Bruni, a grande ausente da Cimeira da NATO

Carla Bruni (2)

Há dias estava sentada no Café de La Paix. Com quem? Segredo. Absoluto segredo. Quem a viu e observou, calou-se. No famoso café, havia outras mulheres sofisticadas e de elegante porte. Os maridos estavam ocupados nas grandes tarefas governamentais ou do alto empresariado. Elas, por sua vez, esquivaram-se para as habituais conversas de café. Namoricos, dizem os maliciosos. Conversas de amigas e amigos, consideram os bem intencionados. A propósito, deve realçar-se que, entre todas, Carla Bruni era a mais bonita, afável, sensual e informal. Vestia ‘jeans’ e um casacão de cabedal castanho claro, a sobrepor uma camisola de lã, cor de marfim . Em estilo coloquial, falava, sorria e encantava.

É Paris da ‘LA VIE EN ROSE’. Dos intelectuais e artistas de todas as artes e da moda. Dos perfumistas de requintados aromas, doces ou frescos.  Das lojas de luxo da Place Vendôme. Paris, enfim, do charme inspirado e expirado por todos os interstícios das moléculas corporais. Não pelo corpo obeso da concièrge imigrante; mas sim pelas Brunis que ornamentam as esplanadas dos Campos Elísios, da Ópera, de Saint-German-des-Prés ou de outros cantos e recantos da Cidade Luz. Todo esta paisagem urbana nos  entrelaça e embriaga. Tal como Carla Bruni, primeira dama postergada pela atividade política de Sarkozy. Sobretudo, se Angel Merkel, essa mulher tipo 2.º sargento, e o funcionamento do eixo franco-alemão  exigem a presença de Nicolas.

Carla Bruni está habituada às voltas e contra-voltas do marido na política. Desta vez, para a cimeira da Nato e à semelhança de Michelle Obama, Bruni decidiu não viajar até Lisboa. Não lhe relevo a falta. A ministra da cultura Canavilhas, como anfitriã de primeiras damas, ficou órfã de duas figuras importantes, na visita ao Museu do Design e da Moda. Joe Berardo estava frustradíssimo. Coitado do bom povo português que, assim, ficou impedido de mostrar os sinais de riqueza dos poucos portugueses verdadeiramente ricos. Sim, porque a miséria, essa, não carece de exibição especial. Vê-se em qualquer lugar e à vista desarmada. Um facto digno de registo: ambas foram poupadas a esta parte do espetáculo.

(P.S. – À última hora, soube-se que o marido de Angel Merkel, portanto um primeiro damo, foi visto no Largo de São Domingos, a beber uma “ginginha”… sem elas. Auf dein Wohl, Freund!)

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