Outra vez, Herberto?

herberto helder
Herberto Helder é um poeta e escritor enorme – só não digo que é o maior poeta português vivo porque sou pouco dado a fazer estas proclamações, pelo menos sem passar todos os vates a fita métrica – e sempre esperei os seus livros com o afecto que se dedica àquilo que se ama. Mas desta vez, após ter vivido repetidamente esta cena – há livros que só possuo porque mão amiga, estando eu impossibilitado, me valeu – declaro que estou farto. Não me sujeito mais a ir para a fila dos ansiosos clientes ou a maçar os livreiros meus amigos para obter a raríssima e irrepetível edição de A Morte Sem Mestre.

A recorrente cena do “ou compras hoje ou nunca mais o vês” não terá mais em mim um expectante basbaque. Não sei se esta situação é uma técnica de marketing saloio um uma manifestação de egomania por parte do poeta. Herberto é magnífico. Herberto tem, entre outras virtudes, as de não nos massacrar com entrevistas, não espernear nos media para chamar a atenção, não fazer conferências a explicar o que queria dizer nos seus poemas. Ele é simplesmente grande no seu silêncio. Ele compreende como ninguém a importância do silêncio do artista e a autonomia do leitor. É no uso dessa autonomia aqui digo que não tenciono mexer uma palha para ter este último livro – esgotado em poucos minutos e já com oferta no mercado negro – nem tenciono alinhar, mais uma vez, no golpe de comprar a próxima Poesia Toda para preencher o vazio. Chega.

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