É o tempo, estúpidos!

Antes de começar: não me interessa entrar em nenhuma competição para descobrir se há classes profissionais mais prejudicadas do que outras. Não ignoro que há quem viva muito pior do que os professores, mas os que estão pior do que nós não nos devem impedir de falar dos nossos problemas. Finalizando este intróito, os problemas dos professores vão para além de questões meramente corporativas: é a Educação que está em causa.

Terminados os preliminares, passemos ao acto.

Os professores, ao longo de vários anos, têm visto as suas condições de trabalho serem lesadas, nomeadamente, através de uma sobrecarga com tarefas de cariz administrativo. Para além disso, não é de mais relembrar que os professores pagam, do seu bolso, tudo o que implica deslocações e alojamento, para além de terem de comprar muito do material necessário ao seu exercício profissional, financiando, na prática, a empresa para que trabalham. Como se isso não bastasse, ainda foram alvo de congelamentos vários, reposicionamentos na carreira, diversos aumentos de impostos e cortes salariais.

Uma reportagem de hoje sobre as tão célebres quão esquecidas aulas de substituição já foi comentada pelo Paulo Guinote, que deixou, igualmente, um desafio. A propósito disso, e muito brevemente, quero só lembrar que aos professores foi retirado, com destaque para os últimos seis anos, o bem mais precioso da profissão: o tempo.

José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues tinham dois objectivos muito simples para a Educação: diminuir a massa salarial e aumentar as estatísticas de sucesso. Para o segundo, tomaram várias medidas, sempre com base no facilitismo e no enfeite estatístico, para além de alguma pirotecnia digital, graças aos Magalhães que devem estar a encher-se de pó nos arrumos e nas garagens.

Para alcançar a contenção salarial, começaram por explorar duas ideias muito simples: os professores são uns privilegiados que trabalham pouco e que nunca foram avaliados. Juntaram a isso a lembrança de que qualquer trabalhador português está obrigado a trabalhar 35 horas semanais. Munidos de todos estes ingredientes, cozinharam as aulas de substituição, ao mesmo tempo que retiravam aos professores horas do tempo individual de trabalho, desvalorizando, na prática, actividades como a preparação de aulas, a correcção de testes ou a elaboração de materiais. Para além disso, nem sequer era obrigatório que as aulas de substituição tivessem conteúdo pedagógico, uma vez que a própria ministra disse que constituíam uma oportunidade para os professores dizerem umas graças. Deste modo, as escolas começaram a precisar de menos professores e a ocupação desses tempos serviu, ainda, para criar a ideia de que não havia necessidade de mais funcionários não docentes.

No que respeita à avaliação docente, mesmo que a posteriori, Maria de Lurdes Rodrigues ganhou uma das principais batalhas, no que respeita à contenção salarial: a criação de quotas. Ainda hoje, PSD e CDS agradecem o trilho aberto pelo poder dito socialista, com as quotas a serem erigidas em garante de uma avaliação séria.

Como se isso não bastasse, foi graças aos governos socialistas que deixou de haver horas de redução para o desempenho de cargos de coordenação, deixou de haver uma formação contínua variada e consistente, deixou de haver estágios pedagógicos com conteúdo, em suma, deixou de haver tempo. No horizonte, mantêm-se ideias perniciosas como a de ver, cada vez mais, os professores como funcionários indiferenciados ou o alargamento da monodocência ao Segundo Ciclo, poupando dinheiro e poupando qualidade.

Tudo isto redundou no aumento de desemprego entre os professores, um problema que, para além do muito respeitável drama individual dos que não recebem e do atropelo de direitos de quem deveria passar aos quadros, constitui um desperdício de recursos necessários às escolas, um atentado à Educação. O Estado não tem, efectivamente, obrigação de garantir emprego a todos os que querem ser professores, mas não tem o direito de prejudicar a Escola, abusando do argumento simplista de que “é preciso fazer mais com menos”, tornando cada vez mais oportuno relembrar um truísmo: “não se fazem omoletas sem ovos”.

Os professores queixam-se demasiado. Concordo. Num mundo melhor, deveria haver muito menos queixas. Se alguns pensam que os professores exageram nas queixas, devo dizer que se queixam pouco.

Os problemas dos professores não são os únicos da Educação em Portugal. Talvez não sejam, sequer, os problemas fundamentais. No entanto, nada disto deixará de ter consequências, por muito estoicismo ou inércia que haja entre a classe docente. A mentira repetida acerca de uma dívida pública, que, na realidade, é privada, ou derivada da corrupção legalizada, levou a que todos os trabalhadores, professores incluídos, fossem esbulhados de vários direitos. Uma Escola pública de qualidade é um desses direitos.

