DN cada vez mais irrelevante…


O cliente é, ou deveria ser, a pessoa mais importante para qualquer empresa, pois sem ele qualquer negócio vai à falência…

Cliente, consumidor ou leitor, a palavra aqui é irrelevante, por mais que os órgãos de comunicação social sobrevivam graças à publicidade, quando um anunciante paga para promover um produto ou serviço, espera obter retorno do investimento através das pessoas que visualizam o anúncio. No caso dos jornais existem também receitas obtidas com as vendas, mas as tiragens são bastante reduzidas, insuficientes para a sobrevivência. Seguramente que a marca Diário de Notícias, pertença da Global Media Group não escapará à implacável lógica do mercado.

Assiste a meu ver toda a razão a Paulo Baldaia, concordo inteiramente que um responsável possa formar uma equipa da sua inteira confiança, na qual se reveja, quer estejamos a falar de estilo ou conteúdo. E naturalmente responderá pelos resultados. Posso não concordar, mas registo com agrado que Paulo Baldaia assuma que não quis continuar com a colaboração de Alberto Gonçalves no DN. Nada que me surpreenda. Enquanto leitor, resta-me procurar continuar a ler o cronista na Sábado, ou qualquer outro sítio onde possa vir a escrever, ao passo que o DN passa ao baú do esquecimento, porque também eu enquanto leitor, consumidor ou cliente, como preferirem, não me revejo neste jornal…

Comments

  1. António Almeida gosta de ler AG, um tipo que fez o elogio do soldado que esmagou da mão do músico chileno Vítor Jara, impedindo-o de tocar guitarra, antes de o fuzilarem na sequência do golpe de Pinochet. Registe-se.

  2. Rui Naldinho says:

    Sim, talvez o DN se torne cada vez irrelevante, mas nunca por essa razão.
    Se é verdade que os jornais estão pela rua da amargura, convém explicar antes como chegamos até aqui.
    Aliás, dou-lhe os parabéns a si e a todos os outros membros do Aventar, por isto ser um espaço de liberdade e de democracia, onde até alguns energúmenos têm direito a insultar uma paz de alma.
    Comecemos pela primeira frase:
    “O cliente é, ou deveria ser, a pessoa mais importante para qualquer empresa, pois sem ele qualquer negócio vai à falência…”

    Até aí estaremos todos de acordo, e nem um desmiolado pode contrariar essa evidência.
    Só que os jornais não são qualquer empresa. São muito mais do que isso. Daí ser apetitoso para qualquer projeto político dominar um órgão de comunicação social. Se possível, a imprensa no geral, preferencialmente de uma forma discreta para não dar nas vistas. A não ser assim, com excepção do jornal Expresso, A Bola e o Correio da Manhã, os outros órgãos de comunicação social escritos já tinham fechado todos. Uns, por darem prejuízo há viários anos, outros, porque os poucos lucros que dão não valem a chatice de andar meses a fio com as calças na mão, olhando para as tiragens diárias como o piloto para os manómetros do avião.
    Dessa forma o argumento serve para quem vende automóveis, camisolas ou maçãs, mas não serve para quem quer fazer de um jornal um instrumento para vender uma ideologia, uma imagem pessoal, ou um conjunto de ideias políticas que pretende difundir ao público em geral. Hoje os jornais não vendem notícias. Vendem propaganda e alguma publicidade à mistura.
    A irrelevância da comunicação social escrita em Portugal tem razões económicas e culturais.
    As económicas são conhecidas. Antes de se comprar ou assinar um jornal, é preciso primeiro comprar o passe social e ir à mercearia do Senhor Jerónimo ou do Senhor Belmiro comprar os géneros, para que eles se possam dar ao luxo de ter um Jornal ou uma Fundação.
    Mas nas razões culturais, não está só em causa a ileteracia de uns quantos como eu, que de vez em quando dão umas calinadas na gramática, nem daqueles “novos ricos que trocam de carrão com a frequência das olimpíadas”, mas não leem um livro ou um jornal. Quando muito os desportivos. Nem nos miúdos que preferem o telemóvel ao livro. Nessas razões culturais está também uma enorme falta de ética, de cultura da imparcialidade, do jornalismo atual. Na maneira enviesada como hoje se faz o jornalismo. Como uma certa elite endinheirada tomou conta dos órgãos de comunicação social contratando uns quantos “jornaleiros” para escreverem o que eles lhe mandam. Entretanto a velha guarda vai-se reformando e despedindo, até que aquilo se transforme num pasquim.

    “Assiste a meu ver toda a razão a Paulo Baldaia…”
    Pois assiste. Este foi diretor durante vários anos da melhor estação de rádio notícias do país. Ao dispensar Alberto Gonçalves arcará com as consequências das suas escolhas. Acredito que muita gente deixará de ler o DN, tal como eu deixei de ler o Público de David Diniz, pelas mesmas razões que António Almeida aponta a Paulo Baldaia.
    É a comunicação social que temos!

    Enviado do meu iPad

  3. Rui Naldinho says:

    Deve ler-se iliteracia

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