A filha mais velha do fundador da Força Aérea do Chile foi ter com o seu pai

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No Chile não acontecem apenas golpes de Estado ou assassinatos de Presidentes Democratas, como foi essa única vez do Presidente Allende. Essa vez que, os que apoiaram a iniciativa, estavam, de imediato, imensamente arrependidos. Como a nossa família toda. No Chile acontecem também iniciativas. O Chile não tinha aviação. Era preciso criar uma Força Aérea. Vários Gerais e Capitães estavam interessados e solicitavam ao Presidente da República desses anos, Comandante em Chefe das Forças Armadas do Chile, comprar aviões.

Havia, nesses anos, ofertas desde a Alemanha. Nos anos 30 do Século passado, o Estado Alemão fabricava imensos aviões, pelos motivos conhecidos. Três altos oficiais da Força Aérea, o Comandante Basaure, o capitão de bandeada Raúl González Nolle, mais tarde General da Força Aérea do Chile e Adido Militar da Força Aérea na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos e Ajudante Presidencial pelo ramo da Força Aérea, dos Presidentes Radicais Pedro Aguirre Cerda e Juan António Rios, entre 1935 e 1941, foram, junto ao Comodoro do Ar, Manuel Franke, para comprar aviões bons e baratos. Com esses aviões, o General González Nolle organizou, em conjunto com os seus colegas de viagem, a Força Aérea do Chile, o FACH. As viagens do, em esses tempos Capitão de Bandeada eram curtos e voltava rapidamente: pelos finais dos anos trinta, a sua mulher, D. Amanda Ester Castillo Serrano de González, sobrinha do herói naval chileno, Ignacio Serrano Pinto, estava grávida, era o primeiro descendente e o jovem capitão, queria estar perto da sua mulher para esperar o que no Chile sempre se pensa: um filho de género masculino. Como mais tarde connosco, acabou esse filho por ser uma rapariga, muito amada pelos seus pais, bem-criada, bem-educada, bem vestida, filha única, apenas 10 anos mais tarde nascia a sua irmã, a mãe dos nossos descendentes e Avó dos nossos netos. A rapariga era Maria Eugénia. Natural na família, estudou no Colégio Francês? A família tinha essa dupla ascendência, típica do Chile, Franco-Chilena. A sua fala com a mãe era em Castelhano, com o seu pai e a mãe do seu pai, Eugénie Nolle de Montjeville, de Paris originalmente, em francês. Passou a ser uma rapariga mimada, querida, bem cuidada, completou os seus estudos secundários, aprendeu esse prazer da família de colecionar mobília e mapas antigos e passou a ser uma entendida em coleções, o que lhe permitiu trabalhar nos melhores sítios da Em pressa Philips, Sucursal Santiago, em contacto direto, por causa do seu bom inglês, com a casa central da Holanda, onde a família se encontrava, especialmente esse ano 2000, em Utrecht, para o matrimónio da nossa filha primeira e o batizado do nosso neto Tomas Mauro Van Emden. Dias lindos eram para uma senhora que, em pequena, era tímida. Timidez que acabou no seu crescimento, nas suas imensas viagens para outros países, que a tiveram sempre tão ocupada, que nem foi capaz de casar. A sua irmã e eu pensamos de imediato que era a outra Avô dos nossos netos. Esses netos que, coisa estranha, tiveram três Avôs, a mãe do nosso genro Cristan, Ans, Gloria a irmã de Maria Eugénia e ela própria. Dias lindos e divertidos. Adorava contar histórias para todos rirem. Como adulta de muitas viagens, acabou por ser uma excelente anfitriã.

Viveu da mesma forma que entrou na eternidade, hoje 7 de Dezembro de 2008, de madrugada, dia prévio a Imaculada Conceição, dois dias após o aniversário da morte de Mozart e seis do dia do nascimento de Maria Calas, que, se for viva, teria feito 83 anos. Esses anos que Maria Eugénia, apesar dos cuidados médicos e da corte de pessoas ao pé de ela, especialmente irmã, sobrinhas e netos enteados, não conseguiu atingir. Hoje em dia está, para os que têm sentimentos de fé, com os seus pais, e a tomar conta de nós. Essa muito querida filha, irmã, amiga e excelente cunhada minha. Certa está a família toda, que descansa como deve ser. Essa filha mais velha do fundador da Força Aérea do Chile, que teve por mais lata honra, a sua descendência, especialmente esta que hoje a foi a acompanhar.

Parede, Portugal, 7 de Dezembro de 2008

Reeditado a 7 de Dezembro de 2012

Raúl Iturra

Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, Lisboa

lautaro@netcabo.pt

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