Comments


  1. Interessante o introito que dá seguimento à missinha do desconforto dos professores.
    Vamos aos factos.
    Será que as outras profissões não têm visto a sua condição de trabalho ser lesada? Será que na maioria das outras profissões o transporte e o alojamento são pagos pela entidade patronal? Será que nas muitas outras diversas profissões não aumentou o trabalho administrativo? Será que nas muitas outras profissões ao trabalhar-se 35 e mais horas não se leva para casa trabalho para fazer? Será que as carreiras dos professores foram as únicas a serem mexidas? Será que não há profissões com desgaste muito superior e maior risco que recebem muito menos e não andam no choradinho.
    Concordo que os professores se queixam demasiado, aliás como o autor do texto reconhece, o que afeta muita das vezes as suas reclamações que em alguns casos são válidas e pertinentes.
    Querer colocar todos os professores ao mesmo nível e daí partir para absurdas generalizações é que me parece um exagero.
    De qualquer modo, os professores tem sempre a faca e o queijo nas mãos, se não gostam do trabalho e se sentem mal pagos, sendo licenciados como muitos outros podem sempre optar para mudar de profissão ou não será assim?

    • António Fernando Nabais says:

      Penso que no intróito à “missinha” deixei bem claro que os professores não são os únicos com razões de queixa. Quis deixar claro – parece que não consegui – que toda a gente deve apresentar as suas queixas, independentemente de haver outros que estejam pior. Também quis deixar claro – não devo ter conseguido – que aquilo que afecta as condições de trabalho dos professores é importante, sobretudo porque tem consequências danosas na educação dos jovens, não porque os professores assim o queiram, mas porque será inevitável.
      É um facto que os professores se queixam demasiado. Na minha opinião – mais uma vez, pouco clara -, isso deve-se ao facto de terem demasiadas razões de queixa. Mas vou mais longe: os professores queixam-se demasiado e deviam queixar-se mais, para bem da própria classe e para bem da Educação.
      Finalmente, e atendo-me ao seu último parágrafo, não percebo em que parte do texto é que se fala dos professores que não gostam do profissão. Na minha opinião, os três últimos governos têm retirado condições de trabalho aos professores, prejudicando a Educação. Se concordar com isso, o problema resolve-se com mudanças de políticas e não com a saída de uns professores e a entrada de outros. Se não concordar, é outra questão.


      • Caro Nabais, a missinha é reclamar contra o pagamento das deslocações de e para o emprego, contra o pagamento do aluguer da casa/apartamento/quarto ou tarimba, o pagamento do material de trabalho (que material de trabalho?, não me diga que é a caneta, o lápis, uma vez que os livros já sabemos como é que se arranjam de borla e em quantidade), o horário de trabalho (será que há quem tenha horário zero e seja pago?),
        Quanto à Educação com ‘e’ grande, não é a mesma da exclusividade dos professores, pois os pais, a sociedade, os meios de comunicação social e as modas também têm a ver com o assunto, não é verdade.
        São raros os miúdos do ensino básico a quem os professores deram uma ensaboadela sobre as artes, mais raros ainda os que percorreram o secundário para já não falar dos que se alcandoraram às faculdades e não as têm no curso.
        É-se professor por vocação, do mesmo modo que se é médico, padre, militar, polícia, árbitro, juiz, pintor, bailarino e tantas outras atividades que o são para nosso prazer primeiro e depois para gáudio da assistência. Quem procura nessa área apenas uma profissão anda muto enganado.

        • António Fernando Nabais says:

