O Diabo chegou e chama-se Sebastião


Ninguém sabe quem é o Sebastião mas também não falta quem queira assumir a identidade do novo herói da direita ressabiada. Um herói ao estilo Abrantes, com aquele toque manipulador socrático que esses liberais híbridos tanto apreciam, preparado para abater, na escuridão da penumbra, os alvos previamente determinados pelo tentáculo viscoso do polvo corrupto que tudo açambarca.

Sebastião Pereira, o mais recente sniper ao serviço da ganadaria do velho regime, surge do nada, num ápice é director da secção de fogos florestais portugueses no El Mundo, mas vamos a ver e não existe jornalista algum neste país com esse nome. Tal facto, como seria de esperar num país de tão rigorosa imprensa, rapidamente se transforma na voz da “imprensa internacional“, abrindo caminho para uma série de indignações fabricadas em laboratórios, repletos de abutres e traficantes de influências que afirmam levar este país a sério.

Nada disto é novo, apenas os cenários vão mudando, consoante os campos onde se trava cada batalha. Quando a guerra eleitoral estava a rubro nas redes sociais, o exército das Marias da Luz  saiu à rua. Agora, com a grande tragédia de Pedrógão Grande transformada num festim para o aproveitamento político mais repugnante, os holofotes viram-se para a imprensa, e eis que surge um clone português para exportar barulho encomendado desde Madrid. Nas próximas semanas, com o aproximar das Autárquicas, outras manobras surgirão, adaptadas à realidade de cada concelho, onde vale quase tudo, até criar “jornais” em sedes de campanha, concebidos para aldrabar e instrumentalizar as populações com propaganda descarada, plenos de irregularidades e ilegalidades, dinheiros públicos e outros esquemas. Até ao dia em que a fraude é desmascarada.

Não surpreende, portanto, que haja por aí tanta malta que ache normal que um tipo sob pseudónimo apareça do nada a assinar uma série de notícias num jornal onde nunca escreveu, com uma agenda política clara que naturalmente encontra eco num país onde a generalidade da imprensa é controlada pela direita e pelas elites que financiam a direita. Mas enquanto uns acham normal porque “sempre foi assim“, ou porque simplesmente não têm tempo ou paciência para se ralarem, outros percebem perfeitamente a canalhice que tais práticas representam, e com as quais pactuam, mas não hesitaram em rasgar furiosamente as vestes quando o Miguel Abrantes, a soldo do socratismo, espalhava brasas na blogosfera. Agora é ver esses hipócritas nauseabundos, histéricos como dondocas na Black Friday, a erigir estátuas ao esquema cobarde. É ver a exemplar imprensa portuguesa, sempre tão moralista, a alimentar-se do esquema e a assobiar para o lado. Lembrem-se disto da próxima vez que virem os Josés Ferreira Gomes desta vida queixarem-se da inquisição das redes sociais. Quem semeia ventos, tende a colher tempestades.

Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Comments

  1. Os castelhano andam por aí…

Trackbacks

  1. […] sério como só ele sabe, aventou suicídios e fontes credíveis, mas afinal era tudo barrete. Nem D. Sebastião de El Mundo lhe valeu. Seguiu-se mais um episódio deprimente para o primeiro-ministro no exílio, que insiste […]

  2. […] desconheço, presentes numa longa lista apresentada por um jornal espanhol que não é assinada por Sebastião Pereira, estão agora no mercado negro, à espera de comprador, seja ele um terrorista, um traficante de […]

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