Foi necessário escrever uma nova história, mas conseguimos!

Anda pela internet uma frase de motivação (daquelas que, normalmente, vamos logo apagar, mas, sem querer, acabam partilhadas na cronologia de todos) que diz: “Que a felicidade seja sonho, meta e realidade”. Sem pressupostos sociológicos por detrás das minhas palavras, gostaria de dizer que esta afirmação, que muitos até poderão considerar profundamente piegas, eu a recordei ontem, a 3 minutos do fim do jogo entre Portugal e Irlanda, quando Ivo Moreira

ivo

empatou o jogo, naquele que foi o resultado que fez rebentar as águas: Portugal, pela primeira vez na história da variante de campo, ascendia, por mérito próprio aos top 12 da Europa. Para já, que ainda falta jogo! Que parto difícil!

E se a realidade foi essa, ontem ao princípio da noite, com uns desoladíssimos russos a levantarem-se da bancada de cabeça baixa, foi porque soubemos acreditar no sonho, o estabelecemos como meta e trabalhamos para que fosse realidade. Depois de termos jogado tanto tempo nove contra onze, ou como os erros próprios podem ir buscar ao fundo de nós a redenção.

Depois de se sofrer horas antes, cada minuto antes do início do jogo com os irlandeses, com o avolumar do resultado da Rússia sobre a Ucrânia, que chegou ao 7-2, sabendo que a classificação estava enlaçada com os russos, que tiveram de ficar na bancada para a hipótese de terem de se reequipar para um desempate por lances livres (shoot-out) contra os portugueses, Portugal só poderia sonhar se ferrasse os dentes até sangrar, e seguisse os irlandeses por todo o campo como um daqueles cães pequenos que não descolam dos nossos calcanhares, sempre com aquele ladrar incómodo, chato, melga… ou seja, quem os tem gosta deles mesmo assim, os vizinhos é que os detestam, mas que se lixe, eles são nossos, como nossos são os Linces que ontem nos deram a alegria suprema de sermos intérpretes de novas histórias. Por isso, pegamos neles ao colo, com toda a estima. Isto de empatar com o o 15.º e o 19.º do ranking mundial e golear o 24.º, ou seja que o adversário mais próximo de nós que defrontámos na prova está pelo menos 20 lugares acima, não é todos os dias. Logo, com toda a propriedade do universo, poderemos e deveremos dizer que acabámos de escrever a página mais rutilante do nosso percurso histórico na variante de campo. E isso merece ser enaltecido e acho que ninguém vai correr cinicamente o risco de apontar seja o que for em desabono da equipa, apesar dos apesares, que também os houve, que isso de a cabeça parar a meio de uma jogada, de um posicionamento  tático, ou de repente sentir-se perdido, que se lixe, já passou, a emulação final obriga-nos a apagar tudo o que de menos bom se tem feito. Com uma condição: queremos mais, mas aí, meus senhores, querem mimo? Lutem por ele! Querem prosseguir as vossas carreiras onde as compreendam e possam sem percalços dedicar-se a ela? Façam por isso. Querem jogar bons campeonatos? Perguntem aos vossos colegas que já lá estão e, hoje, se deitam convosco na mesma camarata em Lousada.

Sim, ontem, escrevemos mais um belíssima página da nossa história, e a cores, que o Douglas Rogerson, o meu mais recente amigo nas redes sociais, registou para a posteridade no boneco épico que hoje ilustra o post. Imagens deste nível, já lhas tenho roubado mais vezes, só que desta feita a imagem regista o momento mágico depois do golo de Portugal, a 3 minutos do fim do jogo com a Irlanda, e agora é só tentar o pódio e, sabe-se lá, que mais! Esta é verdadeiramente uma foto para a história, até porque nos poupa, pelo menos, mil palavras. O que, depois da canseira que têm sido estes dias no gabinete de comunicação e informação da prova, vem mesmo a calhar!

Como profetizávamos ontem, esta, sim, é uma boa história. Aliás, a Boa História, dobremos a língua!

E, já que estamos numa de frases das redes sociais, com esta me fico: “Quando a alma está feliz, a prosperidade cresce, a saúde melhora, as amizades aumentam, enfim o mundo fica de bem contigo… O mundo exterior reflecte o universo interior”. Porque não é o concurso da tshirt oficial do campeonato, que o Marcos lançou, eu adianto já o autor desta preciosidade: Mahatma Gandhi.

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