          Reclamar contra aquilo que se considera errado é um direito e um dever. Já se sabe que os professores não são os únicos a ter de pagar transportes e alimentação e já se sabe que isso não irá acontecer, mas o mesmo não se passa, por exemplo, com os juízes, pois não? Deixe-me perguntar-lhe uma coisa: quando decido sair de casa e ir comrar um livro útil para a minha profissão estou a trabalhar ou a passear? Nem eu próprio sei, mas o Teófilo explicará, porque até sabe que os professores recebem toneladas de livros de graça.
          O material de trabalho consiste em muita coisa, incluindo o computador e a impressora. Relativamente a livros, deve estar a referir-se a manuais escolares que as editoras oferecem aos professores, desde que o livro seja adoptado na escola em que trabalham. Só que os professores não estudam nem se actualizam apenas pelos manuais escolares, pelo que compram mais livros e mais materiais, para benefício dos alunos e prejuízo da própria carteira.
          No que respeita à Educação com ‘e’ grande (pelos vistos, a aque cabe aos professores é com ‘e’ pequeno), só posso concordar consigo e esse é um dos problemas: há demasiadas pessoas e instituições a esquecerem-se do seu papel de educadores, como os pais e os meios de comunicação social.
          Se algum contacto os miúdos têm com um mundo diferente daquele que lhes é dado, isso deve-se à generosidade e ao empenhamento dos bons professores, o que inclui artes, teatro ou visita a monumentos nas cidades em que vivem e que, sem os professores, nunca visitariam.
          Por muita vocação que se tenha, um professor tem de ser profissional. Faz parte dos deveres profissionais criticar o que está mal e isso inclui os prejuízos causados à corporação de que se faz parte, não por mero corporativismo. Repito: o tempo que retiraram aos professores é prejudicial aos alunos. Para o caso de ainda não ter percebido, vou escrever outra vez: o tempo que retiraram aos professores é prejudical aos alunos.

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Excelente post, embora não concorde com tudo. Ao contrário do que tu dizes, acho que os professores se queixam demasiado e nem sempre com razão. Tenho uma colega das antigas que dá 10 horas de aulas por semana e está sempre a queixar-se de que trabalha muito. Repara: 10 horas de aulas distribuídas entre o 8.º e o 9.º ano, que ela já lecciona há décadas – imagine-se o trabalhão que tem a planificar as aulas! E o problema é que não é um caso isolado, é a maioria.
    Estamos a falar da mesma professora que no ano passado tinha 6 ou 7 professores para avaliar e deu Excelente a todos, sendo depois avisada de que não o podia fazer – isto em relação às quotas.
    Quanto ao resto, concordo totalmente.

    • António Fernando Nabais says:

      Obrigado, companheiro. Quando se generaliza – que é o que faço no texto -, torna-se possível descobrir excepções. Para além disso, quem está dentro das escolas, como é o nosso caso, sabe bem que há podres na profissão.
      Quanto às queixas, consigo discordar de ti e concordar contigo, ao mesmo tempo, conforme a perspectiva. De uma maneira geral, tendo a considerar que trabalham pouco as pessoas que andam sempre a dizer que trabalham muito. Por outro lado, considero que a nossa classe tem demasiadas razões de queixa, e não só – nem sobretudo – por razões corporativas. Por isso, é bom que se queixe e que não fique prisioneira do argumento “há quem esteja pior” ou “isto está mal para todos”. Penso, aliás, que só a adopção de políticas educativas correctas é que permitirá, finalmente, separar o trigo do joio. Mais uma vez, obrigado por discordares e por concordares.

  3. Miguel says:

    Os professores são uma classe da maior importância para o futuro do país e das próprias futuras gerações. Penso que nem estes têm noção da importância e responsabilidade do papel de professor na sociedade.

    Infelizmente vi o meu percurso escolar marcado por muitos professores irresponsáveis e sem qualquer pedagogia. Professores que não deveriam ser professores, pois ser um professor implica gosto, dedicação e paixão.

    Tenho a agradecer imenso aos excelentes professores que tive sorte de encontrar durante este período. Posso ser mau a lembrar-me de caras, mas desses professores nunca esquecerei.

    A todos os outros…. Reclamar? Talvez devam reclamar da vossa falta de vergonha e brio profissional. Ou reclamarem de brincar com os alunos e com o seu futuro. Ou até de não saberem ou terem orgulho em formar bons alunos e em passar maus alunos a bons alunos…

    • António Fernando Nabais says:

      Ou seja: como o Miguel teve uma maioria de maus professores, os professores não têm direito a reclamar, mesmo que considerem que têm péssimas condições de trabalho e mesmo sabendo que isso prejudica os alunos. Mais uma vez, não me fiz entender: isto não é um texto corporativista. Vou escrever outra vez: o tempo que retiraram aos professores prejudica os alunos. Nada disto invalida a existência de maus professores e nada disto significa que basta dar tempo aos professores para que sejam bons.

      • Miguel says:

        Percebi o seu raciocínio, mas penso que não percebeu o meu.

        Que direito vocês têm a reclamar, quando os resultados do ensino são uma miséria? Não é agora, no tempo das vagas magras, que os resultados pioraram, já no tempo das gordas, os resultados eram visivelmente negativos.

        Por favor, não coloque a culpa no governo, nem na falta de tempo. Os bons professores existem/iam mesmo sem as condições que agora exigem.

