O ex-espião, os sms e a jornalista

Tenho um ex-espião que me manda sms sem eu lhe solicitar.  Ele é clippings pela manhã, listas de nomes à tarde, sugestões de gente a empregar à noitinha. Coisas de espionagem, zero, segredos militares, niente, manobras de bastidores e ameaças à segurança do estado, nem sinal. Esses recebe-os um vizinho meu, reenviados por um cunhado que mora em Alguidares de Cima e por via de um outro ex-espião que faz o favor de os partilhar com o dito cunhado.

O meu vizinho, que é um tipo porreiro mas algo linguarudo e com a mania de armar aos cucos, volta e meia descai-se e revela-me algum material confidencial a que chama top-secret.

Ora, o homem, se mos mostra, dá-os também a conhecer ao resto da vizinhança. Andávamos nisto, fazíamos uns petiscos, bebíamos uma cervejinha no café cá do bairro e, como se acabou a bola, íamos conversando sobre coisas de espiões e segredos de estado.

Nunca, como nos últimos tempos, os moradores da minha rua se deram tão bem:

– Já sabes aquela da tal célula terrorista que anda a preparar um atentado?

– Sei, pá, sei, contou-me o Lopes que foi informado pelo Teixeira do 3º esquerdo. Até me disse os nomes dos cabecilhas mas eu não fixo nomes estrangeiros.

O pior foi ter aparecido aí uma jornalista a fazer perguntas. Quer dizer, o pior nem foram as perguntas, foi a jornalista ter dito ao meu vizinho que precisava de ter respostas em trinta e dois minutos.

O meu vizinho, aí, sentiu-se pressionado e zangou-se. Responder às perguntas é uma coisa, é todo a favor da transparência, mas ser pressionado a responder, ainda por cima em trinta e dois minutos, é intolerável. Ia deixar de comprar o jornal onde a tal jornalista trabalha, boicotá-lo, dizer ao resto do bairro para não comprar o pasquim, etc., etc.,etc.

Pelo meio ainda falou em apresentar queixa a uma autoridade de qualquer coisa, não percebi de quê, e ficou o caldo entornado.

Agora, já nem os sms partilha connosco. Uma chatice, porque a gente não se mete em políticas e, até começar a bola, não sabemos de que falar. Vá lá que este ano há euro. Este ano, repito, porque até isso parece que pode acabar.

Comments


  1. O dinheiro que o povo gasta em inqueritos que nunca dão em nada , por favor não gastem mais dinheiro que não dão em nada.
    querem por acaso que o miguel diga que é culpado ?
    nem ele nem nenhum politico é culpado de nada, por mais burrisse que ele façam.


  2. “O meu vizinho, aí, sentiu-se pressionado e zangou-se.”

    Então, então, o pobrezinho até pediu desculpas pela sua indelicadeza!

  3. maria celeste ramos says:

    è tema tão importante que a SIC iniciou conversa agora com Pacheco Pereira – Lobo Xavier e António Costa- o pais não tem problemas dignos de serem discutidos para o cidadão anómico ficar a saber – quanto custará um minuto de “antena” – este linguajar só parecido com o futebol, nem isso


  4. Não sei porque gozam com o Relvas!!! O homem foi de tal maneira pressionado que até deixou escapar umas gotinhas… de urina… E agora vai ter de gastar dinheiro em consultas de urologia e se calhar vai ficar incontinente até morrer…
    Além disto, o Amigo dele já disse em público que nunca o abandonará… assim sendo já sabemos qual o próximo emprego do ex-ministro Relvas!

  5. clara says:

    todos os dias vinha ler o AVENTAR, está a falhar… tenho pena. (crítica construtiva)
    as discussões estão pouco apelativas. Tenho pena. Este espaço era interessante, plural. Que se passa? Posso ser eu que estou sem foco… sei lá


  6. Há muita coisa no meio desta história que cheira a esturro. Nomeadamente a recente convergência dentro do Público. Parece-me a mim que todo este caso se tornou numa mera questão de fotogenia: a ERC irá certamente procurar uma solução que não implique grande severidade, transformando o caso num “ninguém tem razão e ninguém tem culpa”, enquanto a directora procura fugir da imagem de comprometimento e figurar como apoiante incondicional dos seus subordinados. Resumindo, ninguém quer ficar mal na fotografia mas também ninguém quer grandes consequências. O conselho de redacção está revoltado e quer justiça, mas parecem-me ser os únicos.Quanto a Relvas, não quero esgotar caracteres, mas a minha opinião encontra-se aqui: Há muita coisa no meio desta história que cheira a esturro. Nomeadamente a recente convergência dentro do Público. Parece-me a mim que todo este caso se tornou numa mera questão de fotogenia: a ERC irá certamente procurar uma solução que não implique grande severidade, transformando o caso num “ninguém tem razão e ninguém tem culpa”, enquanto a directora procura fugir da imagem de comprometimento e figurar como apoiante incondicional dos seus subordinados. Resumindo, ninguém quer ficar mal na fotografia mas também ninguém quer grandes consequências. O conselho de redacção está revoltado e quer justiça, mas parecem-me ser os únicos.Quanto a Relvas, não quero esgotar os caracteres, por isso a minha opinião encontra-se aqui: http://cronicasdeumjovempreocupado.wordpress.com/2012/05/22/relvas-daninhas/

  7. clara says:

    Evidente. Sempre a mesma treta. Ninguém é culpado.
    Neste caso, penso que se está a empolar muito a coisa para o lado da jornalista. Quando se devia focalizar no polícia.
    Mas isto sou eu…

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