Mineiros das Astúrias em luta

As Astúrias estão praticamente isolados do mundo após os cortes de estradas e do caminho de ferro. A polícia de choque soma derrotas consecutivas nas verdadeiras batalhas que se estão a travar. Em causa os cortes nos apoios estatais à actividade mineira.

Tudo isto sob o cúmplice silêncio da comunicação social, lá e cá.

Despacho de organização do ano lectivo 2012/2013 – segunda análise

Os leitores do Aventar, menos interessados nas coisas dos Professores, merecem uma palavra de atenção da minha parte. Neste momento, a catástrofe que Nuno Crato tem montada sob a Escola é de tal ordem monstruosa (tantos adjetivos!) que não há como escapar ao tema. E é um assunto tão técnico, que nem sempre é fácil desmontar os argumentos para quem está “de fora”. Mas, vou tentar – vamos lá então.

Mesmo correndo o risco de ser epidérmico ou adjetivante, penso que valerá a pena olhar para o Despacho mais famoso dos últimos dias, ainda que através do olhar de um professor. E vou voltar à questão dos minutos e dos tempos, uma vez que a alteração de 45 para 50 minutos, segundo a minha leitura, vai fomentar o desemprego entre os professores.

Vejamos esta matéria, observando dois pontos:

[Read more…]

Até me apetece ir a correr comprar uma…


… e decerto a isso me atreveria se a dita camiseta não ostentasse as duas cores do alegado “cameleiro-profeta”. Os clérigos malaios proibiram a venda de t-shirts da Selecção Portuguesa de Futebol, pois pelo que parece, são ofensivas à seita. Uma pena, os santinhos homens bem poderiam curar-se com isto.

Fatwa à Poesia. Um Certo Gato Zarolho

Isto é um peso. Descobrir-se um homem Poeta a meio da vida, demasiado sensível às palavras e ao puzzle brutal delas sublime, esmaga-me. Tanto acalmar-me, respirar fundo sob o imperativo de escrever: «Vá lá, Joaquim, menos paixão racional! Vai lá para fora ver o azul.» Saio. Contemplo efectivamente o passar de nuvens e aviões, o irisar do disco solar sob o vapor que alveja celestial [visto do chão, o Sol está sob a nuvem, por detrás do Sol há outro chão], eventualmente bebo um copo de vinho tinto com a minha fêmea amada e acendo o meu ocasionalíssimo cachimbo de festejar futebol ou o transcurso de etapas pessoais. Regresso. E tudo me sai poema.

Há depois um gato zarolho, uma aparição clandestina aqui por casa. Amarrotado, sujo, torcido, cinza-castanho, o pobre bicho sem um olho marginaliza-se e, no entanto, implora. Implora à distância sem miar um miado. Parece em perpétuo passo de camaleão, bicho que, como se sabe, hesita fisiologicamente para trás e para a frente cada passada camuflada. Assim o nosso felino zarolho ao visar partilhar a comida do Tareco, o castrado, coiso oficial da família e que nos adoptou por sua livre e interesseira vontade.

Desculpem. Era de facto para fazer uma fatwa à Poesia. Fica para outra vez. Tudo me sai poema.

Só não se privatizam a si próprios porque ninguém os quer (a propósito da privatização do Centro Infantil de Valbom)

O Centro Infantil de Valbom, propriedade da Segurança Social até hoje, vai ser privatizado. A partir de 1 de Setembro de 2012, nada restará de uma história de mais de 30 anos a não ser as paredes.
Directora, equipa pedagógica, educadoras de infância, auxiliares, restantes funcionários – vão todos embora. Para onde, não se sabe muito bem, porque a Segurança Social vai privatizar todos os infantários que ainda estão nas suas mãos.
Não se pense que o Centro Infantil de Valbom é um infantário qualquer. Não, não é um daqueles Centros Escolares que o Daniel Oliveira tanto venera. Não é um depósito de crianças. Não é um monte de betão.
Tem vida, tem alma, tem ar livre, muito ar livre. São 10 mil metros quadrados de jardins e de parque infantil para as nossas crianças brincarem. Só a caixa de areia do Centro Infantil de Valbom é maior do que o espaço livre desses Centros Escolares horrendos com que Sócrates infestou o país.
Tem hortas. 3 hortas. Uma por cada sala do pré-escolar em funcionamento. Alfaces, repolhos, couves roxas – tudo plantado, tratado e colhido pelas nossas crianças. [Read more…]

Eu preferia que fosse competente

Passos Coelho é um sedutor (lê-se no Público)

Em Venosa

António Gil Cucu

Vencedor do Certamen Horatianum, aluno da Escola Rodrigues de Freitas, Porto

(Texto a ser publicado no Boletim de Estudos Clássicos)

Em Venosa, um mundo diferente. Já estou acostumado, em Portugal, aos olhares de dúvida e gozo, quando digo que estudo latim. “Isso não serve para nada”, e eu vou encolhendo os ombros. Em Venosa, tornou-se a coisa mais comum do mundo: italianos, búlgaros, austríacos e outros, todos estudam latim, como se de francês ou alemão se tratasse. Se, por um lado, fiquei contente, ao ver este diferente tratamento das clássicas, a banalização profunda do estudo do latim e do grego desapontou-me, pelo que, esperando uma certa atitude entusiástica, apenas tive um contacto mais intelectual com um dos alunos austríacos, o único com quem pude falar, de facto, em latim. [Read more…]

Problemas de percepção

If the doors of perception were cleansed every thing would appear to man as it is, infinite.

