From Russia, with love #10 (Saint-Petersburg)

… a battle field that only needs a name*

Este slideshow necessita de JavaScript.


Encontrei Anselm Kiefer hoje no Hermitage, no Palácio de Inverno e foi um encontro inesperado, já que não havia lido nada sobre as exposições. Mal subi as escadas de Jordan, cheias de dourados a reluzir e de pessoas, fui ter à sala 197 e dou com a exposição de Kiefer ‘For Velimir Khlebnikov’. Fiquei tão contente que me pus quase a dançar no meio das salas, 3, cheias de quadros enormes, lindos. De quadros em que apetece mergulhar, como sempre digo. Kiefer criou estes 30 quadros em homenagem ao poeta futurista Khlebnikov. Não costumo colocar fotografias de quadros nos postais ou onde quer que seja. Os quadros são para serem vistos ao vivo e não assim, mas hoje abro uma exceção. Afinal, este encontro inesperado merece ser registado.

[Read more…]

From Russia, with love #9 (Saint-Petersburg)

São Petersburgo é o lugar menos turístico do mundo,

se apanharmos, na Admiralteyskiy, o autocarro número 10 para Troitskiy pr. É aqui que fica, no cruzamento com o Izmailovskiy pr. a catedral da Trindade. A mesma que vi ontem do alto da ‘colonnade’ da Catedral de Santo Isaac, com as enormes cúpulas azuis, com estrelas douradas a destacarem-se belíssimas no horizonte. Quando saí quase em fren

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

te da igreja, despertou-me a atenção a enorme coluna com um anjo em cima, rodeada de canhões. Parece que é uma homenagem aos soldados russos. Atrás dela a Catedral da Trindade, linda e branca, com as suas enormes cúpulas azuis e douradas. Fotografo as cúpulas de vários ângulos. Depois entro. Há senhoras a pedir à entrada da igreja. Não se vê um turista nas redondezas. A não ser eu.

[Read more…]

Fom Russia, with love #8 (Saint-Petersburg)

‘What’s left when everything’s gone?’

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Suponho que as memórias. O registo dos momentos que inexoravelmente se transformam em passado. O que é que temos a não ser esses momentos? O que é que fica quando tudo acaba, ou se vai embora, ou deixa de ser?
Hoje visitei um museu extraordinário e tive uma experiência fora do comum. O museu chama-se Erarta*, descobri-o quando pesquisei ‘museus de arte contemporânea em São Petersburgo’. Fica na ‘ilha’ Vasileostrovsky, do lado de lá do Neva, a 5,3 quilómetros do sítio onde me encontro. Apanhei o trolley nº 10 (mas também podia ser o 11 ou o 7) e lá fui eu. Em cerca de 20 minutos e por 40 rublos parei quase à porta deste belíssimo museu, o maior de arte contemporânea da Rússia.

[Read more…]

From Russia, with love #7 (Saint-Petersburg)

É outono em São Petersburgo e um gato apanha uma réstia de sol numa janela do Museu Russo

Este slideshow necessita de JavaScript.

Em muitas cidades tenho encontrado gatos nos museus. Gatos vivos, quero dizer, embora também alguns pintados. Estava um gato no beiral de uma janela do Museu Russo, a apanhar restos de sol, que chegaram depois da chuva torrencial. O gato estava seco, no entanto. Bati no vidro para lhe chamar a atenção, mas ignorou-me absolutamente, como se não houvesse mais nada entre ele e os raiozinhos tímidos de sol. E talvez não haja.

[Read more…]

From Russia, with love #6 (Moscow – Saint-Petersburg)

Cheguei a Leninegrado,

Este slideshow necessita de JavaScript.

ou Petrogrado ou São Petersburgo, como lhe queiram chamar. Eram cinco e meia da tarde quando o Sapsan, ou ‘falcão peregrino’ parou na estação Moscovo. Mal saio da estação, onde contei com a boa vontade de estranhos, como sempre, para descer as escadas com as malas, vejo um reclame no alto de um prédio: город горой Ленинрадюю. Qualquer coisa como ‘cidade heroica Leninegrado’. Pareceu-me um bom prenúncio.
 

[Read more…]

Noites Brancas (Memória descritiva)

Já aqui contei que traduzi o livro «Noites Brancas», de Feodor Dostoievski. Fiz a tradução a partir da edição francesa, pois de russo apenas sei aquela meia-dúzia de palavras que toda a gente conhece. Traduzi a partir da tradução francesa de Pierre Pascal e Boris Schloezer – essa, sim, feita directamente do russo. Havia já as excelentes traduções de Maria Franco e de José Marinho (que fiz questão de não consultar durante o meu trabalho). Houve posteriormente a de Luiz Pacheco para a sua artesanal editora – a Contraponto. Mas não contei os motivos por que fiz a tradução e num tempo recorde, em muito poucos dias. Bem sei que o livro não é grande, mas, mesmo assim, foi uma maratona e tanto. Por que tive de traduzir o livro tão à pressa?

Estávamos na primeira metade dos anos 70, eu trabalhava numa editora internacional e íamos lançar uma «História da Arte» em muitos volumes. Era uma obra preparada com cuidado, com a versão portuguesa dirigida por um grande especialista na matéria, José António Ferreira de Almeida (1913-1981), professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde viria a ser presidente do Conselho Científico.

Lembro com saudade o professor, as reuniões que fazíamos na editora ou na sua casa do Restelo – pois, com aulas também na Faculdade de Letras de Lisboa, de onde, aliás, era natural, dividia o tempo e a vida entre as duas cidades. Numa moradia não muito grande, acumulava mais de 40 mil livros. Salas e corredores, tudo estava forrado de estantes até ao tecto -. um espectáculo impressionante. Era uma pessoa alegre, bem disposta, e com uma cultura vasta que não se restringia à sua área de especialização. [Read more…]