Duas ou três coisas.

Estando algo cansado, eventualmente por causa de ter sido obrigado a escrever o meu primeiro texto com o AO90 (para coisas do estado, para quem mais poderia ser?), parecendo que não escrever “objectivo” para a seguir apagar 5 letras e voltar a escrever 4 ainda cansa, mais na pachorra e na quebra de raciocínio na escrita do que devido às pancadinhas de amor na tecla delete, e quem diz “objectivo” diz mais uma catrefada de inúteis alterações porque sim, fui então espairecer-me um pouco pelo Facebook, poderia ser no Observador, já que os fait divers são equivalentes mas levar com quilates de propaganda direitola não cai bem depois de jantar e então acabei nisto e é melhor parar por aqui, indo ao que interessa.

O Blatter demitiu-se e já alguém o meteu a segurar um papel a dizer piadas.

blatter

Fiquei a saber, também, da reincidência no discurso dos cofres cheios. Só falta um pouco de alquimia sobre o papel para termos o ouro de Salazar, que a fome, essa, já cá está. Curiosamente (não tem nada de curioso), a saúde e a educação também caminham para esses tempos em que estávamos orgulhosamente sós. Valha-nos o povo, que é soberano e sábio na escolha.

E parece que umas moças andam por aí preocupadas com os caracóis. Ainda no outro dia li de fugida num site qualquer da tanga, na volta foi nesse das observações, pois também dá conselhos sobre reaproveitamento de pão duro, que os vegetais sentem ao serem comidos. Para mim foi uma novidade descobrir que uma alface tem sistema nervoso mas, desde que a múmia veio falar de vacas a sorrirem, já estou por tudo.

E agora o verdadeiro balde de água fria, ou pensavam que isto ia ser só disparates? Vai, sim senhor, mas agora molhadinhos e é de aproveitar enquanto é de borla, pois os cabrões vão mesmo privatizar a água. Diz a dondoca que dá por ministra que é preciso investir no sistema público da água e que o estado não tem dinheiro, apesar de ainda há semanas ter perdoado 85 milhões ao ex-BES, portanto não dá para tudo e os privados vão ser bonzinhos e fazer uma borla como fizeram, por exemplo, com a EDP que nos dá a melhor electricidade da europa, mesmo daquela boa, boa, e o que é bom tem que se pagar, já se sabe, e nós pagamos e bem, ficando no top+ europeu, ao menos em alguma coisa.

Mas o caracóis, meu deus, devagarianho, os caracóis movem paixões.

je suis escargot

Talvez se lembrem dos Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo que este governo despachou? Pois veja-se, depois do estado ter assumido o prejuízo e despedido os trabalhadores do ENVC, que isto de ser privado tem gosto requintado e não faz pandan com o que não seja limpinho, os estaleiros de repente estão a fazer negócio! Mérito do privado? Sem dúvida, sem dúvida. Conseguiram que o estado, por intermédio do ministério da defesa, lhes encomendasse dois navios e se isto não é mérito vou ali e já venho.

Vou ali.

demontar a propaganda - emprego

Já voltei.

Reparem bem no que está escrito na imagem:

Valor das indemnizações a pagar pelo Estado pode chegar aos 30,1 milhões de euros. A Martifer vai assumir a empresa sem trabalhadores, estimando até 2016 a contratação de 400 dos atuais 609 ao serviço dos ENVC, pagando ao Estado uma renda anual de 415 mil euros, o que até 2031 perfaz um total que ronda sete milhões de euros. [DN]

Neste maravilhoso negócio do governo que anda para aí a dizer que herdaram não sei o quê e que não querem voltar a 2011, o estado pagou para vender. Depois vêm os camafeus dizerem ah que bom que isto está e terão razão se estiverem a falar deles. E que criaram empregos, depois do despedimento colectivo pago pelo estado.

E agora comparem com o volume de negócios à conta do estado, esse mesmo que a malta direitola anda para aí a dizer que é preciso baixar o peso do estado, só não acrescentam onde, e é nas pensões e nos salários.

martinfer

Ah mas os caracóis… Bem, estou aqui a falar e até deu notícia na TVI, logo deve ser importante.

