e selvajaria imperialista e capitalista.

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