postais da ria (2)

http://ahcravo.wordpress.com/2014/06/20/postais-da-ria-7/

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Diferença no detalhe

No confronto entre Seguro e Costa é, hoje, consensual a constatação do vazio de propostas concretas ou de um debate conceptualmente interessante. Como era de esperar, os discursos de Costa no American Club e no Tivoli foram simples exercícios de oratória em que a ausência de ideias se escondia sob a muralha das palavras. Todavia, por ser de justiça, gostaria de relevar uma das pouquíssimas diferenças de substância entre eles: interpelado pela torpe golpaça eleitoral tentada por Seguro (redução para 180 deputados na Assembleia da República e alteração “ao conveniente” das leis eleitorais), Costa refutou e rejeitou tal proposta, garantindo que, na sua perspectiva, ela era inaceitável por ferir o principio da proporcionalidade – que considerou intocável – e consistir numa ilegítima tentativa de “ganhar na secretaria o que se perdeu nas urnas”. Mau grado a pobreza da analogia futebolística, louve-se e grave-se na pedra esta declaração de António Costa, já que aquele vai ser um caminho tentado pelos sectores mais golpistas do “bloco central”, com previsível efeito catastrófico sobre a legitimidade da representação parlamentar.

Hoje começou o Verão

A baixa temperatura que se regista só tem uma explicação: o governo cortou no calor.

O estranho caso de Élsio Menau

Forca

No país onde o Presidente da República hasteou alegremente a bandeira de pernas para o ar, um artista de street art algarvio, Élsio Menau, vai responder em tribunal por um trabalho de fim de curso que, apesar de ter recebido a classificação de 17 valores, foi considerado pelas autoridades como crime de ultraje à bandeira.

A imagem que podem ver em cima é talvez a que melhor ilustra este caso: procurando representar um país com a corda no pescoço, algo que corresponde, mais do que nunca, à realidade da esmagadora maioria da população portuguesa, Menau deu esta forma à sua ideia. Será que alguém realmente acredita que o objectivo seria o enxovalho deste símbolo da nação? Só por má fé ou pura estupidez.

A composição foi inicialmente instalada num terreno baldio, às portas de Faro, tendo sido removida 2 dias depois pelas autoridades. Estávamos em Junho de 2012. Apesar do sucedido, a obra esteve em exposição na Galeria de Arte do Convento de Santo António, em Loulé, entre Setembro e Outubro do mesmo ano. Curiosamente (ou não), Menau foi chamado a apresentar-se nas instalações da Polícia Judiciária da Quarteira apenas depois do insólito episódio do 5 de Outubro em que o senhor Aníbal hasteou  a bandeira ao contrário. [Read more…]

Damnatio ad Bestias

damnatio_ad_bestias_tradicoesEm nome da “tradição“, venham de lá esses leões

Não há dinheiro

Crise tirou 3,6 mil milhões aos salários e deu 2,6 mil milhões ao capital.

«O governo actual

manteve todas as práticas de co-governação com a banca e as instituições financeiras que já vinham do governo anterior (…)» Pacheco Pereira hoje no Público, a pretexto da «crise» no BES.

O Libório na cidade dos 3 P’s

Como dizia um parvalhão qualquer numa rádio de Braga, a corrida do porco Libório foi a recuperação de uma tradição medieval. E todos sabemos como eram suaves as tradições medievais…
Ao Libório, o porco, empurraram-no, puxaram-lhe o rabo e as orelhas e arrastaram-no durante 500 metros aos pontapés.
São corajosas, as pessoas que vivem na cidade dos 3 P´s. Enfrentam o porco!
E se esses P’s todos que lá vivem fossem brincar com o caralhinho? Sabemos que gostam, todos eles sem excepção. Era boa ideia, porque porcos já eles são.

Regresso ao passado

Parece que ontem, dia 20 de Junho, se cumpriu uma «tradição» em Braga, manchando a festa alegre que se pretende que o S. João seja. Uma tradição que não era cumprida há 98 anos. Saudosa, portanto!

Diz quem viu e até faz (má) locução na Tv Minho que foi «um momento bonito». Eu olho para aquelas imagens e ocorrem-me vários adjectivos. Nenhum deles será bonito. Bonito, bonito seria deixarem o Libório no seu cantito.

Foi-me garantido, ainda na véspera de tão fantástica ressurreição, por um amigo próximo que estava na organização de tamanha crueldade, que o animal não sofreria qualquer dano. Eu, conhecedora do comportamento humano quando em «matilha» e frequentemente em estado de pouca sobriedade, imaginava o que por aí viria.

Infelizmente, pelo que li de relatos de quem viu o acontecimento e foi mais imparcial do que o magnífico repórter da Tv Minho e pelo que vi nas imagens, a realidade foi mais ou menos como eu a imaginara.

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O “acordo ortográfico”

não unifica, não simplifica, nem reflecte qualquer evolução natural da Língua. «Ele foi antes orquestrado por um número muito reduzido de pessoas, em circunstâncias verdadeiramente penosas, para não dizer fraudulentas.»

O algodão não engana

Sonasol

Paulo Mota Pinto, o deputado do PSD cuja única mancha curricular, nas palavras da tia Leal Coelho, reside no facto de ter sido juiz do Tribunal Constitucional, admitiu ontem, em curta entrevista ao Público, que o TC não tem obrigação de aclarar o Governo que, por intermédio dos seus moços de recados no Parlamento, endereçou esse pedido aos “infames” juízes do TC. Mais uma mancha no currículo do homem, coitado. A tia vai ficar possidónia…

Por falar em manchas, não é que o senhor deputado, segundo a edição de hoje do Expresso, é o escolhido pela família Espírito Santo para Chairman do BES? Apesar da sua experiência no sector ser zero, sabemos bem que um deputado do PSD costuma ser pau para todo o conselho de administração. Haverá melhor tira-nódoas para um CV constitucionalmente encardido? Alguém chame o senhor do Sonasol para aclarar a situação!

Soneto Bracarino*

“A Vraga do São João
Transita pela baleta
E deus Vaco, do garrafão
Fez dum vácoro bedeta.

Ai o binho, João, ai o binho
Mais santa é a voa vevedeira
De correr atrás dum vacorinho
Em vondosa vrincadeira.

Tudo tão vom e velo, criancinhas
Correi, correi, ó indolentes
No interbalo do binho e das sardinhas…

Correi, que ganham bossas mentes
Correi, que o binho é gasolina
Correi, correi, ó inocentes…

Fernando Castro Martins”
(via FB)
* a propósito de um retrocesso civilizacional acontecido hoje em Braga.