E o Relvas, que escreveu um livro? Mas se for como o do Passos que anda a ser oferecido a cada 15 chamada para um daqueles números telefónicos, e sabemos que vai ser, de nada lhe vale o cherne fazer a apresentação, o que de resto também de nada vale, nem um nem o outro.

E agora vou deixar de olhar para o Facebook, ou o post não acaba e ainda alguém vem para aí dizer que isto é só ataques ad hominem. Depois de nos terem atacado a carteira.

Comments


  1. Genial 🙂


  2. Ehehehehehe !
    Assino por baixo!


  3. ERA ASSIM NA MINHA ALDEIA NOS ANOS 50

    Muitos dos que iam para a escola iam descalços, alguns de solipas outros de chancas. Naquela escola de rapazes muito poucos usavam sapatos. Uma coisa era certa, para jogar a bola no enorme recreio, os calçados teriam que ficar descalços. Era a democracia a funcionar, sem dela alguma vez ouvirmos falar. Havia duas turmas da quarta classe, uma de manhã e outra de tarde. A sala tinha três filas de cinco carteiras duplas; à esquerda da dona Alzira e por isso mais próxima ficavam os bons, a meio os razoáveis e à direita os maus (que nós dizíamos burros). A dona Alzira para disciplinar os meninos usava os utensílios da época; a cana da Índia bem seca e a régua grande, pesada, e de cor castanha avermelhada espelhando as manchas que o contacto ao longo dos anos com as mãos da criançada deixava à vista.
    A sala de aula era rectangular e a zona da secretária da dona Alzira ficava num plano mais elevado; duas janelas grandes viradas a Sul deixavam entrar a luz do dia. No centro o quadro negro da mesma matéria da minha lousa e da minha pena, (s/pena) um pouco mais acima e o do lado esquerdo a fotografia do Craveira Lopes e do lado direito António Oliveira Salazar; por cima da porta de entrada no interior da sala, uma imagem da senhora de fátima em “caco”
    Quase todos os meninos da primeira à quarta classe chegados à escola iam à cantina beber um copo de leite (em pó ) e comer uma carcaça com queijo que tinha um paladar horroroso; ao almoço comiam a sopa que dois legionários agarrando cada qual a sua asa da enorme panela, transportavam da camioneta para a escola e que haveria de matar a fome à maioria.
    Ao lado desta escola havia uma outra exactamente igual e que um muro separava: era a das raparigas.
    A escola ficava num sitio muito bonito, o recreio era ladeado a Oeste e a Norte por tílias enormes e em frente grandes jardins. Nas imediações um bairro de casas térreas da classe média e que as ruas tinham nomes de árvores. Só as casas viradas para a Av. Antunes Guimarães tinham r/c e 1°andar.
    Julgo que tudo que é físico pouco terá mudado, apenas o tempo terá feito sentir os seus efeitos, envelhecendo o que foi novo.
    No tempo, acabada a quarta classe quem quisesse e podesse continuar teria que fazer exame de admissão às Escolas Técnicas ou ao Liceu.
    O director da escola era o sr Pinho que a troco de pagamento em dinheiro, dava aulas de preparação para os referidos exames.
    Como disse acima 2 turmas +ou- 60 alunos (+- porque julgo que a turma da tarde não estava completa).
    Gastei tanta “tinta” e era mesmo aqui que queria chegar:

    “+ou-60 alunos e o sr Pinho preparou SETE”

    ” Se os deixarmos eles vão fazer recuar a tempo idêntico. Não será exactamente igual, mas os reflexos na sociedade serão equiparados. Para aqueles que apadrinham a abstenção, o final do poema de Brecht “O Comboio de Serviço” dá a resposta dos vencedores após as eleições”

    P.S. na primária o tratamento ao prof era sr. ou dona.
    Av. Antunes….. (não foi descuido)

  4. Fernando Torres says:

    Depois disto:
    http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=4605526

    pode-se aventar isto:

    Costa na Presidência da República?
    Rio em Primeiro Ministro?

