O Livro da Vida

No dia da criação do mundo, um grupo de deuses foi encarregado de esconder, no fundo de um poço cheio de esterco, a Roda do Sofrimento. Colocaram-na bem lá no fundo e, com a força extraída da energia de 10 mil estrelas, deram à roda um impulso que a fez girar perpetuamente no sentido da noite e da dor.

À entrada do poço, postos em círculo em torno do bueiro e sob a luz clara do sol de Deus, os homens gritam incessantemente desde esse primeiro dia:

– A Roda do Sofrimento gira no fundo de um poço de merda!

Os deuses assistem dos seus tronos celestes ao espectáculo triste dos homens que clamam e esbracejam, embriagados pela revolta e pela impotência. Apontam num pequeno papel – do tamanho de um bilhete de metro -, de mil em mil anos, o Nome daqueles que mergulham no poço e tentam parar a Roda.

Era a esse manuscrito que algumas civilizações, entretanto desaparecidas, chamavam O Livro da Vida.

E se um drone colidisse com o seu voo?

incidente lam tete 05 janeiro 2017

O  Boeing 737-700 das Linhas Aéreas de Moçambique tinha a pista à frente. Do choque não resultaram feridos. Desta vez.

Aconteceu a 5 de Janeiro de 2017,  às 17:15 horas, à chegada ao aeroporto de Tete, em Moçambique. Já com a pista à vista, a tripulação ouviu um estrondo, que se revelou ter resultado da colisão de um objecto com o nariz do avião. Lê-se na imprensa que terá sido um drone, apesar do comunicado da LAM não o confirmar.

Não se sabe o que faria um drone à turbina do avião, mas bem não seria, certamente. Por isso, faz todo o sentido que a Autoridade Nacional da Aviação Civil tenha introduzido limitações ao voo de drones. No entanto, legislação não chega, pois, como sabemos, as regras existem para ser quebradas. E há quem as quebre por rebelião, por inconsciência e também por maldade. Poderemos estar perante um novo problema de segurança com estes objectos voadores telecomandados. É possível que, a par com a indústria dos drones, apareça também a indústria de segurança contra os perigos que estes objectos possam (vão) trazer.

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Lava mais branco

O tema das notícias do dia é, como é natural e lógico, a morte de Mário Soares. E assistimos à televisão no seu melhor – que é mau, como sabemos. Liga-se a TVI24 e fica-se perplexo. Para discutir a figura de Soares, foram escolhidos, além das duas jornalistas, o sobrinho – o estimável e pitoresco Eduardo Barroso -, o amigo – Carlos Monjardino- e, para o comentário político puro e duro, dois salazaristas reciclados: José Miguel Júdice – que aderiu à democracia pelos lucros que ela lhe trouxe – e Adriano Moreira, que, fino e inteligente como é, conseguiu fazer esquecer a muita gente, através da criação de uma “persona” democrática, o facto de ter sido destacado ministro – do “Ultramar”…- de Salazar e autor da reabertura do campo do Tarrafal, entre outras habilidades. E foi vê-lo, ladino, como se não tivesse nada a ver com o assunto, a discorrer sobre as políticas anti-coloniais defendidas por Mário Soares. Foi nesse momento que, nauseado, desliguei a televisão e abri um livro, opção sempre recomendável em casos que tais.

Entretanto, na “Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD” (*)…

psd-distrital-de-lisboa-morreu-soares

Aguarda-se que um partido que faz parte do Estado de Direito se demarque disto (e do resto) a qualquer momento.

* cf. descrição do grupo, apesar de ser uma página oficiosa.

[post actualizado para sublinhar que a página em causa é uma página oficiosa]