From Russia, with love #12 (Saint-Petersburg)


Faço as minhas despedidas de São Petersburgo

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já que é o último dia que passarei aqui. Não sei se voltarei aqui, ou a outro lugar qualquer da Rússia. Não que ache que São Petersburgo (e Moscovo também) me tenha tratado mal. Ao contrário, achei, como já disse noutros postais, a cidade bastante amável em vários sentidos, desde as ruas, aos monumentos, às abóbadas das igrejas, até às pessoas. Também o tempo esteve generoso e amável. Choveu pouco e por pouco tempo. O que, ao que parece, não é assim tão comum.
 
Quando saí do hotel fui à praça dos teatros, ainda não tinha visto o Mariinsky. Gostaria de ter visto um ballet no teatro onde atuaram nomes importantíssimos como Rudolf Nureyev ou Mikhail Baryshnikov (este último tive o imenso prazer de o ver numa peça no Petit Palais, em Paris, em janeiro). Mas os bilhetes eram extremamente caros para os meus bolsos e, por isso, perdi provavelmente a única oportunidade de ver alguma coisa neste teatro. Também em Moscovo não fui ao Bolshoi. O preço dos bilhetes era proibitivo, mas estava também encerrado em agosto.

 
Ainda não tinha visto grandes obras em São Petersburgo, ao contrário de em Moscovo. Mas perto do Mariinsky há imensas, o que tornou o passeio menos agradável. Nas traseiras do imponente teatro há, no entanto, um canal, sossegado e com sombra (hoje esteve um dia magnífico de sol e calor). Fui ao longo do canal até à Igreja de São Nicolau, muito azul e com as cúpulas douradas, que eu ainda não tinha visitado. A igreja é, para não variar, belíssima e o seu interior, embora mais despojado do que o das outras igrejas que tenho visitado, é bastante bonito. Havia um baptizado, outra vez. Quando acabou comprei umas velinhas fininhas, acendia-as ao São Nicolau e, outra vez como sempre, fiquei a vê-las arder. Continuei depois a caminhar até â Sadovaya. Não tinha qualquer ideia do que fazer a seguir, nem sequer se passava ali algum autocarro que me interessasse. Assim mesmomo esperei numa paragem.
 
Passou o elétrico nº 3. Ainda não tinha andado de elétrico em São Petersburgo. Dizia Praça Lenine. Ora bem, nem pensei duas vezes e apanhei-o. A Praça Lenine é a da estação da Finlândia. A mesma onde chegou Lenin, vindo do exílio, a 17 de abril de 1917, tal como referi no postal de ontem. O elétrico faz um percurso fabuloso. Constato novamente que o meu guia da Lonely Planet tinha absoluta razão em dizer que andassemos de transportes públicos (bom, eu andei em todos menos no metro, dado o meu recente receio de escadas rolantes, já sabemos). Se puder dar um conselho aos viajantes, é este: utilizem os transportes públicos das cidades. Geralmente (aqui, por exemplo) não têm turistas e em agosto têm também poucos locais. São baratos e podemos ir a toda a parte.
 
No elétrico número 3 percorri assim a Sadovaya, atravessei, pela ponte Troitskiy o rio Neva para Petrogrado e depois novamente o atravessei, pela ponte Sampsoniyevskiy, para Kalininsky onde fica a estação da Finlândia e a bela e fresca Praça Lenine. No fim da praça, mirando o Neva e apontando para o horizonte, agora nada vermelho, está uma estátua de Lenine, em que ninguém – pelo menos hoje – a não ser eu, parece reparar. As pessoas andam por ali, com as crianças, a brincar nas belas fontes com repuxos indiferentes a Lenine e ao seu braço estendido. Eu ando à volta da estátua e finalmente peço a duas raparigas se me tiram uma fotografia. Tiram.
 
A seguir volto para a paragem do elétrico nº 3 para o percurso inverso, até à paragem do Museu Russo, que visitei no primeiro dia. Vou até à Catedral do Sangue Derramado, ver a senhora das bonecas russas, da primeira tarde que aqui passei. É difícil escolher as bonecas. São todas bonitas e, afinal, não muito baratas. Mas lá acabo por me decidir. A seguir vou à procura de um micro-busto de Estaline. Digo nas lojas que quero um Estaline pequeno. E que me o embrulhem bem porque não quero um Estaline partido. Sosseguem, não me tornei estalinista. Não é para mim.
 
Depois vejo os barcos e reconheço para mim mesma que foi o que mais gostei de fazer na cidade. O passeio de barco. Apanho-o num canal diferente e o seu percurso é também completamente diverso daquele que havia feito antes. Passa por quase todos os sítios onde estive em São Petersburgo. O trajeto é magnífico e eu despeço-me da cidade enquanto devagar o sol se pôe e o horizonte se torna vermelho.

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