    Era o quarto milagre de Fátima!

  5. Nightwish says:

    Ora bem, se dantes não havia canos para a água chegar às pessoas, agora deixa de haver dinheiro para abrir as torneiras. Progresso, minha gente, progresso!

  6. NIKO says:

    onde anda a justiça?


  7. A crença é uma força maravilhosa que nem se detêm nos factos. Tanto falta de seguimento nas investigações da judiciaria e que passaram a dar processos com a saida dos socraticos não representa nada!! Haja fé e movem-se montanhas; mesmo que sejam de mentiras.

  8. Rui Silva says:

    É indiscutível que os Estaleiros de Viana criaram emprego. Criaram emprego para o numero de trabalhadores que admitiram.
    Pois temos que considerar que na situação anterior os estaleiros tinham zero empregos. Quando uma empresa dá prejuízo quer dizer que alguém tem que pagar para outro alguém nada fazer. Ou seja, se quisermos podemos, imaginar que uma empresa com 10 pessoas que acumula prejuízos, como um local onde estão 5 pessoas a cavar buracos e outra 5 a tapa-los, repetidamente. E alguém a pagar esse esforço de “Sísifo”.

    Não compreender isto é como acreditar no Pai Natal.

    cumps

    Rui Silva

    • j. manuel cordeiro says:

      Muito me apraz alguém dar a cara pela mentira.

      Quem é que gerou o negócio que permitiu contratar alguns dos despedidos, mas com menor salário, por forma à propaganda vir dizer que criaram emprego? O estado. Há alguma razão para que o negócio também não existisse com os encv? Não. Estamos falados.

      Mas já que veio em defesa da mentira torpe, comente lá o valor gasto pelo estado em Indemnizações e quanto a West Side vai pagar pela renda.

  9. Rui Silva says:

    Caro J.Manuel Cordeiro,
    O que interessa aqui não é quem gerou o negócio ou o salário pago. O que interessa aqui, é que a empresa atual existirá enquanto houver encomendas. Quando não houverem encomendas ( os clientes podem preferir uma outra empresa mais eficiente) a empresa fecha.
    Bom…!
    Fecha? não sei…
    Você e outros que pensam como você, são livres de abrirem uma conta na CGD que oferecem á empresa e assim ela poderá fabricar os barcos mais baratos tornando-se assim competitiva e está tudo bem.

    cumps

    rui Silva

    • j. manuel cordeiro says:

      E já abrimos uma conta na CGD para pagar 30 milhões de indemnizações aos despedidos. Grande negócio.

      E interessa de onde vem o negócio, sim senhor. Porque uma coisa é uma decisão política de encomendar 2 navios à empresa que se acabou de concessionar, outra é o negócio que venha de um armador que nada tem a ver com os centros de decisão política nacionais. Onde estão esses armadores?

      • Rui Silva says:

        Ainda bem que me lembrou dos 30 milhões.
        Se a privatização não tivesse sido feita, hoje em vez de 30 milhões já seriam 40 ou 50 milhões tal é a voracidade dos “direitos adquiridos”.
        Em relação á origem da encomenda supra citada, compreendo que o meu amigo ache que o estado Português devia ter feito a encomenda a outra companhia. E porquê ? Porque sim !
        Pois eu acho que o estado deve encomendar a quem fizer o melhor preço, que deduzo ter sido a empresa que ganhou a encomenda. Agora se você tem informações privilegiadas que lhe permitam dizer que não foi isso que aconteceu , já agora partilhe.
        Mas cá para mim você só diz isso, porque acha que a empresa não devia ter acabado. Claro que se a sua opinião fosse cumprida, você contava com o dinheiro dos outros.
        Entretanto gostava também que compreendesse que a sustentabilidade da West Sea não dependia desta encomenda. Parece que neste momento trabalho não lhe falta. Situação caricata, se tivermos em conta a total incapacidade da ENVC para…. construir barcos.

        cumps

        Rui Silva

        • j. manuel cordeiro says:

          «Se a privatização não tivesse sido feita, hoje em vez de 30 milhões já seriam 40 ou 50 milhões tal é a voracidade dos “direitos adquiridos”»

          E que tal nos cingirmos ao domínio do racional?