        Como é que eu posso exigir mais ao meu patrão (estado/contribuintes) se o trabalho que faço (lamento a generalização) não apresenta frutos? Como é que eu posso gritar e exigir, se não deixo que de mim exijam?

        Claro, que paga o justo pelo pecador. Mas, num mundo em que queremos sobressair (num mundo em que resultados negativos, implica desemprego), isso só nos faz mais fortes.

        • António Fernando Nabais says:

          “Que direito vocês têm a reclamar, quando os resultados do ensino são uma miséria? Não é agora, no tempo das vagas magras, que os resultados pioraram, já no tempo das gordas, os resultados eram visivelmente negativos.
          Por favor, não coloque a culpa no governo, nem na falta de tempo. Os bons professores existem/iam mesmo sem as condições que agora exigem.”

          A César o que é de César, diz a Bíblia. Os professores devem assumir os seus erros e as suas insuficiências. No entanto, apesar dos avisos dos professores acerca dos programas, acerca do estatuto do aluno, acerca do constante experimentalismo pedagógico, acerca do facilitismo imposto às escolas ou acerca da ausência de políticas sociais, cabe a culpa principal ao governo e, já agora, aos eleitores, que preferem pôr a culpa exclusivamente nos professores, em vez de considerarem que a Educação é uma responsabilidade de todos.
          Enquanto as políticas educativas forem, na maior parte dos casos, erradas, não será possível, inclusivamente, distinguir bons e maus professores, nem essa foi, até hoje, uma preocupação de nenhum governo.
          Com todos os defeitos que têm os professores, têm sido eles a aguentar um sistema que está constantemente a ser atacado pela incompetência dos polítcos e pela incúria dos cidadãos.
          O seu raciocínio é demasiado linear: o ensino está mal, logo a culpa é dos professores. É isso, mas é muito mais do que isso.

  4. manuel.ferreira says:

    IMPOSTOS INJUSTOS NÃO ======LIBERDADE 2015……Não é necessário fazer o ESTADO mais eficiente—só é urgente reduzi-lo em 65% ( ou seja passar de 750.000 para 250.000 o numero total de funcionários públicos ).. o PAÍS ( qualquer País ) só tem capacidade para pagar os ordenados se o numero total dos trabalhadores públicos forem no máximo 5% da população activa- -e é esse o limite máximo… que deve constar na Constituição .o PAÍS ( qualquer País ) só tem capacidade para ter uma Divida Publica de 33% do PIB sem comprometer o FUTURO, é esse o limite máximo que deve constar na CONSTITUIÇÃO.– TODOS TEMOS O DIREITO E O DEVER CÍVICO DE FUGIR AOS IMPOSTOS INJUSTOS… .POR UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA E DE LEGÍTIMA DEFESA.

  5. Konigvs says:

    Há casos e casos como é lógico. Mas a sensibilidade que eu tenho pelo que vou observando à minha volta e lendo na comunicação social é que se tratam muito mal os professores, enquanto, por exemplo, se estende uma passadeira vermelha aos médicos (outros funcionários públicos) por exemplo. Aos médicos dá-se casa e ainda há autarquias no interior que dão mundos e fundos para conseguirem terem médicos de família para as populações, e facto é que ninguém vai para lá. Facto também é que o “lobby” médico continua a não permitir que não se formem médicos suficientes, em que só uma pequeníssima minoria de “marrões” é consegue entrar num curso de medicina e depois chegamos ao cúmulo de vermos os nossos estudantes irem fazer os cursos para o estrangeiro, e nós por cá termos de recorrer a médicos espanhóis, venezuelanos, ucranianos, etc etc – faz isto algum sentido?
    Por outro lado os professores mais parecem os ciganos que andam com a tenda às costas sem qualquer estabilidade – para eles e para os alunos – e sempre na incerteza se vão estar a trabalhar ou não, e julgo não estar a dizer um disparate, se acrescentar que não têm direito a subsídio de desemprego. Alguém que esclareça.
    Apesar disso, também há muito professor – como muitos médicos – e como em todas as profissões – gente totalmente incapaz de ensinar, incapaz de disciplinar os alunos, de os motivar e que se estão a borrifar se estes aprendem ou não. Há professores em todos os escalões de ensino que parece que já têm fama “com esse professor ninguém passa” e em que no mínimo deviam-se pedir explicações por que é que determinado professor tem sistematicamente muitas reprovações com alunos que têm boas notas nas outras matérias.
    Sobre os professores se queixarem muito ou pouco, já diz o povo que “quem não se sente não é filho de boa gente”.

