Sons do Aventar – The National – Primavera Sound Porto

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Escrever sobre o concerto dos The National na noite de ontem no NOS Primavera Sound do Porto não é fácil. Acreditem. Nada fácil. Por isso este vai ser longo…

O Parque da Cidade (Porto) é especial e quem “descobriu” o seu potencial para um festival como este merece receber as “Chaves da Cidade” numa próxima cerimónia da CMP ou mesmo uma Comenda pelas mãos do PR. O local é irreal de tão bom. A fauna não fica a dever muito ao espaço. São poucos os festivais que se organizam por cá onde se consegue assistir a concertos sem ter de aturar hordas de bêbados ou teenegers histéricos/as a tudo o que acontece e ao que ainda está para acontecer. Isso e malta de costas para o palco na conversa, literalmente a marimbar-se para a música e a incomodar quem está ali pela música, como acontece em demasia no SW. Aqui, tirando uma ou outra excepção, estamos todos pela música aproveitando o espaço e o ambiente. É por isso que, juntamente com Paredes de Coura, este é o “meu” festival. A escolha das bandas é de excelência e o público idem.

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Ovos

ninhocobras
“Como é que uma sociedade (…) pode conferir tamanhos poderes a alguém que não foi escrutinado democraticamente?”. Não, esta frase não foi proferida por algum anónimo analfabeto político. Ou, pelo menos, não anónimo. O seu autor é Passos Coelho, 1º ministro de um país europeu do século XXI.

O juízo é torpe e canalha por tantas razões que seria fastidioso percorrê-las todas. A democracia tem em si, entre outros, como pilares centrais, as ideias de que a lei obriga igualmente todos os cidadãos e que a soberania reside no povo. Existem, como se sabe, diversas perspectivas sobre a sua realização, diversos modos de conceber como a vontade do povo se traduz em mandatos e qual a sua natureza, mas nenhuma delas dispensa aqueles dois pontos fundadores. Decorrendo deles se encontrou um equilíbrio na separação de poderes, estabelecida num momento em que a comunidade concorda consensualmente em estabelecer o seu contrato fundamental. Os mecanismos representativos respondem à complexidade das sociedades modernas. Como é óbvio, nem todas as entidades detentoras de poder de estado são eleitas. O próprio governo só o é indirectamente. Tal como o Tribunal Constitucional, cuja legitimação assenta em eleição por maioria qualificada na Assembleia da República, a que todos chamam “casa da democracia” e, no caso presente, por uma maioria do bloco central e da direita. O seu papel, consensualmente aceite é, precisamente, velar pelo respeito, a todos os níveis, da Lei fundamental, fonte de todas as leis.
Passos Coelho ignora tudo isto e é apenas um pateta ignorante? Não nos iludamos. O ovo da serpente choca à nossa vista porque os idiotas pensam que é um ovo de galinha.