Raul Vaz mentiu

Quando se fala de sindicatos e de educação a FENPROF é a referência que todos têm e isso, num universo sindical completamente pulverizado, nomeadamente por quadros de direita (PSD) que, nos tempos do Cavaco Primeiro, se distribuíram por amostras de sindicatos. Ontem, ao fim da tarde, quando ouvia, no carro, o programa de debate da Antena 1, Contraditório, o Vaz dizia, ali pelo minuto doze, que o líder da FENPROF, Mário Nogueira, tem esse papel há décadas.

Ora, creio, poder escrever com toda a FORÇA que as palavras podem ter: Raul Vaz mentiu porque, Mário Nogueira não é o líder da FENPROF há décadas.  Poderá o senhor comentador visitar um texto escrito há uns tempos com algumas perguntas sobre o mundo sindical docente. Talvez aí encontre alguma informação que ignora. Ou não!

Repare, caro leitor, há um ano, a FNE (laranja) assinou um acordo com os patrões do privado que levou milhares de professores do privado ao desemprego e outros tantos ao desespero. Pois agora, junta-se ao coro dos patrões. Coerências! Mas, sobre isto, o Comentador não tem nada a dizer…

Sindicalismo laranja

Lugar comum nº 1, repetido vezes sem conta: Mário Nogueira é comunista.

Lugar comum nº 2, repetido tantas vezes como o lugar comum nº1: Mário Nogueira é líder da FENPROF há milhares de anos.

Lugar comum nº3, repetido mais vezes do que os lugares comuns anteriores: os Professores são todos comunistas.

Com base neste conjunto de lugares comuns o Miguel Noronha, do Blasfémias dá voz ao papagaio António Barreto. Um texto sem conteúdo a que importa acrescentar algumas pistas para que o Miguel possa ter mais dois lugares comuns na sua cabeça:

a) Quem está há mais tempo na liderança? Mário Nogueira na FENPROF ou João Dias da Silva na FNE?

b) João Dias da Silva é militante de que partido? Boa parte dos dirigentes da FNE são dirigentes de que partido?

Conclusão: porque é que os blasfémias não escrevem sobre os laranjas o que escrevem sobre os comunistas?

Assim, estou convicto de que o Miguel Noronha poderá reflectir sobre uma área que domina – a Educação – com mais conhecimento. Poderá, por exemplo, relembrar o que escreveu quando Nuno Crato obrigou os meninos deficientes (alguns dos quais nem uma letra conseguem ler) a fazer o exame do 4º ano. Sim, foi algo que aconteceu a meio do ano. E, se a sua linha é o famoso mérito, poderá até procurar o que escreveu quando Nuno Crato acabou com o prémio para os melhores alunos do secundário, decisão que foi concretizada no ano seguinte ao que permitiu os alunos ter esse direito. Isto é, não foi no meio do jogo – foi depois do jogo ter acabado.

Mas, tenho um palpite – Miguel Noronha, como João Dias da Silva e a FNE estiveram distraídos enquanto Nuno Crato foi Ministro.

O sindicalismo conformado da UGT

Questionado sobre se há aproveitamento político dos números do desemprego, Carlos Silva realçou que “a UGT não entra no processo partidário” e que “não vale a pena esgrimir os números oficiais” [RTP]

Nebuchadnezzar descarrega EMP no site da UGT

UGT

(site da UGT depois do ataque informático desta noite)

Há “rebeldes” chateados com o líder da UGT. Ser funcionário (e assalariado) de uma instituição tão importante para a matrix como o BES é um fardo pesado. Principalmente quando se trata de um líder sindical que aceitou renegociar com o governo, propostas referentes a alterações ao Código do Trabalho, recentemente chumbadas pelo TC. Propostas de popularidade muito questionável…

Será que o forçaram a tomar o comprimido azul?

A idade é um posto

cratinicesPor Henrique Monteiro

Foram Novamente Enganados

Já aqui escrevi quase tudo sobre a prova.b&w1 (2)

Na altura certa coloquei algumas reservas ao domínio laranja sobre a FNE. Sim, do PSD. Porque se a FENPROF é acusada de ser um braço do PCP, creio que as práticas sindicais da FNE não deixam muitas dúvidas sob o farol que a guia.

Entre os Professores, um pouco por todo o país, crescia a indignação contra a Prova. Sentia-se, em cada escola, um conjunto de sentimentos muito semelhantes aos que apareceram no tempo da Ministra Maria de Lurdes.

Parece-me que a palavra recuar estava escrita nas estrelas porque a Maioria (que nos rouba diariamente) não está em condições de aguentar uma guerra longa com a única classe que verdadeiramente luta contra os diferentes poderes.

A UGT e a FNE, como sempre, estavam ali à mão de semear e uma reunião entre militantes na São Caetano permitiu encontrar uma saída. A prova já não é para todos – é só para alguns, para os que não têm 5 anos de serviço. Confesso que não fiquei surpreendido porque não tenho qualquer tipo de expectativas sobre as práticas sindicais da área da UGT.

Não há meias lutas, nem tão pouco meias vitórias.  Na luta contra a prova só há uma vitória, que até pode chegar pela decisão de um tribunal. Com o acordo de hoje, entre os sociais democratas, até parece que o MEC sai bem na fotografia, que a FNE salva o seu governo, mas, caramba, quem se lixa são sempre os mesmos…

Agora a questão é simples: a prova era um erro ontem e é um erro hoje, seja para quem tem pouco tempo de serviço, ou para quem leva anos disto.

Logo, só nos resta continuar.

Como?

Indo a Lisboa, ao Parlamento, na próxima 5ª feira.

Nota: confesso que me apetecia escrever mais qualquer coisa, por exemplo, questionando o que estiveram a fazer nas ruas do Porto no sábado de manhã, quando à hora de almoço já se sabia que ia acontecer isto, mas…

FRENTE COMUM, FESAP,…

CGTP e UGT – será que ainda vão demorar muito a convocar a GREVE de TODA a Função Pública para dia 17 de junho?