Da ignorância da nossa burguesia

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Descubro pelo José Simões que os nossos parolos, a malta da patronal, andam a viralizar isto, um erro, dizem eles.

No princípio era o verbo, ó analfacoisas.  Isto é um verso, um belo verso, até a poesia popular ultrapassou há muito a fase das quadras. Mas não lhes podemos exigir que lá cheguem, ainda pensam que o hino da mocidade é um poema.

Comments

  1. Rui SIlva says:

    Alguém os avise que vergonha não é um verbo…

    cumps

    Rui Silva


  2. Sr. Rui Silva, falo-lhe como humilde linguista que sou e, por isso, penso que me lerá com alguma consideração. Parto do princípio de que, se lhe disser que o nome “vergonha” ocorre naquele cartaz com um estatuto metonímico ou mesmo como sinédoque, o senhor não me compreenderá. Por isso, explico-lhe de outra forma. “Vergonha” e “roubar” partilham uma contiguidade/proximidade de significância. É um sema passível de ser retirado da valência semântica do verbo “roubar”. Dê ao enunciado daquele cartaz o devido valor poético e perceberá o que lhe digo (aliás, como bem explicou o João Cardoso). Já agora: e se fosse mesmo um erro de metalinguagem, que mal viria ao mundo com isso? A classe operária não precisa de gramática para que se faça entender na contestação a que tem direito. Lembra-se do que disse Américo Tomás, depois de inaugurar a fábrica Riopele? «Só tenho um adjectivo para qualificar aquilo que vi: Gostei»! Deste, já não aceitaria justificações de natureza alguma, pois era homem estudado. Vá cantando e rindo, Sr. Rui Silva, e deixe em paz os que, por força das dificuldades da vida, se viram muito cedo arredados da escola.

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