Cultura 2011-2015. Contributo para um balanço

Em 2011 a mudança de governo trouxe uma novidade – deixou de haver Ministério da Cultura. E então, a acreditar nos principais órgãos da comunicação social, e em muitos bem pensantes e bem falantes da denominada área cultural (ou lá o que isso é), essa medida, acabar com o Ministério e passar a Secretaria de Estado, era um indício do menosprezo que a “direita” tem em relação às matérias da cultura. A falta de rigor nessa análise não  permitiu ver que também não havia Secretaria de Estado da Cultura. Tivemos assim não um Ministério da Cultura, não uma Secretaria de Estado da Cultura, mas um Secretário de Estado. O que acontecia pela primeira vez desde 1980. Adiante. Como primeiro titular da pasta, Francisco José Viegas. Sucedeu-lhe Jorge Barreto Xavier.

No caso de F.J.V. três questões marcaram o seu mandato, pela negativa. Desde logo a questão da Barragem de Foz Tua, caso em que “lavou” as mãos como se nada tivesse a ver com o caso. Relembro um célebre Relatório sobre a Barragem  entregue ao Estado Português que foi escondido (divulgado em primeira mão pelo jornal Público, traduzido neste blog).

O segundo caso foi a questão da orgânica dos serviços da área da Cultura. F.J.V. e o governo  implementaram uma restruturação que estava preparada pelo governo anterior (nas vésperas do Conselho de Ministros, em que ia ser aprovada, o governo Sócrates caiu), e que foi objecto de críticas e discordâncias por parte da então oposição (PSD e CDS) e dos profissionais da área. Convém dizer que  o PS se mostrou desagradado e muito crítico a esta matéria este ano no período pré-eleitoral e durante a campanha, tendo prometido alterar o estado das coisas. No mínimo irónico.

O terceiro caso é o célebre Crivelli, objecto de vários trabalhos no jornal Público,  ainda hoje por esclarecer em toda a sua dimensão.

Quanto a J.B.X., apontaria a denominada colecção SEC (e a trapalhada com o Museu de Serralves e o Museu do Chiado). Uma colecção cujo inventário e localização desconhecemos.

O segundo caso é o dos Mirós. A novela desta colecção continua, e tem alguns buracos negros. A falta de transparência é comum a estes dois casos.

Há ainda dois denominadores comuns quer ao anterior governo (PSD-CDS de Passos Coelho e Paulo Portas)  quer ao governo PS de José Sócrates. Portugal tem inscritos bens na lista da Unesco do Património Mundial. Isto é, a Unesco reconheceu-lhes valor universal.  É triste que o Estado Português nos últimos oito anos, pelo menos, os tenha menosprezado, e tenha permitido, que dois deles tenham sido objecto das maiores agressões (o quarteirão das Cardosas, no Centro Histórico do Porto, e a barragem de Foz Tua no Alto Douro Vinhateiro). E ainda, e não menos importante, o Acordo Ortográfico.

 

 

 

 

 

 

Comments


  1. Estando de acordo com o post, de vo lembrar que nem tudo foi negativo no governo anterior. Não fora a sua existência e um gestor de sumos e cervejas não teria sido guindado a admnistrador da Fundação de Serralves.

  2. Vila do Conde says:

    Para não falar do que não se fez—o Cinema esteve parado. o teatro foi o que sesabe, o património idem….mas lembremos o inefável Xavier e a vergonha que foi a sua participação no funeral de Paulo Rocha. Não se lembram que o homem se tinha demitido da direcção Geral da Cultura porque não tinha os meios necessários para trabalhar. AH,AH,AH

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  1. […] OS […]

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