Um legado sem herdeiros

Rui Naldinho

sa-carneiro-1O Blogue Direita Política que alguns escribas dizem não ser de gente ligada ao PSD, por não estar devidamente “patenteado”, não soubéssemos nós como estas coisas funcionam, resolveu durante os dias em que decorreram as exéquias fúnebres de Mário Soares, divulgar através do Facebook, uma espécie de elegia a Francisco Sá Carneiro, cuja morte ocorreu há 36 anos.
Percebe-se a orfandade da direita perante figuras que se opuseram à ditadura de forma explícita, e cujos valores democráticos Soares ajudou a construir em Portugal de uma forma ímpar, no contexto político da segunda metade do século XX.

Francisco Sá Carneiro, um homem da alta burguesia portuense, advogado de profissão, que dentro do regime fascista sempre se opôs à ditadura, teve indiscutíveis méritos. Era um democrata naquilo que a palavra tem de mais genuíno. Contudo, não há comparações possíveis entre os dois personagens, porque um viveu na clandestinidade, outro não. Um esteve preso e exilado, outro foi deputado, ainda que da chamada ala liberal da ANP. Infelizmente, Sá Carneiro teve uma vida efémera, motivada por um acidente aéreo com contornos estranhos, que para muitos não passou de um atentado. Soares viveu uma vida longa. Tudo isso são realidades indesmentíveis, mas que não acrescentam nada ao que já se conhece dos dois. Portanto, o valor intrínseco que cada um deles tem na construção do nosso regime democrático, não lhes pode ser retirado. [Read more…]

Subversão

2017-01-11

Donald Trump, goste-se ou não, foi eleito Presidente em eleições cujo resultado não sofreu dano de legitimidade por qualquer decisão judicial, ou outra de instância para tal competente. O que se está a passar na América é a total subversão da Democracia. O interminável folhetim Obama, com dedicatórias comovidas da primeira dama, últimos discursos intermináveis e uma ocupação total do espaço mediático, faz parte de um verdadeiro processo de Impeachment do presidente eleito, que teve início imediatamente após a sua eleição e decorre à revelia de qualquer mecanismo constitucional ou judicial.

O espectáculo que a América oferece ao mundo é o da implosão institucional de uma Democracia totalmente dominada por processos anti-democráticos, de guerrilha política, contra-informação e propaganda. Obama não fica bem na fotografia e os Democratas ficam pior.

Amanhã, na Assembleia da República

ar-peticao

As razões intrínsecas que podem levar um partido no poder que se denomina Partido Socialista a tomar uma posição declaradamente pró-CETA – o acordo de “comércio livre” entre a UE e o Canadá – são insondáveis. O conhecimento das amplas implicações do acordo revela o seu carácter nocivo para os interesses dos cidadãos, os quais passam a estar submetidos ao arbítrio de multinacionais que poderão exigir, num tribunal especial (ICS), indemnizações milionárias por medidas governamentais que considerem danosas para os seus lucros futuros.

Ao contrário do que aconteceu na Valónia, onde o processo de consulta pública foi real e abrangente e levou a exigências claras antes da assinatura do acordo, o governo português não informa os cidadãos portugueses sobre o acordo e suas consequências e os media votaram o tema ao ostracismo.

Qual será a percentagem de portugueses que ouviram falar desse acordo que já foi assinado e será votado no Parlamento Europeu no próximo mês de Fevereiro? 1%? Não faço ideia, mas quando se pergunta aleatoriamente a alguém, mesmo na capital, ninguém conhece sequer a sigla.

Foi essa a razão que levou a Plataforma Não ao Tratado Transatlântico a apresentar uma petição subscrita por mais de 5.000 cidadãos informados, exigindo um debate público sobre o CETA na AR. O que irá acontecer amanhã, 12 de Janeiro de 2017. Paralelamente, haverá uma concentração com microfone aberto em frente à AR.

Participe e informe-se! O CETA vai MESMO ter um impacto negativo para os cidadãos e para as Pequenas e Médias Empresas!

O Discurso.

O poucochinho de 2016

Santana Castilho*

O que se ensina e o modo como a Escola se organiza para ensinar deveria traduzir um projecto de sociedade, decidido de modo suficientemente participado para a representar. Infelizmente, traduz apenas o querer de quem manda em cada momento, fruto da recorrente incapacidade de os partidos construírem um entendimento político que acomode os tempos da Educação. Com efeito, nenhuma reforma se compadece com a duração estreita de uma legislatura.

