Regressámos aos mercados e… ao ‘clube da bancarrota’

Pode imaginar-se alguma satisfação minha no afundanço do País, devido sobretudo ao teor de certos textos que publico no Aventar.

Pelo contrário, trata-se, apenas, da necessidade de manifestar legítima e justificada preocupação com o rumo desastroso da nossa vida colectiva, evidenciado nas ‘contas públicas’ e na progressiva degradação social e económica a que o actual e anteriores governos – desde Cavaco – nos condenaram.

Há dias, tomei a iniciativa de publicar o ‘post’ com o título ‘O País para trás, a dívida para a frente mas devagar!’.

Considerável número de comentadores não foram parcos nas censuras com que me brindaram; houve mesmo quem me classificasse de ignorante por ter considerado que a operação de ‘troca de dívida’ – ‘adiamento’ para os menos familiarizados com a linguagem tecnocrática – tenha ficado muito abaixo dos objectivos do governo. Foram colocados apenas 24,66% (6.642 milhões de euros) de um pacote de mais de 26.000 milhões.

Também não é despiciendo, antes pelo contrário, que 2/3 do valor da operação realizada se referiam a dívida pública que teria o vencimento em 2015, enquanto o restante terço se vencia em 2014 – foram negociadas taxas de juro acima dos 4,9%, ou seja, uma percentagem que é cobrada a Portugal para o prazo de 5 anos foi aceite por Maria Luísa Albuquerque, IGCP & Cia. para vencimentos a 3 anos.

A fim de, definitivamente, deixar claro, e sem ponta de ambiguidade, de que o meu sentimento não é de satisfação, mas de enorme apreensão, julgo oportuno destacar esta notícia do ‘Expresso’ em que se dá conta de que Portugal regressa ao ‘clube da bancarrota’.

A certos comentadores, a alguns profissionais da comunicação social e àquelas figurinhas que surgem nas TV’s a falar da agência A ou B, solicito que falem com verdade ou, no caso de impossibilidade, optem pelo silêncio em detrimento da intrujice.

Pretender secundarizar ou mesmo ocultar o risco de bancarrota do País é, no mínimo, socialmente criminoso.

Comments

  1. AACM says:

    Portugal nao regressou ao clube da bancarrota porque objectivamente nunca de lá saiu. A divida Portuguesa nao tem solução de pagamento, da mesma forma, em breve os juros da divida serão incomportáveis. Neste quadro, a única solução terá que ser a saída de Portugal da moeda única. Como se processa a saída da zona euro ? Nao sei, mas que já devia estar a ser discutida seriamente lá isso devia.

    • nightwishpt says:

      Depois da dívida ter passado toda para a banca portuguesa, claro está. Assim, podemos pagar duas vezes (os 99%, pelo menos)! Viva a visão da direita radical.

  2. nightwishpt says:

    Parabéns ao BCE pela taxa conseguida.

    • Carlos Fonseca says:

      Nightwishpt, a taxa foi negociada entre o Ministério das Finanças e o IGCP por um lado e por um conjunto de bancos portugueses detentores da dívida adiada, por outro. Estamos, de facto, bem servidos quanto à qualidade de governantes e respectivos apêndices. Os bancos, claro, fazem tudo para garantir mais dinheiro.

  3. portela says:

    A dívida foi determinada está concluída, agora vai envelhecer, é o que acontece a tudo o que nasce pronto. Um automóvel até no stand envelhece. Velhos são os trapos, porque são os restos de um pano que saiu pronto da fábrica. Há produtos que saem da fábrica prontos a consumir.
    .
    O homem, porque não nasceu pronto, vai-se fazendo, vai por isso ficando idoso mas não velho, a não ser que ele próprio se considere acabado, pronto.

    • portela says:

      O envelhecer da dívida agora na pós-modernidade, mudou de nome é maturação da dívida, quer dizer para dourar o fruta há que adubar o pomar com químicos tóxicos, tipo DDT, agora chamado de swops.
      .
      Por causa dos swops, na esmagadora maioria, produto de agiotas bancários e dos parceiros sediados em paraísos fiscais, como a Holanda onde o sr Soares dos Santos põe o nosso dinheiro, assim como os empresários de enorme estatura moral e cívica, tais como Belmiro e Amorim, que estão em Portugal e deviam ser enviados para onde enviam o nosso dinheiro, é que economia deixou de significar ” o governo da casa” e passou a ser o governo à maneira do interesse deles..
      .
      Pior de tudo é o silêncio das pessoas honestas.

  4. João Paz says:

    Desmistificar ilusões (ou patranhas) “vendidas” como verdades, a meu ver trata-se de um excelente artigo Carlos Fonseca.


  5. Já que falou da Cia. Deixo-lhe esta música do Zé.

    http://www.youtube.com/watch?v=XRrohnMt370

    Só uma coisa, nem vale a pena pedir que os comentadores fascistas deixem de mentir, é ver o sonso do José Ferreira Gomes, o Medina, o paspalho do pequeno do PPD PSD… Está-lhes no sangue mentir, e também precisam de mentir pra continuarem a mamar e continuar a ter a união nacional no poder.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.