Os Dias de Gatwick


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Johnny English

Aqui na ilha, tudo na mesma.
Trabalhamos quatro dias seguidos, depois mais três dos supostos quatro de folga. Depois mais quatro, e por aí fora. Já não nos lembramos de ter dois dias seguidos de folga…
Os comboios andam sempre atrasados ou nem andam por falta de pessoal e conflitos laborais insanados.
Amanhã o dia começa um pouco antes de brotar a luz, às 03h45. O habitual.
Hoje um americano deixou uma libra de gorjeta. É de estranhar porque os americanos ficam sempre muito indignados por terem que pagar os serviços como qualquer mortal.
Os franceses, os espanhóis, os italianos, os espanhófilos e outros tentam falar inglês.
O café no geral é mau ou péssimo. Resta o Dijo, o café luso da Station Road.

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A BBC1 está a passar uma grande série com os mosqueteiros.
O nível dos debates políticos é dois furos acima do mundo lusófono. Fala-se de direitos humanos como os nossos para-lamentares falam de jogos de futebol.
 O iogurte tipo grego com limão é gostoso e melhora muito com as frambroesas inglesas à mistura. As maçãs é como quem compra um kilo e não come nenhuma porque nunca amadureceram.
Dizia um jornal que Gatwick é o maior aeroporto britânico de férias. E se há povo no mundo que vive para as férias é este povo aqui. A Espanha é o destino número um. A França vem depois. Portugal vem também na lista dilecta.
 Há já quase duas semanas jaz na entrada do terminal Sul um pássaro. É só penas. Ninguém vê para vir limpar aquilo. Está ali a meter nojo, devem pensar que uma raposa o virá buscar. Ninguém quer saber.
Assim como dos buracos, sempre os mesmos, nas vias de acesso e à porta dos hotéis. Duram, duram, duram, transitam do Inverno para o Verão como quem põe uma t-shirt a secar.
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Aparecem carros em contramão; devem ser franceses ou apenas estúpidos.
A polícia faz road blocks quase todos os dias. Os cães vêm em carros refrigerados, diz o autocolante.
Morreu um ganso num lago algures. A polícia encerrou o inquérito porque concluiu que o animal morreu de morte morrida. A investigação quedou-se por ali.
No caminho dos ciclistas que vêm de Londres e vão para Paris fica o café Fifty Four, do outro lado da linha. Tem um gira-discos e discos à escolha, cerveja artesanal e música ao vivo alguns dias por mês.
Cá há muitos madeirenses e portugueses também são alguns. É isto.

Comments

  1. fleitao says:

    Muito giro. E cheio de recados.

  2. Bonito,sim senhor !!!

  3. ...Eu não sou de cá... says:

    Sr. Autor convidado!
    Compreendo perfeitamente o que quer dizer.
    Eu também não gosto nada das bicas que me servem na Alemanha ou em França, já na Itália… não digo que não.
    É claro que conheço um português que quando foi pela 1ª vez a Espanha e já tinha 45 anos me disse que a comida por lá era uma “merda” e nem sequer tinham batatas com bacalhau e grelos…
    Portuga é mesmo lixado…

  4. j. manuel cordeiro says:

    Muito bom.

  5. Ana Moreno says:

    Gostoso mesmo!

  6. Este Darry John saiu-me cá um cronista de mão cheia.

  7. Muito bom!

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