A Educação, em Portugal, é gratuita?

As manobras e as contramanobras do governo à volta do tema da gratuitidade da Educação em Portugal servem para lançar uma cortina de fumo, com o objectivo declarado de vir a sobrecarregar os contribuintes com mais impostos disfarçados. A comunicação social, por desconhecimento ou colaboracionismo, vai ajudando o governo.

Numa reportagem de hoje, no Jornal de Notícias, várias pessoas chamaram a atenção para o facto de que, na verdade, a Educação já não é gratuita, em Portugal, há vários anos: para além dos impostos, a maioria dos encarregados de educação paga manuais, material escolar, transportes e refeições.

Limito-me a juntar algumas reflexões avulsas, só para lembrar que, entre outros problemas, e tendo em conta que as escolas têm ficado com cada vez menos tempo e com cada vez menos recursos, há crescentes dificuldades em proporcionar apoios mais individualizados aos alunos. Para além disso, verifica-se uma progressiva destruição das escolas como instituições que poderiam permitir a alunos mais desfavorecidos o contacto com determinados bens culturais, como a música, o teatro e outras artes e actividades fundamentais para o desenvolvimento harmonioso de qualquer jovem (o próprio desporto escolar sofreu cortes enormes).

Conclui-se, assim, que quem quer proporcionar aos filhos uma educação mais completa terá de pagar por isso. Tendo em conta o empobrecimento geral da população portuguesa e a ruína da Escola Pública, é fácil perceber que os jovens estão, na sua maioria, a ser afastados de uma educação com um mínimo de qualidade.

É claro que, entretanto, há entidades privadas a salivar por poderem deitar a mão à gestão das escolas, desde que o Estado as sustente: tendo em conta que, por exemplo, no sector privado, qualquer trabalhador está cada vez mais desprotegido, será fácil adivinhar que os professores poderão ser obrigados a dar ainda mais, continuando a receber cada vez menos, tal como acontece em muitos colégios, embora haja, sobre esse assunto, um muro de silêncio criado pela necessidade de sobreviver.

O ensino, em Portugal, num futuro próximo poderá ser gratuito para todos aqueles privados que passarem a receber do Estado e dos encarregados de educação.

Comments

  1. luis says:

    1º Muito bom o texto, é importante combater a desinformação à volta da Escola (pública, privada e com contrato de associação) com informação de quem conhce a realidade.
    2º A comunicação social não é imparcial. Os grandes grupos económicos já se apoderaram dela e agora estão ao ataque na Saúde e Educação.

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Ou a saúde como o Continente que já tem criados 40 Centros de Saúde – veio em jornal esta semana

  3. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Compram-se batatas e livros escolares no memo local e aproveita-se e passa-se pelo cenro de saúde – portugal original ++++++ despedimento colectivo da autoeuropa – sempre portygal foi o caixote do lixo da UE mas com a vantagem de ter o melhor para levar ou abater ou deslocalizar – e agora ficou só o lixo (de quem manda e quem manda – ainda hoje no jornalLello se ri ao afirmar que comprou 14 carros de luxo – para a AR – por 900 mil euros – sempre gostei muitop do sorriso de lello – relvas veio tomar o seu lular mas há lugar para ambos, pelos vistos


  4. Eu gosto de estudo

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  1. […] Vejamos, então. Passos, pelos vistos, constatou que, “apesar do [sic] ensino obrigatório ser gratuito”, as famílias “fazem um esforço muito considerável”, reconhecendo, sem se aperceber, que o ensino, afinal, não é gratuito, mesmo quando é obrigatório. Seria, ainda assim, muito esperar que desenvolvesse um pouco mais esse raciocínio. […]


  2. […] Líder da JSD quer acabar com saúde e educação grátis. Se não tivesse cheirado tanta cola dos cartazes que anda a afixar desde pequenino, talvez o menino soubesse que a educação não é gratuita, em Portugal. […]


  3. […] gratuita.” Será ignorante, estúpida ou cínica, porque a verdade é que há muito tempo que não há, de facto, gratuitidade. De resto, não está sozinha: Passos Coelho e Hugo Soares fazem-lhe companhia na ignorância, na […]

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