A Escola que o anterior Governo deixou visava criar “recursos humanos” produtivos, pacíficos face aos grupos económicos a que se destinavam e agressivos face à competição desumana que deviam vencer para lá entrar. O que o actual Governo fez para mudar essa Escola e preparar cidadãos capazes de agirem de modo crítico e independente é manifestamente poucochinho.

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Ao cuidado da direita indignada com o despesismo

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que vocifera, com toda a razão, contra os salários obscenos que se pagam na função pública, seja a um António Domingues ou a um perigoso sindicalista, desses que só sindicalizam e não querem trabalhar, e que ainda por cima são comunistas, os nababos! Peço um minuto da vossa atenção e indignação para que atentem neste dispositivo contabilístico, gentilmente disponibilizado pela Geringonça, que nos permite assistir em directo ao acumular de euros por parte do antigo secretário de Estado privatizador de Passos Coelho, que o próprio Passos Coelho escolheu para vender o Novo Banco, e que em 14 meses já nos levou qualquer coisa como 365 mil euros, sem que ninguém tenha ainda percebido para quê, dada a inexistência de resultados que justifiquem os cerca de 25 mil euros por mês que aufere.

Como sei que a vossa indignação é honesta e genuína, e aqui alargo o convite a todos os paladinos anti-despesismo da nossa cândida direita, estejam eles no comentário político televisivo, nas colunas de opinião anti-esquerda, na blogosfera liberal/conservadora ou nos grupos de ódio laranja nas redes sociais, ficarei a aguardar, com expectativa, pelos vossos contributos indignados. E caso para dizer: e o Sérgio Monteiro, pá?

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@DN

Informação de qualidade

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Correio da Manha, what else?

via Uma Página Numa Rede Social

Lettres de Paris #61 a #64

Ma maison me manque

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ou não sei o que é. Depois da visita da Sílvia e do Guilherme, das celebrações dos 50 anos de ambas e de três dias com eles, fiquei hoje a modos que ‘em baixo’. Ou não sei o que é. Não é que esteja farta de Paris. Ninguém no seu perfeito juízo poderá, objetivamente, ficar farto de Paris (bom… sou capaz de pensar em duas ou três situações em que isso pudesse acontecer), é evidente. Mas começo, talvez, a sentir falta da minha casa, do meu gabinete, das minhas coisas, das rotinas diárias. Essas coisas. Ou não sei o que é. A verdade é que ultimamente, desde há 4 ou 5 dias, o tempo tem estado muito cinzento e chuvoso. Não aquela chuva desempoeirada, que cai com abundância. Mas uma chuvinha chata, poucochinha mas continuada, que enche tudo de uma espécie de viscosidade que aborrece. Isso e a poluição. Tenho tosse há dois ou três dias e chateia-me tossir. Também me doi o polegar da mão esquerda. E isso também me chateia. Enfim, estou lamurienta, queixinhas e ‘em baixo’ e portanto deduzo que tenho saudades de casa, sendo casa tudo o que a mesma significa, como é evidente.
 
Na verdade estou quase a ir-me embora e por isso devia estar mens queixinhas e aproveitar as duas últimas semanas(ou quase isso) por aqui. Vou aproveitar, penso, mas logo a seguir já não me apetece aproveitar. Só me apetece estar em casa. Hoje não há nada a fazer. Escrevo outra carta que são muitas, cartas por atacado, também por isso. Porque nem me apetece escrever, apesar de haver coisas a contar, sobretudo dos últimos dias em que celebrei com a minha irmã-praticamente-gêmea os nossos 100 anos de existência. Não creio que ter feito 50 anos me tenha afetado particularmente (bom, esta dor no polegar se calhar é uma artrose, e as artroses são coisas que se agravam com a idade… portanto, talvez os 50 anos me tenham afetado, afinal, logo assim, para começar). Nunca me importei de fazer anos. Será sempre bom sinal e toda a gente sabe que fazer anos é melhor que não os fazer. Ninguém pode ficar parado nos 20 anos e, sinceramente, tirando a questão dos ossos, eu também não quereria ter 20 anos agora. Nem 30, nem 40, nem 10, nem 5. Quero ter estes 50 anos que tenho. Com o que a vida me deu (menos as dores nos ossos). E quero a minha casa. Pronto.
 

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