William Blake, The Marriage of Heaven and Hell, plate 14

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, o resgate financeiro era a causa de uma maleita de que Portugal sofria. A maleita tinha um nome: “problema de percepção internacional”. Há um ano, a resolução desse “problema de percepção” tornou-se a “prioridade”. Ao Público, Paulo Portas admitiu que, entretanto, “ a percepção sobre Portugal melhorou consideravelmente”. Felizmente. A percepção manteve-se e melhorou. Consideravelmente. Óptimo.

Infelizmente, Paulo Portas esqueceu-se de resolver um problema de “percepção” mais premente, sobre o qual foi avisado, cuja resolução está ao seu alcance e que não se limita aos “efeitos na percepção sobre Portugal” causados pelo que “a imprensa americana diz”.

A percepção em português europeu está em perigo, devido a uma maleita mais grave do que um mero “problema de percepção internacional”. Quando pensamos em “percepção internacional”, lembramo-nos imediatamente da volatilidade. Há um ano, havia um “problema de percepção”. Entretanto, a percepção “melhorou consideravelmente”. Amanhã? Não sabemos. [Read more…]

Ele há coisas!…

   (adão cruz)

Quem se tenha dado ao trabalho de ir lendo as historietas que por aqui se escrevem, lembrar-se-á, porventura, da Giraldina, a moça roliça que morreu de amores pelo Isabelino.

Pouco tempo depois da sua morte, a mãe apareceu no café, como foi relatado, chorando amargamente a perda da filha. Mas depois levou sumiço, nunca mais apareceu. [Read more…]

Nem palmas, nem assobios – é o desespero de ver os colegas despedidos

Meu caro Paulo, não se trata de ter ou não aplausos.

Move-me apenas um sentimento horrível de olhar para o lado e perceber que uma geração de professores, muitos, com anos e anos de experiência, está a caminho do desemprego.

Furar o silêncio é o único objetivo, escrever no aventar uma das ferramentas para o fazer.

Não procurei errar, mas pode ter acontecido, nem tão pouco ser demagógico. Mas, se me permitires o contraditório, aqui vai:

[Read more…]

Algumas considerações sobre a selecção de Portugal e o Euro 2012

Quero fazer estas considerações antes de começar o Euro 2012 de futebol, eu que gosto do jogo e aprendi que em futebol só há duas certezas: a bola é redonda e prognósticos só no fim do jogo.

Vamos por partes:

O futebol está cheio de mafiosos? Está (mas digam-me uma única actividade humana que envolva milhões de pessoas – telespectadores incluídos – que não esteja cheia de mafiosos. Uma só.).

O futebol apela a instintos básicos do ser humano? Apela (mas digam-me uma única actividade humana que envolva milhões de pessoas – telespectadores incluídos – que não apele a instintos básicos do ser humano . Uma só.).

O futebol português desceu para o 10º lugar da FIFA? Desceu (mas digam-me uma organização que envolva quase todos os países do mundo onde Portugal esteja, há muito tempo, entre os dez primeiros. Uma só.).

Portugal vai ganhar o Euro? Não. Portugal deveria ganhar o Euro? Não. Portugal chegará aos quartos de final? Provavelmente não. O grupo de Portugal deixa muitas hipóteses optimistas? Não. Portugal pode ir aos quartos de final, às meias, à final e ganhar o Euro? Pode. Como? A Grécia, por exemplo, ou a Dinamarca, já ganharam, porque aí reside uma das belezas do futebol: a bola é redonda e prognósticos só no fim do jogo.

Os jogadores de futebol que atingem este nível de competição são demasiado bem pagos? São.  Esse dinheiro provém do erário público? Não. E provém dos sócios dos clubes de futebol? Em ínfima parte. E provém dos espectadores? Também em pequeníssima parte. Então quem paga tanto aos jogadores? [Read more…]

2001 Odisseia no Espaço


Em 1968 Stanley Kubrick realizou um imaginário futuro, o de 2001, e filmou a primeira síntese dos primórdios da humanidade em 7 minutos num realismo quase perfeito.

Fica nesta série Filmes completos para o 7.º ano de História como registo da primeira arma que me foi dado utilizar (pós invenção do VCR) contra a História ensinada na micro-galáxia de Gutenberg, na altura deixando os meus alunos aos pulos para perceberem como aquilo que parece um macaco pode ser um primo, saltando o entendimento de que a ferramenta se fez com o homem e o fez também. E eram bichos socialmente interactivos, passe o pleonasmo.

Ainda insisti este ano lectivo, tantos anos sem lidar com o 7º ano depois,  e percebi definitivamente como em 3 lustros tudo se transforma, muito melhor se cria, e tudo se ganha. Talvez hoje apenas um documento da pedagogia possível em tempos idos, mas sempre a combater o pergaminho, pois pois.

Ficha IMDB
Tema 1 do Programa: Das sociedades recolectoras às primeiras civilizações
Unidade 1.1. – As sociedades recolectoras

homens-livro

O trânsito de um planeta não é coisa inofensiva. Vénus atravessou-se diante do sol e levou-nos Ray Bradbury, irrequieto cronista dos mundos fantásticos.

Bradbury, que era também “Duke of Diente de León” do literário Reino de Redonda, ensinou-nos que, na história da humanidade, sempre haverá momentos em que seremos chamados a salvar do fogo aquilo que amamos, que sempre teremos de correr riscos para defender a nossa liberdade e a nossa memória, e que é nesses momentos que nos definimos como gente. Quando, como Montag, questionamos a ordem que nos dão, e resgatamos das cinzas um livro chamuscado, e nos atrevemos a lê-lo e a aprendê-lo de memória, salvando-o uma vez mais, desta vez do esquecimento e da morte.

Por mim, esta noite tenciono desligar o computador, ir até à janela, procurar algum resto de cometa, alguma cintilação longínqua, e acenar-lhe uma despedida.

Adeus, Ray, boa viagem.