America first will never make America great…


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É obviamente cedo para avaliar o desempenho do Presidente Trump, contudo as expectativas estão demasiado baixas, pelo que o homem até pode surpreender favoravelmente, mas não creio. Um velho ditado diz “nunca digas, nunca”, a verdade é que jamais me passaria pela cabeça concordar mais com o Presidente da China do que com o Presidente dos EUA.

De todas as intenções anunciadas por Trump, neste momento não passam disso mesmo, intenções, porque não existe ainda qualquer diploma para aprovação no Congresso, a que mais discordo, embora tenha dúvidas como isso pode ser feito e qual o verdadeiro alcance, será a implementação de medidas proteccionistas.

Nunca o isolamento, o proteccionismo criou riqueza, prosperidade em qualquer parte onde foi experimentado. Terá Donald J. Trump consciência dos custos que representaria a Apple fabricar o iphone nos EUA? Qual passaria a ser o preço de comercialização do aparelho? O mesmo se passa na industria automóvel, uma coisa é a retórica do discurso, mas hoje passada a festa da inauguração da Presidência, Donald J. Trump será chamado à dura realidade. A indústria automóvel até pode fabricar nos EUA para vender nos EUA, mas necessitará um tratamento fiscal muito favorável que não a impeça de concorrer com as marcas nipónicas e europeias. E caso os EUA optassem por uma forte taxação das importações, seriam confrontados com a retaliação comercial de todos os parceiros, o que levaria ao isolamento dos EUA, que deixariam de ser competitivos no mercado internacional. Várias vezes no passado Bill Gates ameaçou mudar a sede para o Canadá, alguém acredita que entre a espada e a parede, obrigadas a escolher entre os EUA e o mundo, as empresas americanas, muitas delas com capital estrangeiro, escolheriam permanecer nos EUA?

Também na Europa, Portugal incluído, existe muito boa gente contra a chamada globalização, nem sei bem o que isso é, mas recordo porque tenho memória, o tempo que para comprarmos algo que tinha sido lançado na Europa ou EUA, era necessário viajar e nem toda a classe média o conseguia fazer, ou esperar que alguma empresa portuguesa fizesse a comercialização normalmente a preços proibitivos. Gosto da ideia de poder comprar um disco no mesmo dia que é lançado em Londres ou N.Y., assistir a um filme quando estreia e não meses depois, vestir a marca que me apetece ou com a qual me identifico, comer um presunto de porco preto alentejano, mas variar sempre que quero e comprar um ibérico ou Parma. Quero poder continuar a comprar o televisor, telemóvel ou qualquer outro bem de consumo que me apetece, mas não estou disposto a pagar mais porque o sr. Donald Trump decidiu que a indústria americana tem que ressuscitar, como de resto estaria indisponível para pactuar com medidas do género por parte de Portugal ou da U.E.

O significado da globalização para mim é poder comprar, dentro das minhas possibilidades é claro, o que quero, ao melhor preço. E praticamente toda a gente quer o mesmo. É legítimo que assim seja. Claro que a indústria americana promete abrir algumas fábricas nos EUA, mas não fala nem o poderia fazer em encerrar fábricas na América latina. Poucos mexicanos, colombianos, brasileiros, argentinos ou chilenos, estamos a falar num enorme mercado, estarão disponíveis para pagar mais caro por um Ford, Chrysler ou Chevrolet, apenas porque o sr. Donald Trump decidiu que têm de ser fabricados nos EUA. A última palavra pertencerá sempre ao consumidor, que num ápice mudaria para marcas de outros países. E mesmo no mercado interno onde tecnicamente seria possível ao arrepio de acordos assinados, taxar produtos importados, tenho sérias reservas que os americanos queiram pagar mais para obter menos. Cedo ou tarde, esta será a dura realidade com que Donald J. Trump será confrontado.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    “nem sei bem o que isso é”

    Os anarco-capitalistas em poucas palavras.

  2. António de Almeida queixava-se há dias do lhe terem tirado o Alberto Gonçalves, um cronista fascista que elogiou a tortura de um músico opositor de Pinochet.

    Agora, esclarece-nos totalitário como “nunca o isolamento, o proteccionismo criou riqueza, prosperidade em qualquer parte onde foi experimentado”. Sim, claro O proteccionismo que os negócios da Inglaterra imperial não se fizeram preceder de canhoneiras na China boxer, nem na Índia; nem os da Bélgica colonial se fizeram preceder de amputações e genocídio no Congo; nem os ianques da United Fruits se fizeram preceder dos seus tanques e dos seus presidentes em toda a América Latina. Como se as posição privilegiadas dessas indústrias não se tivesse feito com o proteccionismo bem instalado e só depois depois exigindo abertura, quando já não tinha concorrência., como agora faz a Alemanha com o euro colonial.

    António de Almeida aprecia comprar o que quer, quando quer, ao mais baixo preço. Não se importa com a tortura de músico que se opunha a Pinochet e queria que o elogiador fascista continuasse no jornal que gosta de comprar.

    Almeida não reparou, mas ele Alberto Gonçalves e Trump são farinha do mesmo saco. Há-de elogiá-lo, que trabalham para os mesmos objectivos e esses não são o fim da globalização tal como ela é. Isso é conversa. Dos três, aliás.

    • Ferpin says:

      Portanto, o Nuno está não só preparado como aceita, que o trump faça tudo isso que os impérios do passado fizeram, certo?

      Só assim se percebe o seu argumentário.

      O mundo hoje é um pouco diferente. É difícil fazer à China, índia, etc, o que preconiza. Eles têm bombas atómicas.

      Portanto, se o trump achar que pode fazer o que deseja com a sem cerimónia com que você parece aceitar, não é só a economia dos EUA que cai ao esgoto… é a guerra.

      • Ferpin, Vale a pena responder a quem me diz que eu disse algo que eu não disse? Nada posso fazer quanto às deduções dos que treslêem.

        Por outro lado, Almeida está longe de atacar Trump. Começa por dizer ser cedo para lhe avaliar o mandato. Já o aceitou. Ou seja, Ferpin percebe bastante mal quem está de cada lado o que está em causa em cada um desses lados.

  3. O declínio do império romano começou também com a escolha de imperadores transloucados.

    Estou convicto de que como o sistema americano funciona, não tardará muito que Donald Trump venha a sofrer um “impeachement”.

  4. L.rodrigues says:

    O protecionismo esteve na génese da prosperidade económica das grandes nações e pode ser uma ferramenta fundamental no desenvolvimento. Dito isto, duvido que ele sequer tenha essa noção.

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