Ainda sobre a vitória de um aluno de Latim em Itália

Jorge Moranguinho

Professor de Latim e de Português

Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas, Porto

António Gil da Silva Cucu, de 16 anos de idade, frequenta o 11.º ano de escolaridade do Curso de Línguas e Humanidades, na Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, e venceu, na manhã de domingo do passado dia 6 de Maio, em Venosa, o XXVI Certamen Horatianum.

Organizado, desde 1987, pelo Liceo Classico Statale “Quinto Orazio Flacco”, o prestigiado concurso decorreu nos dias 4, 5 e 6 de Maio, tendo participado 125 escolas italianas e 5 estrangeiras (da Áustria, Bulgária, Croácia, Roménia e de Portugal). Em homenagem ao poeta venusino, a competição destina-se a estudantes que frequentam o penúltimo ano de escolaridade de liceus clássicos italianos e de escolas secundárias estrangeiras que integrem, na sua oferta formativa, o ensino do latim.

A prova consiste na tradução e no comentário linguístico e histórico-literário de um ou mais extractos da obra de Horácio, um dos poetas mais notáveis da literatura latina, que, a par de Virgílio, seu contemporâneo, maior influência exerceu nas literaturas modernas, depois do século XV.

Devido aos diferentes programas didácticos, o regulamento prevê, desde 2009, textos distintos para alunos italianos e estrangeiros: este ano, aos primeiros, coube em sorte um extrato da Arte Poética (v. 73-113), enquanto aos segundos, a ode II, 5, na qual o poeta, em jeito de conselho a um amigo, lhe pede paciência amorosa com a jovem Lálage, ainda imatura para buscar, sem pudor, o seu marido.

Com a vitória de António Gil, Portugal inscreveu o seu nome na galeria de honra do Certamen Horatianum, a par da Bulgária, Roménia, Alemanha e Áustria, sendo os dois últimos países os que, entre si, repartem o maior número de triunfos estrangeiros. O feito alcançado premeia o esforço exemplar de um aluno que, com apenas dois anos de latim, venceu estudantes que gozam de quatro e mais anos de aprendizagem da língua do Lácio, numa prova inequívoca de que nem sempre o que parece é.

A desvalorização, porém, da disciplina de Latim (para já não falar da de Grego) na estrutura curricular do ensino secundário envergonha Portugal e os professores portugueses, quando confrontados com a realidade educativa da maioria dos países europeus: aí, o Latim é uma disciplina obrigatória com vários anos de aprendizagem; por cá, confina-se praticamente, como disciplina opcional, ao 10.º e 11.º anos de escolaridade. A bem do sistema educativo português, urge, por isso, que se faça uma reflexão, profunda e pedagogicamente séria, acerca do ensino do latim, que nunca poderá andar arredada do aumento do número de anos de aprendizagem e de um novo programa, ajustado a esse percurso formativo.

O latim, com o prémio orgulhosamente conquistado em Venosa, acaba por elevar bem alto o nome do país, que, por ironia, tão mal o tem tratado, em nome não se sabe bem do quê, mas da educação não é com certeza.

Comments


  1. Com jornalistas de merda como secretários de estado da educação o que seria de esperar ?? agora não se exportam “femmes de ménage” – exportam-se “crâneos” e a eyropa, mais uma vez, engrandece com portugal seja com mão de obra manual, seja com criatividade a que dão prémios seja com os novos emigrantes – a eyropa TIRa mas Portugal nem tem a quem dar pois aqui ningém tem valor – nem os futebolistas que são todos vendidos para o mundo interiro e são os melhores do mundo – o país é um viveiro de “craques” – mas amanhã há greve de funcionários de LIXO – ninguém vale nada nem os que limpam o esterco do chão quanto mais o esterco das mentes -é um país de merdosos – os dirigentes claro – um dia ficarão apenas os velhotes que já não aguentam emigrar e por aqui se encostam às esquinas das cidades – país que maltrata os habitantes não é país e que venera espanha ladrona da água do tejop não é país – é um monte de merdosos e nem português quer aceitar pois está farto d que tem e dá o português ao brasilês – tudo se renega

  2. Tito Lívio Santos Mota says:

    o meu avô, quando lia ou ouvia coisas destas dizia logo “Quo usque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?” 🙂

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