Momento erótico: a UGT entrega-se ao Governo

A UGT, sempre convenientemente debruçada sobre a mesa das negociações, espreita o Governo por cima do ombro e finge-se indignada com o facto de se ter vendido. Enquanto está a ser devidamente usada, vai produzindo frases pornográficas no mau sentido, fingindo, ainda, que manda na relação, chegando mesmo ao ponto de dizer ao amado que “dê corda aos sapatos”. Com uma voz sensualmente irada, abafando um risinho mal disfarçado, a UGT fala na necessidade de andar mais depressa com “políticas activas de emprego”, expressão que provoca no Governo uma leve tremura, ao ver em tudo isto uma suave reprimenda que quer dizer “sim, sou tua”.

Simulando um amuo e fazendo beicinho, a UGT refere-se aos riscos que correu por ter assinado o “acordo tripartido de concertação social”, um sacrifício que lhe poderá ter valido perder a fama de mulher séria, fama perseguida por qualquer central sindical que se queira dar ao respeito.

O Governo, exibindo o autodomínio de um Casanova dominador, faz juras de amor que não está preocupado em cumprir, ciente de que a presa está segura e de que voltará a dobrar-se sobre a mesa sempre que lhe for ordenado. O Governo, diz, por exemplo, que será o aumento de produtividade o meio para combater o desemprego e os salários baixos “de forma efectiva”, palavras que terão feito gemer a UGT, já predisposta a abrir o robe e a exibir a lingerie.

Para não perder o encanto, o Governo acrescenta que “proteger o emprego que existe não pode gerar entraves à criação de novos postos de trabalho” e que é preciso “encontrar um equilíbrio” face ao grande problema do desemprego jovem que existe em Portugal.”

Neste momento, a UGT rouqueja, sentindo um suave arrepio ao longo do corpo, pronta a abandonar-se. É, então, que descobre uma janela onde outros vêem abismos, como é próprio da ilusão amorosa. Nesse momento, o Governo puxa-a para si e tudo termina em gemidos e suspiros.

Comments

  1. Esta é tão só uma demonstração daquilo que são e foram as centrais sindicais, uns palhaços que riem conforme lhes mandam a um preço que talvez um dia nós possamos avaliar qual foi o preço que receberam e os prejuízos causados a quem trabalha e a toda a economia portuguesa, FP.

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