Da ignorância da nossa burguesia

18261013_Zoihj
Descubro pelo José Simões que os nossos parolos, a malta da patronal, andam a viralizar isto, um erro, dizem eles.

No princípio era o verbo, ó analfacoisas.  Isto é um verso, um belo verso, até a poesia popular ultrapassou há muito a fase das quadras. Mas não lhes podemos exigir que lá cheguem, ainda pensam que o hino da mocidade é um poema.

Comments

  1. Rui SIlva says:

    Alguém os avise que vergonha não é um verbo…

    cumps

    Rui Silva


  2. Sr. Rui Silva, falo-lhe como humilde linguista que sou e, por isso, penso que me lerá com alguma consideração. Parto do princípio de que, se lhe disser que o nome “vergonha” ocorre naquele cartaz com um estatuto metonímico ou mesmo como sinédoque, o senhor não me compreenderá. Por isso, explico-lhe de outra forma. “Vergonha” e “roubar” partilham uma contiguidade/proximidade de significância. É um sema passível de ser retirado da valência semântica do verbo “roubar”. Dê ao enunciado daquele cartaz o devido valor poético e perceberá o que lhe digo (aliás, como bem explicou o João Cardoso). Já agora: e se fosse mesmo um erro de metalinguagem, que mal viria ao mundo com isso? A classe operária não precisa de gramática para que se faça entender na contestação a que tem direito. Lembra-se do que disse Américo Tomás, depois de inaugurar a fábrica Riopele? «Só tenho um adjectivo para qualificar aquilo que vi: Gostei»! Deste, já não aceitaria justificações de natureza alguma, pois era homem estudado. Vá cantando e rindo, Sr. Rui Silva, e deixe em paz os que, por força das dificuldades da vida, se viram muito cedo arredados da escola.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.