  6. António says:

    1 – “Os professores queixam-se muito” – Concordo, apesar de muitas vezes terem razão em fazê-lo.
    2 – “Os professores, ao longo de vários anos, têm visto as suas condições de trabalho serem lesadas, nomeadamente, através de uma sobrecarga com tarefas de cariz administrativo.” – Tanto quanto sei, hoje em dia, esta “sobrecarga de cariz administrativo” depende em grande parte das escolas, ou melhor das suas direcções, ou melhor ainda do seu director. Neste caso, não deve ser ao Sr. director que devem dirigir a queixa e apresentar alternativas para resolver as questões “administrativas”? Em última instância, deve haver algum órgão acima da direcção que possa apreciar estes casos.
    3 – “os professores pagam, do seu bolso, tudo o que implica deslocações e alojamento” – Quantas são as empresas que suportam as deslocações e o alojamento dos funcionários? Muito poucas com certeza. Só profissões muito específicas ou com muita procura no mercado de trabalho têm estas benesses. Ah, esqueci-me dos deputados, esses sim têm direito a ajudas de custo para deslocações e alojamento! Dito isto resta-me acrescentar que a localização geográfica é um dos itens que constam dos concursos, verdade? Se não querem pagar despesas concorram para próximo de casa. Se não ficam colocados por fazê-lo… paciência. O material é outra história. Aí devia ser proporcionado o material necessário.
    4 – “…foram alvo de congelamentos vários, reposicionamentos na carreira, diversos aumentos de impostos e cortes salariais.” – Não foram só os professores, mas a generalidade dos funcionários públicos. Ah, e os impostos foram para todos. Devo acrescentar que a “carreira” está, na minha opinião, com um desfasamento enorme entre quem a inicia e quem está “no topo”. Devem menorizar-se estas desigualdades aproximando os escalões inferiores aos superiores, e uma forma de o fazer é congelar os escalões superiores. Outra forma seria aumentar os escalões inferiores, mas aí seria necessário mais dinheiro, algo que não abunda, pelo que consta. Não se justifica que para a mesma “tarefa” se paguem salários com diferenças absurdas (três e quatro vezes). Também acho que nesta questão das carreiras os governos têm cometido erro atrás de erro ao promoverem desigualdades dentro da classe.
    5 – “…os professores são uns privilegiados que trabalham pouco…” – Discordo totalmente. Não se pode generalizar. Há os que trabalham muito, os que trabalham pouco e os que não trabalham. Quero acreditar que os do primeiro grupo são a grande parte.
    6 – “a lembrança de que qualquer trabalhador português está obrigado a trabalhar 35 horas semanais” – Acho que em vez de “trabalhador português” deveria dizer funcionário público português, porque o “trabalhador português” trabalha 40 horas e não 35. Esta teve piada.
    7 – Resumindo, e porque não disponho de mais tempo acrescentaria o seguinte. Respeito muito os professores e acredito que são um garante da educação dos nossos filhos. Há muita coisa que está mal na nossa educação (assim como saúde, justiça, etc). Se há alguém que pode melhorar o estado da educação são os professores, que fazem parte do sistema, mantendo a atitude crítica que os caracteriza. Sei que dei uma no cravo e outra na ferradura. Escrevi uma lista de contradições. Ora convosco ora contra vós. Alguém tem que ser o “advogado do diabo”. Viva a democracia e a liberdade de expressão. Professores, pensem, critiquem, ajam, sugiram alternativas, envolvam-se, onde se tomam as decisões. Não se limitem a QUEIXAR-SE de tudo e mais alguma coisa.
    8 – Ah, é verdade, sou professor num curso profissional (apesar de preferir o termo formador), técnico paramédico e empresário. Talvez as contradições advenham daqui.

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  3. […] Noutro texto, tive ocasião de escrever sobre o tempo roubado aos professores, não sendo se mais lembrar que o tempo é um capital precioso para esta profissão. A esse texto não tenho muito mais a acrescentar, mas vale a pena lembrar a importância da redução dos alunos por turma, a necessidade de não sobrecarregar os professores com funções que não tenham que ver com a docência, para não falar na futilidade de um processo de avaliação que só serviu para desgastar ou do desprezo de disciplinas fundamentais votadas ao abandono como o Latim, ao contrário do que acontece na Alemanha. Como tudo isto não bastasse, a alegada revisão curricular vem introduzir cortes absolutamente disparatados, como acontece, por exemplo, no caso da EVT, ao mesmo que tempo que se faz de conta que é tudo planeado e não consequência de uma austeridade cega. […]


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