Cheira-me a descoberta do fogo


O Conselho Nacional de Educação defendeu que é necessário recentrar a actividade docente, livrando os professores de muitas tarefas que lhes são atribuídas.

Nos últimos tempos, no campo da Educação, tem havido um rol impressionante de descobertas há muito descobertas e de invenções que já tinham sido inventadas há muito. Recentemente, o Paulo Guinote dedicou-se com mais alguma profundidade ao assunto das aparentes redescobertas.

Pela minha parte, embora com algum vernáculo à mistura, já tinha chegado a conclusões semelhantes às do Conselho Nacional de Educação, não porque seja (eu) especialmente brilhante, mas porque é suficiente ter alguns anos de serviço para se perceber que o tempo é um dos recursos mais importantes na vida de um professor, o que pode querer dizer que há falta de professores.

Entre a opinião pública e publicada, e com a ajuda de ministros, generalizou-se a ideia de que o horário de trabalho de um professor corresponde ao número de horas de aulas que dá, como se o trabalho de preparação e de correcção ou outros fosse um mito urbano criado por uma corporação de inúteis. Saúda-se, assim, apesar de tudo, o contributo do Conselho Nacional de Educação.

O problema está nos factos consumados, naquilo que este Ministério poderá reconhecer mas não reverter, como o número de alunos por turma. O fogo volta a ser descoberto, mas não aquece nem arrefece, portanto.

Comments

  1. JgMenos says:

    Se criassem formulários tipo do que dão aos alunos, para despachar a burocracia do ME…

  2. Não é a primeira vez que leio um post seu e identifico um alinhamento entre as ideias das instituições daqui (do Brasil) e daí sobre educação e atividade docente… Coincidências? Tendências? http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/governo-ira-ajustar-hora-atividade-dos-professores-no-parana-a5vvuc4il1nlxzixah1hztjn7

    • António Fernando Nabais says:

      Coincidências e tendências, sem dúvida, cara Aurea. Num mundo dominado pelo economês/empresarialês, profissionais que trabalham sem ser vistos a trabalhar são, na melhor das hipóteses, estranhos. Na maior parte do tempo, são considerados improdutivos ou parasitas.

      • Tenho disto isto! Aqui, o governo tem utilizado pesadamente a mídia para levar a opinião pública a crer que trabalhamos menos que a média dos brasileiros e ganhamos mais. Hoje é domingo, são quase 9:30 da noite e acabo de preparar uma avaliação. Estou trabalhando, sem esperar remuneração, em um domingo a noite… Mesmo que quisessem me pagar, não há como calcular uma dedicação que não se mensura em números…

Trackbacks

  1. […] via Cheira-me a descoberta do fogo — Aventar […]

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