          «Em relação á origem da encomenda supra citada, compreendo que o meu amigo ache que o estado Português devia ter feito a encomenda a outra companhia.»

          Nada do que escrevi aponta para o que diz. Registo, isso sim, que a encomenda foi colocada à empresa que o governo privatizou. Muito conveniente. Onde é que está o concurso público?

          «Mas cá para mim você só diz isso, porque acha que a empresa não devia ter acabado. »

          Não acho nem deixo de achar. O que eu vejo, e vê quem quer, o estado enterrou 30 milhões para dar uma empresa a um privado. Porque a renda que a West Side paga é ridícula.

          E ainda digo mais. Os ENVC foram um instrumento do governo socialista quando o governo dos Açores encomendaram os 2 navios. Quando chegou a hora dos Açores os pagarem, arranjaram o incumprimento de requisitos para não pagarem. É certo que a velocidade contratualizada não era atingida. Mas a questão que se coloca aqui é porque é que os ENVC aceitaram alterações ao caderno de encargos sem as validar? Ou pelo, menos negociá-las? O Goveno dos Açores pediu para se colocar mais um andar no ferry e a administração dos ENVC não aumentou a potência dos motores nem procedeu a estudos de estabilidade. Chegada a hora de pagar… ah e tal não serve.

          E agora, novamente, os ENVC são um instrumento do governo de direita, com a sua política de privatizar mas criando negócio para estes “privados”. É disto que se trata. Dar negócio aos amigos e ainda ter a lata de dizerem que criaram emprego. Cambada de incompetentes.

          «Entretanto gostava também que compreendesse que a sustentabilidade da West Sea não dependia desta encomenda. Parece que neste momento trabalho não lhe falta. »

          Deve ser por isso que contrataram as pessoas que tinham sido despedidas. Ah, espere, foram apenas 200.

          • Rui Silva says:

            Caro JMC,
            Veja que a partir do momento que a empresa passa para o privado deixa de ser um instrumento nas mãos da direita e da esquerda.
            Claro que ainda há o problema dos negócios que o estado promove e dessa forma cria uma enorme clientela beneficiando A em relação a B . Essa situação só pode ser mitigada, tirando o estado cada vez, mais da economia. Em Portugal o peso do estado ainda é enorme.
            As privatizações tem vindo a resolver alguma coisa mas a um ritmo demasiado lento, pelo menos tão lento que já nos custou 3 falências.
            Em relação a emprego, você acha que criar 200 empregos verdadeiros é pouca coisa… A maioria das pessoas que não tem emprego garantido não pensam assim. Um posto de trabalho, é mais um posto de trabalho, é o garante da sobrevivência de uma família. Mas para si, são só mais 200 famílias …

        • j. manuel cordeiro says:

          “As privatizações tem vindo a resolver alguma coisa mas a um ritmo demasiado lento, pelo menos tão lento que já nos custou 3 falências.”

          Esta afirmação é delirante. Estamos na falência devido à crise causada pela banca. *Banca*

          “Em relação a emprego, você acha que criar 200 empregos verdadeiros é pouca coisa…”
          Não foram criados, é esse o ponto. Se acha que o que diz faz sentido, então também posso afirmar que esta empresa destruiu duzentos e tal empregos.

          • Rui Silva says:

            Uma empresa com prejuízo cria ZERO empregos, e destrói uns quantos ( aqueles que tem de contribuir para o subsidio).
            Tão simples quanto isso.

            RS

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  1. […] lá relativizar o sucesso. O governo vendeu os ENVC com prejuízo. Visto assim, estas migalhas são um sucesso.  Mas nada que se compare aos 85 milhões que o […]

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