A fundeira da Nato

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Parece que a Rússia, velha madrasta dos povos seus vizinhos, acasalou com os EUA e seus protectorados. Que tenham muitos meninos.

O inimigo, a indústria da guerra e os impérios precisam de um inimigo, está-lhes no sangue, é agora oficiosamente o Irão. A velha Pérsia renasce desta vez como anedota, e dada a desproporção de forças daria vontade de rir se a ameaça não fosse séria. O Afeganistão não chega, há que arranjar outra guerra para gastar a pólvora.

Claro que o inimigo é outro, para Oriente  mas bem maior, e já passou da ameaça ao concretizar, por enquanto pacífico, da sua condição de novo império dominante.

Os impérios têm tido na História da humanidade hábitos muito regulares: nascem, crescem, dominam, e entram em decadência. O norte-americano que vai para um século arrumou o inglês a um canto da História, está na fase descendente, é a vida rapazes. Um outro nasceu (aliás, renasceu, mas o euro-centrismo histórico nem deu por isso), e já distribui o jogo na economia. Não deixa de ser simbólica a passagem do presidente chinês por Lisboa em vésperas da cimeira.

Porque primeiro manda a economia, ó estúpidos, o capitalismo chinês no seu estádio supremo vai fazendo mossas, colocando as suas  peças, principalmente em África, mas acima de tudo na compra das dívidas dos outros e no domínio dos mercados.

Infelizmente nunca assistimos a uma mudança do império dominante sem sangue, de preferência o dos outros povos.

Que faz a encolhida Rússia ao pé da Nato? olha para Sul, e não é para o Irão. Lá atrás o Império do Meio ultrapassou as suas bordas e lança-se à conquista do mundo.

Entre mortos e vivos, só nos resta tentar escapar.

Ah, e já agora: decididamente Portugal está na cauda da Europa: nem manifes com porrada, nem black block, só a polícia em treinos, para o que vem a seguir. É triste ter um governo tão provinciano que retirou aos seus visitantes o charme dos grandes eventos internacionais.

Comments

  1. Baldaquiana says:

    Estive na manifestação. Curiosamente os temíveis elementos anarquistas foram considerados “persona non grata” tanto pelos organizadores da manif – encabeçados pela CGTP – como também pela PSP. Daí que cerca de 200 manifestantes supostamente “perigosos terroristas”, foram “blockeados” por cerca de 300 “agentes de segurança”.
    Se a ameaça à segurança são meia dúzia de putos pacifistas então o que é a escalada de fabrico e aquisição de armamento que alimenta e justifica a existência da NATO?

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